Educação

Incertezas marcam a volta às aulas na rede pública

As dúvidas sobre a aplicação do sistema de ciclos tumultuam início do ano letivo. Amanhã, 500 mil alunoss começam a estudar em 652 escolas públicas

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postado em 13/02/2013 11:07 / atualizado em 14/02/2013 17:56


Ana Carolina tirou a filha, Ana Beatriz, do colégio particular e a matriculou na Escola Classe 28: mais perto de casa (Bruno Peres/CB/D.A Press) 
Ana Carolina tirou a filha, Ana Beatriz, do colégio particular e a matriculou na Escola Classe 28: mais perto de casa


Quase 500 mil estudantes retornam às 652 instituições públicas de ensino do Distrito Federal amanhã, para um ano letivo que promete ser conturbado. Sob protestos de pais e professores, as mudanças previstas para a educação básica em pelo menos cinco regionais — Guará, Santa Maria, São Sebastião, Recanto das Emas e Núcleo Bandeirante — devem começar a entrar em prática nesta quinta-feira. Isso se as medidas não forem derrubadas pela Justiça ou pelo próprio governador até o fim da semana.

O Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) ajuizou, na última sexta-feira, uma ação contra a urgência na aplicação do sistema de ciclos para os 4° e 5° anos e de semestralidade para o ensino médio. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) também está questionando o atropelo das mudanças e até o governador Agnelo Queiroz admitiu a possibilidade de rever as alterações, o que tem permeado de incertezas essa volta às aulas.

 Em reação às mudanças anunciadas pela pasta no fim do ano passado, os docentes já têm paralisação marcada. A categoria fará uma assembleia em 7 de março, às 9h30, na Praça do Buriti. A mobilização está agendada desde dezembro, após reunião no pátio da Câmara Legislativa, quando os professores definiram a pauta de reivindicações para 2013 e rejeitaram a implantação do projeto defendido pelo governo.

De acordo com o diretor do Sinpro-DF, Washington Dourado, mesmo depois da semana pedagógica nas instituições públicas, sobram questionamentos quanto ao semestre letivo que se inicia agora. Isso e a falta de um acordo em relação ao salário e ao plano de carreira podem ameaçar as aulas na rede pública, segundo Dourado. “O atraso na nossa negociação salarial, que deveria ter saído em setembro do ano passado, e a implantação de todas essas mudanças, sem o devido preparo, pode nos levar a uma greve”, avalia o sindicalista.

Apreensão
Com tantas incertezas pela frente, o sentimento é de apreensão entre os pais e alunos da rede. “Estamos bem desanimados com esse início de ano. Não temos nada a comemorar”, comenta o presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do Distrito Federal (Aspa), Luís Cláudio Megiorin. “Vejo uma preocupação muito grande principalmente entre os alunos que estão se preparando para o vestibular. Não precisa ser especialista para saber que não vai dar certo implementar as mudanças dessa forma”, completa.

Até o ano passado, a comerciante Ana Carolina Fernandes, 22 anos, não precisava se preocupar com o sistema de ensino da rede pública, já que a filha Ana Beatriz, 5, frequentava instituições particulares. Este mês, no entanto, a garota começa uma nova fase na Escola Classe 28, de Ceilândia, onde irá cursar o primeiro ano do ensino fundamental e, assim, ingressar no modelo de ciclos. “Resolvemos escolher um lugar mais perto de casa. Eu queria que ela fosse para o Sesc, mas não consegui vaga. Então, escolhi a Escola Classe 28, porque fica mais fácil para a minha avó, que me ajuda com ela”, explicou a mãe da menina sobre a mudança, que, na tarde de ontem, deixou a preocupação de lado e foi curtir o carnaval.
Vale Material Escolar

A partir de 25 de fevereiro, 130 mil alunos da rede pública receberão um novo benefício do governo do DF: o cartão material escolar. O auxílio será fornecido pelo Banco de Brasília (BRB) e atenderá apenas pessoas cadastradas no Bolsa Família. Cada estudante receberá um cartão com créditos de R$ 202 a R$ 323, de acordo com a série em que está matriculado. O dinheiro poderá ser usado em papelarias credenciadas de todo o Distrito Federal durante 90 dias.

 
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