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Mais tempo para educar o Brasil

Unicef e Itaú vão premiar iniciativas bem sucedidas que promovam o ensino integral de qualidade em escolas públicas do país

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postado em 03/04/2013 18:19 / atualizado em 03/04/2013 19:16

Gustavo Aguiar

O desafio de garantir uma educação integral, atraente e igualitária às crianças e jovens brasileiros é tema do 10º prêmio Itaú-Unicef. As inscrições estão abertas. A proposta neste ano é destacar ações e programas de organizações não governamentais que promovam em escolas públicas do país projetos em prol da educação integral e de qualidade. Serão selecionadas cinco iniciativas inovadoras e que tenham atingido bons resultados. Os vencedores serão conhecidos em novembro.

Para lançar a nova edição do prêmio bienal, que ocorre desde 1995, a Fundação Itaú Social, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) promoveram entre terça e quarta-feira (2 e 3 de abril) o seminário Educação integral: crer e fazer, em São Paulo. Durante o evento, especialistas, representantes de ONGs e gestores da área de educação puderam se encontrar e discutir o tema.

Fernanda Amaral /SM2 Fotografia
"Eu não mato aula, é a aula que me mata", ironiza um aluno sobre o próprio interesse pela escola. A piada é séria, e dá a dimensão da dificuldade de tornar a sala de aula um espaço interessante para crianças e jovens do novo século. "Para ampliar o tempo dos alunos no ambiente escolar, mesmo diante da apatia crescente deles pelos estudos, o caminho está na educação total, em que toda a sociedade participe. Não queremos apenas ter escolas, mas sim cidades educadoras", responde a coordenadora do programa da educação do Unicef, Maria Salete Silva. "Aprender não é uma experiência que se limita à sala de aula, e muitos estudos já superaram esse mito", garante.

Nas edições anteriores, o Prêmio Itaú-Unicef trouxe visibilidade a iniciativas como a do Instituto Socioambiental (ISA), que estimula o acesso à educação entre as comunidades indígenas de São Paulo, e do Grupo Cultural Afro Reggae, focada na valorização da cultura negra entre jovens de comunidades carentes no Rio de Janeiro. Em 2013, quatro projetos receberão R$ 100 mil cada um, e serão selecionados de acordo com o porte da atividade desenvolvida. Ainda haverá um ganhador nacional que receberá R$ 225 mil.

Em 2011, o projeto Onda - adolescentes em movimento pelos direitos, do Instituto de Estudos Socioeconômicos, no DF, foi um 32 dos finalistas da premiação que obteve mais de 2 mil inscrições. O grande ganhador do ano foi um projeto que saiu dos limites das escolas de Crato, no Ceará, para estimular a valorização da identidade das comunidades rurais em todo o município.

Além dos muros da escola

Fernanda Amaral /SM2 Fotografia
Para o educador espanhol Jorge Larossa Bondía, um dos convidados do seminário, considera que a educação deixou de ser um assunto de todos, e cada vez mais ocupa a esfera privada. "Isso é um prejuízo, porque individualizamos o aprendizado. A sala de aula devia ser um espaço unidimensional, onde as pessoas pudessem se conectar umas às outras, e não a computadores e outras ferramentas que deviam auxiliar o ensino em vez de serem protagonistas dele", explica. Ele avalia que a sala de aula é um modelo educacional que está ultrapassado no mundo todo. "O problema não está só no Brasil", revela.

A Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, Ciência e Cultura (OEI) estabelece metas para que os 23 países latino-americanos que compõem o organismo consigam garantir uma educação de qualidade e igualitária, e que esteja baseada em critérios definidos em convenções internacionais. Até 2021, espera-se que essas nações consigam reduzir consideravelmente os ainda preocupantes índices de analfabetismo, abandono e defasagem escolar, ampliem os meios de acesso à educação básica e elevem as taxas de escolarização.

De acordo com o professor André Lázaro, que, em 2007, ajudou a criar o plano de educação integral do governo federal, o Brasil está no caminho certo. "O que mostra isso são essas iniciativas que o Prêmio Itaú-Unicef, entre outros, vêm reconhecendo há muito tempo", aponta. Para Lázaro, as iniciativas independentes de alguns gestores e organizações em prol da educação superam o longo tempo que os governos levam para por em prática políticas eficazes e de longo prazo para a promoção da educação. "Apesar dos problemas, há muitas pessoas corajosas nas escolas brasileiras que não estão de braços cruzados. Sei que nossos índices ainda são baixos, mas estamos progredindo", diz.

10º Prêmio Itaú-Unicef

Podem participar ONGs de todo o país que desenvolvam um ou mais projetos e ações na área de educação com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social e econômica. Cinco instituições serão premiadas em categorias diferentes. O resultado será anunciado em novembro. As inscrições estão abertas até 31 de maio. O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis nas agências do Banco Itaú, nos escritórios do Unicef ou no site www.premioitauunicef.org.br.
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