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Qualificação de professores é o que faz a diferença no ensino da Finlândia

País é referênicia mundial em educação. Representante do Ministério da Educação local participou de cúpula no Qatar

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postado em 31/10/2013 19:41 / atualizado em 04/11/2013 09:38

Ana Paula Lisboa

Doha - A Finlândia não é o país mais conhecido de todos, mas quando se trata de educação, é a melhor e maior referência mundial. A qualidade do ensino finlandês está, em grande parte, relacionada à qualificação dos educadores, que são selecionados entre os melhores alunos e que passam por uma formação profunda. Se os professores da Finlândia são tão bons, será que a solução para a educação mundial seria se eles ensinassem em outros países?

Motivado por esta pergunta, Pasi Sahlberg, diretor geral do Centro para Mobilidade e Cooperação Internacional do Ministério da Educação da Finlândia, palestrou durante o maior evento de educação do mundo no Qatar, o World Inovation Summit for Education (Wise). Em 2013, a programação da cúpula durou de terça (29/10) a quinta-feira (31/10), em Doha, a capital do país do Oriente Médio.

A diferença dos professores finlandeses já começa na seleção. "Separamos os melhores dos bons", esclarece Pasi. Para explicar as exigências para se tornar professor em sua terra natal, o diretor citou o exemplo de sua sobrinha, Veera, uma estudante que se formou no ensino médio recentemente com ótimas notas e que poderia optar por cursar medicina, direito, administração ou qualquer outro curso. A jovem decidiu ser professora de alunos do primário e foi aprovada em duas fases do processo seletivo, que equivaleria ao vestibular brasileiro: prova teórica e prova prática, onde teve de programar atividades para alunos de quarta série.

Na terceira etapa, a entrevista, Veera não foi aceita. "Minha sobrinha disse aos entrevistados que queria ser professora porque várias pessoas da família dela eram professores e porque ela amava crianças. Na Finlândia, só um nível de conhecimento e vontade não são suficientes. Formamos os melhores educadores desde o momento da seleção ", contou Pasi.

Depois de um ano de trabalho voluntário como monitora numa escola de ensino fundamental, Veera tinha melhores motivações para contar, foi aprovada e, atualmente, está na faculdade. Nesta seleção, por exemplo, a jovem foi uma das 750 aprovadas entre 8,5 mil candidatos. Apesar do nível dos educadores da Finlândia ser muito alto, Pasi acredita que não é apenas isto que faz a diferença. "Os professores são importantes, mas não depende apenas deles. É como num time de futebol. Às vezes, uma equipe não tem muitos craques, mas eles trabalham tão bem em conjunto que ganham muitos campeonatos. Do mesmo modo, há times com os melhores jogadores do mundo, mas, como a atuação em grupo não é boa, não vencem muito", exemplifica.

De acordo com o finlandês, não é necessário que um país tenha os melhores professores do mundo e nem a melhor estrutura para ter um bom desenvolvimento educacional. "É preciso ter uma filosofia de trabalho em grupo, sem competições para não infectar a colaboração, e uma ótima liderança. Trabalhando assim, professores que nem são os melhores podem fazer milagres", prevê Pasi. De acordo com Pasi, as escolas podem ser comparadas em mais um aspecto a times esportivos: "Quando um jogador vai mal, não colabora e atrapalha o time, acaba sendo expulso. Trabalhar em sala de aula é difícil, mas também não podemos tolerar os maus professores nos sistemas de educação pelo bem das nossas crianças e adolescentes".

Brasil x Finlândia
Em 2013, a Finlândia lidera o ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) entre 40 países. Na mesma lista, o Brasil aparece como penúltimo colocado. Para ensinar alunos do primário na Finlândia, é preciso fazer faculdade e mestrado. O tempo de estudo varia entre 5 e 6 anos, num sistema de estugo rígido e cheio de atividades. Os cursos de pedagogia finlandeses são extremamente concorridos e os jovens precisam se esforçar muito para serem aprovados. No país nórdico, o magistério é a escolha da maioria dos estudantes que terminam o ensino médio, de acordo com Pasi Sahlberg.

Enquanto isso, no Brasil, apenas 2% dos jovens escolha se tornar educador, segundo a Fundação Carlos Chagas (FCC). A cada cem cursos de pedagogia, apenas três são considerados excelentes pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). A concorrência e a nota de corte não costumam ser altas e a qualificação dos estudantes que se preparam para o magistério está longe da excelência: 30% dos estudantes de pedagogia estão entre os que tiveram as piores notas no ensino médio.

*A jornalista viajou a convite da Qatar Foundation
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