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Correio Braziliense

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Incentivo à carreira científica

DF tem cinco representantes no projeto Science Camp, da Embaixada dos Estados Unidos, que levará 92 alunas do ensino médio de escolas públicas para atividades no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônica (Inpa) em Manaus

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postado em 05/03/2013 18:00 / atualizado em 05/03/2013 12:35

Ed Alves
Elas estudam em escolas públicas, têm entre 16 e 18 anos e estão no ensino médio. Diferem por seus sonhos e suas histórias. Graziele de Souza Silva vem de Santa Maria e quer ser biológa; Yzamara Skalat Alves Pereira é de Planaltina e não se decidiu entre direito e administração; Jaqueline Pereira Carvalho mora em Samambaia Norte e quer cursar biomedicina; Noemi dos Anjos Barbosa Vieira, de Taguatinga, pretende passar em medicina; enquanto Rayanne Nathália de Souza Matos é de Riacho Fundo 2 e gosta de psicologia. Apesar disso, as meninas têm algo em comum: pelo bom desempenho nas disciplinas de exatas — matemática, física, química e biologia —, elas conquistaram uma vaga no projeto Science Camp — Elas nas Ciências, da Embaixada dos Estados Unidos.

Com outras 87 alunas de diferentes estados do país, as estudantes do Distrito Federal formam o seleto grupo de um programa cujo objetivo é incentivar adolescentes do sexo feminino a optarem pela carreira científica. Para isso, elas embarcaram, na noite de ontem, para Manaus com representantes da embaixada norte-americana. Na capital do Amazonas, farão uma imersão no cotidiano de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) — criado em 1952 para fazer o estudo científico do meio físico e das condições de vida da Região Amazônica.

Palestras e oficinas
As atividades vão de hoje a sexta-feira, Dia Internacional da Mulher. Serão quatro dias de palestras e oficinas, incluindo uma videoconferência e um passeio de barco. A abertura oficial do projeto ocorreu ontem, no auditório da sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em Brasília. As 92 estudantes, diplomatas, empresárias e o vice-presidente do CNPq, Manoel Barral, estiveram presentes.

As meninas do Science Camp mostraram-se animadas com o projeto na abertura de ontem. Das cinco representantes do DF, nenhuma conhece a capital amazonense. A estreia em um programa de grande porte vem com a expectativa não só delas, mas também dos familiares. “Lá em casa, meu pai está todo orgulhoso”, conta Yzamara Alves, de 17 anos.

Os trabalhos começam, hoje, com oficinas em laboratórios do Inpa. As estudantes serão divididas para integrar grupos de ecofisiologia, malária e dengue, vertebrados, invertebrados, nutrição, bioprospecção e mamíferos aquáticos. O segundo dia será dedicado à visita à reserva florestal Adolpho Ducke, um espaço de 100 km² na Floresta Amazônica. Lá, haverá turmas para estudar insetos, samambaias, madeiras e cogumelos, entre outras.

Na quinta-feira, um barco-escola seguirá pelos rios Negro e Solimões para chegar ao encontro das águas. Pesquisadores do Inpa irão explicar, no caminho, esse fenômeno natural. No último dia, representantes de uma multinacional farão palestra sobre reciclagem. As participantes deverão apresentar, ainda, um projeto desenvolvido pelo grupo de trabalho.

Liderança
Durante a manhã, a vice-presidente da Chevron Brasil, Eunice de Carvalho, conversou com as meninas. À frente de uma das grandes empresas de energia do mundo, falou sobre liderança e formação profissional. “Projetos, estágios e intercâmbios são ótimos”, recomendou.

A presidente da General Eletric do Brasil, Adriana Machado, e a diretora de cooperação internacional da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Neddermeyer, também fizeram exposição sobre o papel da mulher e o sexo feminino em diferentes áreas. Denise é presidente da Comissão Brasil – EUA para o Avanço das Mulheres e esteve em Boston, nos EUA, em fevereiro para participar do seminário Mulheres nas Ciências e Engenharias (veja Para saber mais).

Segundo Manoel Barroso, o CNPq tem interesse especial na inclusão das jovens. “É fundamental para o país investir no gênero, porque nós temos uma taxa baixa de doutores por habitante e somos uma nação em que a maioria são mulheres”, observa.

Para saber mais

Rumo ao poder


O projeto Science Camp — Elas nas Ciências e o seminário Mulheres nas Ciências e Engenharias em Boston fazem parte de uma série de ações tomadas pelos governos brasileiro e norte-americano. O Memorando de Entendimento Brasil-Estados Unidos para o Avanço da Condição da Mulher, assinado em março de 2010, pelo então ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e pela secretária de Estado, Hillary Clinton, estabelece o empoderamento das mulheres. Desde então, têm sido elaborados esforços para recrutamento do sexo feminino nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
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