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Projeto sustentável de estudantes do DF participa de feira internacional

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postado em 23/10/2013 11:32

Mariana Niederauer

Sidney Scaravonatti/Divulgação
Novo Hamburgo (RS) — A entrada para o mundo científico começou cedo para os mais de mil jovens dos ensinos fundamental e médio de 27 países que participam, esta semana, da 28ª Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), maior evento da área na América do Latina. Eles têm de 14 a 20 anos e são responsáveis pelos 412 projetos que ficarão expostos até amanhã em Novo Hamburgo (RS). Os representantes do Distrito Federal são do Centro de Ensino Médio (CEM) 414, em Samambaia Norte. Os alunos do 2º ano Fernanda Oliveira Nobre, João Paulo Aguiar e Guilherme de Sena Bezerra, todos de 16 anos, desenvolveram uma máquina que transforma em combustível sintético copos descartáveis e outros plásticos, como pneus e tubos de televisão — que não são recicláveis.

Fernanda, que veio para Novo Hamburgo como representante da equipe, explica que a ideia surgiu em uma aula do curso de mecânica na escola. A sustentabilidade foi uma das principais preocupações do projeto. “Espero que as pessoas aprendam uma nova maneira de reciclagem. O Brasil geraria mais dinheiro a partir do lixo produzido, pois hoje se desperdiça muito no país”, diz a estudante. Para a diretora do CEM 414, Remísia Tavares, por meio do projeto, o colégio cumpre um duplo papel, o de formar cidadãos e profissionais. “Nós vemos a importância da escola na formação de uma sociedade com seres humanos mais conscientes, que sabem que o lixo que eles produzem pode ser reutilizado. Além disso, contribuímos para a formação de novos cientistas”, relata.

O projeto da escola de Samambaia foi avaliado ontem pela manhã e Fernanda acredita ter feito uma boa apresentação. Amanhã à noite, será feito o anúncio dos participantes contemplados com bolsas integrais oferecidas por 12 universidades e, na sexta-feira, serão anunciados os melhores trabalhos, classificados em 13 categorias, do 1º ao 4º lugar em cada uma delas. Esses alunos serão credenciados para participar de pelo menos outras 30 feiras internacionais. A Mostratec teve início na tarde de segunda-feira, e a expectativa dos organizadores é de que circulem cerca de 30 mil visitantes até quinta-feira.

Do outro lado do mundo, um estudante da Fatih College, na Turquia, também concebeu um projeto preocupado com o meio ambiente. Hilmi Oquzhan Ayan, 16 anos, desenvolveu uma técnica de separação da água da tintura usada em tecidos. A inspiração veio de lago que passa pela escola e que era contaminado com o agente químico usado no tingimento. O método desenvolvido é mais barato do que qualquer outro existente no mundo, por isso, Hilmi pretende chamar a atenção de autoridades governamentais para desenvolvê-lo em larga escala.

Sidney Scaravonatti/Divulgação
Segundo os cálculos do jovem cientista, seria possível limpar as 70 mil toneladas de dejetos descartados na água por ano no mundo com apenas 14 toneladas de metal a um custo de US$ 300 mil. “Essas tinturas têxteis podem causar câncer, dificultam a fotossíntese e matam peixes e outros seres de vida marítima. Desenvolvi esse projeto porque queria ter um mundo melhor”, afirma.

Leo Weber, diretor executivo da Fundação Escola Técnica Liberato, realizadora do evento, explica que a Mostratec tem o objetivo de fortalecer a ciência jovem no Brasil. Ele destaca ainda que a integração do ensino regular com o ensino técnico abre horizontes para o mercado de trabalho e ajuda manter o interesse dos estudantes no ensino. “Quando se une a formação técnica à científica, o indivíduo passa a ser mais criativo e a ter novas perspectivas de crescimento social e profissional. É diferente do ensino tradicional, do giz e do quadro negro”, exemplifica.

Cientistas premiados
Para participar da mostra, os estudantes receberam a certificação de uma das 98 feiras filiadas à Mostratec. Do total de projetos, 352 são de estudantes do ensino médio técnico e 60 de ensino fundamental — que participam da Mostratec Júnior. Paralelamente, ocorrem ainda outros sete eventos, entre eles o Seminário Internacional de Educação Tecnológica (Siet) e o Festival Mostratec de Robótica.

A jornalista viajou a convite da Fundação Liberato


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