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EDUCAÇÃO »

MEC fixa limite de erros aceitáveis para o Enem

Cartilha que define os critérios de correção para a edição deste ano do exame vai tolerar pequenas falhas, mas não permitirá deboches como a receita de Miojo da prova de 2012

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postado em 06/09/2013 12:00 / atualizado em 06/09/2013 13:49

Grasielle Castro /Correio Braziliense

Os estudantes que vão fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 26 e 27 de outubro terão um limite de tolerância para erros de redação. Ontem, o Ministério da Educação anunciou que falhas pontuais serão aceitas. Entretanto, erros graves e, principalmente, textos com deboches, serão corrigidos com tolerância zero. Um dos exemplos que a pasta vai aceitar são casos de erros mais simples de acentuação. Em um dos cinco textos que ilustram o Guia do participante — A redação no Enem 2013 a palavra “espanhóis” aparece três vezes — em uma delas, sem o acento agudo. O ministro Aloizio Mercadante destaca que a prova também tem finalidade pedagógica e enfatiza que um estudante que apresenta um erro, mas mostra que tem domínio da norma culta, não será penalizado.


Apesar da ressalva, a cartilha traz critérios de avaliação mais rígidos que o material de orientação da edição passada. No início deste ano, com a publicação do espelho das provas corrigidas, foi divulgado que textos com nota máxima apresentavam erros grotescos de português, como enxergar com “ch”. Além disso, redações com chacotas foram pontuadas com nota mediana. Em um dos casos, um estudante chegou a descrever como se prepara macarrão instantâneo (leia na Memória). Na época, a correção das provas ficou em xeque e acendeu uma polêmica sobre a avaliação. Nesta edição, porém, quem não se ativer ao tema terá a redação anulada. Para especialistas, as medidas adotadas pelo ministério são coerentes e justas.


O professor de português do Sigma Eli Guimarães concorda com a nota zero para os debochados. “O candidato que tem uma atitude desrespeitosa com o trabalho do governo deve, sim, ser punido. Não porque ele escreve mal, mas porque fez uma inserção inadequada. O exame não se presta a isso. Esse estudante fere frontalmente os princípios gerais do Enem”, justifica. Já quem comete um erro pontual, na opinião do professor, merece um tratamento diferente. “A nota no Enem é por faixa de pontos. Depois de 200, a pontuação máxima por competência, vem a nota 160. Não faz sentido descontar 40 pontos por causa de um ou outro erro pontual. Essa seria uma penalização excessiva e equivocada”, comenta.


Um erro pontual também não é motivo para descontar pontos de um estudante, na avaliação da professora do Departamento de Letras da Universidade de Brasília (UnB) Lucília Garcez. Para ela, é compreensível que um estudante sob a pressão de um certame como o Enem se esqueça de algum conteúdo. “Eles não podem consultar dicionário, não têm corretor de texto. É natural que se aceite em uma nota máxima um erro, desde que não seja reincidente. Se o sujeito não errar muitas vezes a mesma coisa e comprovar que domina a norma culta, não há razão para punição”, defende.


O argumento é o mesmo usado pelo ministro Aloizio Mercadante para justificar os critérios que estão sendo adotados. Segundo ele, um erro marginal não prejudica a qualidade da redação. “Desvios gramaticais serão aceitos como excpecionalidade”, afirma o ministro. Para esta edição, o ministério também diminuiu o desvio aceitável entre os dois corretores que analisam os textos. Se a discrepância entre as notas atribuídas pelos dois for maior que 100 pontos, um terceiro corretor será imediatamente acionado. No ano passado, a diferença aceitável era de 200 pontos. Para atender o aumento da demanda pelo terceiro corretor, a pasta ampliou o número de avaliadores de 5,6 mil (que trabalharam no ano passado) para 9,5 mil. O valor pago por texto corrigido, que era de R$ 1,90, foi reajustado para R$ 3.

 

MEMóRIA »

Macarrão e futebol

A divulgação do espelho das redações do Enem começou na edição 2012 já com polêmica. O acesso aos textos revelou provas com erros grotescos de português avaliadas como material de excelência. Alunos que escreveram enxergar com “ch” e trouxe com dois “s” conseguiram tirar nota máxima. A publicação das provas na internet chamou a atenção de especialistas e estudantes, que colocaram em xeque os critérios de correção. E tinha mais: estudantes que escreveram textos debochados também tiraram notas razoáveis. Um deles simplesmente transcreveu uma receita de macarrão instantâneo, e outro, um trecho do hino do Palmeiras. Na época, o Ministério da Educação argumentou que os candidatos não tinham fugido completamente do tema e que a penalidade prevista no edital não previa a nota zero para esses casos

Agenda do candidato

Exame Nacional do Ensino Médio 2013
Daias: 26 e 27/10
Horário: 13h (horário de Brasília)

 

 

 

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