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O ranking da discórdia

Representantes de colégios que ficaram de fora da lista das melhores escolas do país reclamam da metodologia adotada pelo governo para divulgar os dados do Enem. Brasília, Recife, Belo Horizonte e São Paulo estão entre as capitais com mais reclamações

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postado em 27/11/2013 12:00 / atualizado em 27/11/2013 13:16

Grasielle Castro /Correio Braziliense , Manoela Alcântara

Cristiane Silva
No dia em que muitas escolas comemoraram as boas colocações nas listas das melhores do país, outras que costumavam compor o topo do ranking do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) reclamaram por não terem sido nem citadas e prometem questionar o Ministério da Educação. Assim como no ano passado, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) só divulgou as informações dos colégios que tiveram mais de 50% do alunos matriculados no 3º ano entre os que participaram da prova.

Essa regra, por exemplo, fez com que o Olimpo, primeiro do ranking no Distrito Federal no ano passado, fosse excluído. A direção da escola é enfática: tem certeza de que pelo menos 90% dos alunos concluíram os dois dias de provas, em outubro do ano passado. O impasse se repete no restante do país. Escolas tradicionais como o Santo Antônio, de Belo Horizonte, não figuram entre as divulgadas. O sócio-proprietário e diretor de ensino do Olimpo, Rodrigo Bernadelli, afirma ter certeza de que os dados estão equivocados. “Achamos que houve um erro de cruzamento entre as informações de presença no Enem e o que consta no Educacenso”, ressalta. Ontem, a escola cobrou uma explicação do Inep, mas é necessário seguir o protocolo comum de pedir a revisão dos dados.

Segundo Bernadelli, em três anos de participação no Enem, nunca houve percentual menor do que 85% de estudantes que fizeram a prova. “Perguntamos em sala de aula, e a taxa do ano passado ficou em 95%. Não entendemos o que aconteceu.” No ano passado, quando a metodologia mudou, o Colégio Militar de Brasília, que dominava os rankings das melhores públicas do DF, foi excluído pelo sistema.

Em São Paulo, o Colégio Objetivo Integrado, melhor do país em 2012, também não apareceu na lista. A assessoria da instituição argumenta que pode ter ocorrido um erro dos estudantes na hora da inscrição. Segundo o Objetivo, o Inep informou que existiam 43 alunos inscritos e o Censo Escolar apontava que a escola tinha 42. A escola acredita que alunos de outras unidades da escola podem ter errado na hora de responder o cadastro e colocado a unidade Objetivo Integrado, que é um “colégio dentro do colégio”. A instituição afirma que a média das notas dos alunos é 740,81, o que seria a maior nota do país.

Amostragem

Em Belo Horizonte, o Santo Antônio e o Santo Agostinho tinham posto garantido entre as 30 melhores do país e também ficaram de fora. Lá, os diretores das escolas se reuniram para decidir o que fazer. De acordo com o diretor-geral do Santo Antônio, frei Jacir de Freitas Farias, eles vão apresentar uma representação no MEC. “É um prejuízo muito grande para nós e para os alunos. Ver que não estamos nem na tabela de dados é uma decepção muito grande. Já estamos conversando com outros colégios lesados vendo a possibilidade de pedir danos morais”, lamenta. No Recife, o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de Pernambuco (Sinepe) contestou a lista. Eles reclamam do novo critério que deixou de fora escolas como Colégio Boa Viagem, Damas, Exponente, Santa Maria e Equipe.

Na segunda-feira, o ministro Aloizio Mercadante explicou que os critérios atendem a necessidade de considerar uma amostra minimamente razoável. “Menos de 10 alunos não têm relevância. A escola pega só os melhores e faz o Enem e a média dela fica lá em cima, mas essa não é a realidade”, alegou. O ministro, entretanto, criticou a comparação com base nas médias. “A média mascara coisas essenciais que são as condições sociais econômicas, educacionais de cada escola, de cada estudante”, pontuou. De acordo com o Inep, as escolas que se sentiram injustiçadas têm um prazo de 10 dias para questionar os dados.

Os critérios

Confira quais são as regras para entrar no banco de dados do Inep
 
» Contar com a participação de 50% ou mais alunos no Exame Nacional do Ensino Médio, em relação ao total de estudantes concluintes das respectivas escolas.

» Ter no mínimo 10 estudantes participantes
do Enem do ano passado, entre os estudantes declarados ao Censo Escolar 2012.

Composição do ranking

» É calculada a média da nota das quatro áreas do conhecimento (linguagem e códigos; matemática, ciências humanas; ciências da natureza) avaliadas pela Teoria de Resposta ao Item (TRI). Por esse método, a pontuação obedece ao grau de dificuldade do item. Quem acerta cinco de 10 questões, não necessariamente
tira nota 5.

» A nota da redação não é incluída na conta.

» Foram usados os dados das 11 mil instituições e de 683,8 mil alunos, todos concluintes da educação básica, divulgados pelo Inep.
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