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Correio Braziliense

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Acelerar para passar de ano

Faltam dois meses até o fim das aulas nas redes pública e particular de ensino e alguns alunos já temem a recuperação ou, pior ainda, a repetência. Ainda dá tempo de reverter esse quadro por meio de planejamento, disciplina e apoio familiar

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postado em 24/10/2012 08:00 / atualizado em 24/10/2012 12:39

Manoela Alcântara

Aulas de reforço, cronograma de estudos e fim das horas em frente ao videogame ou ao computador. Faltam dois meses para o fim do ano letivo e é tempo de garantir boas notas para passar de ano. Ainda é possível reverter o quadro por meio de dedicação, disciplina e perseverança, além do apoio dos pais. As aulas nas escolas públicas terminam em 20 de dezembro e, na rede particular, em torno do dia 15.
Todo o esforço deve ser aliado ao modo correto de estudar, que vai depender do perfil de cada estudante. O primeiro passo é observar se o aluno assimila melhor o conteúdo por meio do estudo em grupo ou separadamente, ao ler apostilas ou fazer exercícios. Um professor particular vale a pena para sanar as dúvidas e ajudar no aprendizado, mas se o ambiente de casa provocar dispersão, o ideal é optar pelo estudo em locais para esse fim. “O computador é o maior inimigo daqueles que estudam”, decreta a psicopedagoga Francisca Rios.

Estabelecer um cronograma é outro passo importante para recuperar as notas. É preciso programar horário para estudar, se divertir e descansar. Depois de sofrer com duas recuperações, ver os amigos entrarem de férias e ter que continuar a estudar, Thierry Vasconcelos, 13 anos, mudou a rotina completamente. “Antes, não prestava atenção no que o professor falava e não fazia os deveres. Fiquei de recuperação em matemática por dois anos seguidos e desta vez isso não vai se repetir”, garantiu o aluno do 8º ano.

A mãe do adolescente, Renilda Vasconcelos, 44 anos, tentou dois professores particulares, porém, só após descobrir o melhor método de aprendizado para ele, conseguiu ver mudanças nas notas do estudante do 8º ano. “Em casa, ele ficava disperso. Procurei uma instituição específica para trabalhar as dificuldades dele e funcionou”, relatou.

Thierry deixou de ter notas baixas em matemática, mas ainda precisa recuperar o desempenho em artes. “Vou estudar. Antes, quando não gostava de uma matéria deixava de lado. Agora, procuro entender, pergunto ao professor e tenho meus horários para estudar cada disciplina. Isso ajuda”, disse.

Os horários dele foram estipulados por uma psicopedagoga, com a mãe, após avaliar as facilidades e deficiências do jovem. “Os pais são peça fundamental nesse avanço. Eles precisam participar, observar as dificuldades dos filhos para podermos traçar o melhor método de recuperar o tempo perdido. Ninguém começa a estudar aqui no Intelecto antes de passar por esse tipo de “consulta””, ressaltou Francisca.

Segundo ela, as dificuldades podem estar em lacunas de alunos que vieram de escolas com um nível de exigência menor e não conseguiram acompanhar a nova rotina ou podem ir mais além. É necessário avaliar se há algum transtorno, hiperatividade, deficit de atenção ou outro problema que dificulte o aprendizado.

Plantões de dúvidas

A maioria das instituições de ensino faz um trabalho diferenciado. Elas acompanham as médias nas disciplinas e orientam o melhor cronograma a ser respeitado para conseguir recuperar o conteúdo nos últimos dois meses de aula. A dica é recorrer a plantões de dúvidas, professores particulares, atividades extras e programas de exercícios.

Aluno do La Salle, no Núcleo Bandeirante, Lucas Diniz Valentim segue à risca o que a orientadora pedagógica indicou. Estudante do 1º ano do ensino médio traça um esquema para o fim do ano. “Tenho muita dificuldade nas exatas. Em matemática, pelas somas que fiz, já estou de recuperação. Vou tentar ficar pelo menor número de pontos possíveis. Física ainda dá para passar”, calculou.

Junto da mãe do rapaz, a orientadora da escola estipulou dias e horários para ele estudar cada disciplina em casa, e entregou um calendário com plantões de dúvida. “É só ter disciplina. Gosto de estudar no meu quarto. Acho que funciona melhor. Fui reprovado uma vez no 9º ano tendo aula com professor particular. Agora mudei de tática”, relatou Lucas.

Pressão
O papel dos pais é fundamental em todo o processo, mas pressão demais pode atrapalhar os estudantes, que já precisam pensar em como recuperar notas baixas, passar de ano, não ficar para trás em relação aos amigos. A paciência e o companheirismo nessas horas são essenciais. “É necessário olhar a agenda do filho, entender as dificuldades e participar”, recomenda o presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF (Aspa), Luis Claudio Megiorin. Para ele, o acompanhamento dos deveres de casa e do desempenho desde o começo pode evitar a correria no fim do ano. “O tempo, às vezes, é curto para recuperar tudo”, concluiu.

Orientações

» Tempo de estudo
É imprescindível que o aluno se organize para ter, pelo menos, quatro horas de estudo por dia. No fim de semana, é preciso um tempo livre para lazer, mas são necessárias duas horas de estudo no sábado e domingo.

» Ajuda
Se os pais não podem ajudar com o conteúdo, contratar um professor particular ou procurar instituições especializadas em auxiliar no aprendizado. Recorrer a colegas que têm maior facilidade em determinada matéria também pode ser uma opção.

» Rotina
Em casa, é preciso ter um lugar calmo para estudar, um ambiente silencioso e sem tentações (televisão, computador, telefone e geladeira).


» Organização
Numere em um quadro os horários de estudo. É importante estudar todos os dias, fazendo um revezamento das disciplinas.

» Método
Existem alunos que assimilam melhor o conteúdo ao escrever resumos, outros ao sublinhar o texto com canetas coloridas. Trabalhar com exercícios e com repetição de atividades pode ser outra opção.

» Atenção
Se o aluno aprende na escola, pode reler a matéria e fazer exercícios em casa. Se alguma dúvida surgir, o professor pode resolver durante a aula. O estudante não deve ter vergonha de perguntar.

» Profissionais
Um acompanhamento com pedagogos ou psicopedagogos pode ajudar a reconhecer qual a dificuldade do aluno.

O que não fazer

» Computador
Se o estudante é apaixonado por computador é importante que o uso dele não ultrapasse uma hora por dia e que não seja usado à noite — para não acelerar o cérebro. É necessário descansar para assimilar o conteúdo.

» Acumular matéria
Estudar um pouco todos os dias é um ótimo começo. Não é recomendável deixar a matéria acumular. Com a proximidade das provas, o aluno fica mais ansioso e diminui a capacidade de aprendizado.

» Pressão
Os pais não devem dizer que não acreditam nos filhos nem usar xingamentos como burro, incapaz ou dizer que a situação está caótica, que ele não passará de ano. O ideal é incentivar, ter paciência e dar apoio.

» Permissividade
É necessário estabelecer limites. Ter regras para brincar e para estudar. Os pais devem ajudar a delimitar o horário do computador e das brincadeiras.

» Recompensa
Deve ser feita com moderação. O aluno deve ter a consciência de que estudar é importante, um objetivo de vida. Os pais podem condicionar um presente a uma boa nota em certas ocasiões, mas é preciso deixar claro que o maior estímulo é passar de ano.

Fonte: psicopedagoga Francisca Rios

 

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