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Educação

Reprovação pode acabar nas escolas

Rede pública estuda um novo método de avaliação no ensino fundamental a partir de 2013. Se a mudança for adotada, a divisão em séries será abolida e passarão a valer ciclos, sem a possibilidade de reter o estudante no fim do ano letivo

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postado em 08/11/2012 08:00 / atualizado em 07/11/2012 11:20

Ana Pompeu

Breno Fortes
O ensino fundamental da rede pública de ensino do Distrito Federal pode passar por mudanças significativas no próximo ano letivo. A atual divisão por séries poderá ser substituída por ciclos educacionais, de dois a quatro anos. A ideia é dar fim à reprovação dos estudantes dentro de cada ciclo para garantir a permanência deles na escola. A Secretaria de Educação estuda a possibilidade, mas não a assume oficialmente. Mesmo assim, o assunto provoca questionamentos entre professores e pais de alunos, por meio das entidades representativas de cada classe, pela falta de debate com a sociedade.

Grupos de trabalho da secretaria se reuniram, desde o último dia 28, na Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Eape) para debater o currículo escolar. O último encontro ocorreu na manhã de ontem. Um dos professores que esteve presente afirma que, no primeiro dia, os participantes receberam a informação, pela assessoria do secretário de Educação, Denilson Bento da Costa, de que a mudança começaria a valer em 2013. “Levantamos dúvidas em relação à medida, mas nada foi esclarecido. Disseram-nos apenas que os detalhes estão sendo avaliados e que a mudança atinge todas as séries do ensino fundamental”, afirmou o participante da reunião, que não quis ser identificado. De acordo com ele, o descontentamento entre os docentes foi tanto que o debate ficou esvaziado depois da notícia.

Com base em informações recebidas por integrantes dos grupos de trabalho da secretaria, o Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) também se manifestou contra a mudança para o ano que vem. “Para colocar em prática uma proposta dessa envergadura, é preciso um debate amplo com a sociedade. A chegada dos ciclos exige formação adequada dos professores e estrutura pedagógica. Se ocorrer dessa forma, será um grande erro do governo”, critica o diretor do Sinpro Washington Dourado. Na opinião dele, alterar a forma de avaliação dos estudantes interfere diretamente na rotina de sala de aula, uma vez que o método passa a ser global, e não mais de conteúdos específicos.

Do outro lado, o governo nega que tenha pulado a etapa de discussão com os profissionais de educação e a comunidade escolar. O secretário Denilson Bento da Costa afirma que as reuniões dos últimos dias provam a participação ativa dos professores. “Estamos sistematizando o documento construído nas plenárias em todas as cidades, feitas em 2011, para definir o projeto político-pedagógico da secretaria e avaliando o currículo escolar para que as disciplinas conversem melhor entre si”, explica o secretário. Em relação ao fim da progressão por séries, Denilson Bento afirma que só vai se pronunciar quando houver uma posição consolidada do governo. De acordo com ele, nenhuma alteração deve surpreender os profissionais de educação.

Novidade


Para os pais, no entanto, qualquer modificação no modelo de avanço escolar vai ser novidade. O presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF (Aspa-DF), Luis Cláudio Megiorin, afirma que a entidade não tomou conhecimento da proposta. “Parece que vamos dormir com uma norma e acordar com outra. Assim, ninguém consegue planejar nada”, reclama Megiorin. Para ele, não reprovar os alunos é uma forma de “maquiar” os problemas de qualidade da educação básica.

A opinião é compartilhada pelo professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Cleyton Gontijo. “Não consigo vislumbrar uma maneira disso funcionar bem nos últimos anos do ensino fundamental, tendo em vista a complexidade dos conteúdos escolares da fase”, afirma. Ele acredita que, para ser eficiente, a mudança deveria ser acompanhada de maior disponibilidade da carga horária dos professores para atividades extra-curriculares e reforços, além damaior oferta de espaços educativos, como bibliotecas, laboratórios e de arte.

Modelo importado
O sistema de progressão continuada e a extinção da avaliação no fim de cada ano letivo não serão uma experiência única do DF. Nas redes públicas municipal e estadual de São Paulo, o modelo é aplicado de forma obrigatória. Com isso, não há reprovação durante um período. No entanto, o conteúdo permanece baseado no ano letivo, assim como os livros didáticos, a organização dos professores e do currículo como um todo.
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