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Folga na Copa é preocupante

Na volta às aulas, as férias de 30 dias no meio do ano foram o tema mais discutido nas escolas. Embora não haja consenso, pais e alunos temem que o recesso prolongado e uma possível greve de professores causem graves prejuízos. Mas o governo descarta uma paralisação

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postado em 06/02/2014 10:10 / atualizado em 06/02/2014 10:24

Matheus Teixeira

O ano letivo começou ontem em toda a rede pública de ensino do Distrito Federal. Nenhum dos 471 mil alunos dos ensinos fundamental e médio ficou sem colégio. Seis mil crianças, no entanto, não conseguiram se matricular em alguma creche. Uma mudança no calendário escolar, por conta da Copa do Mundo, foi o assunto dominante entre pais e alunos na volta às aulas e dividiu opiniões. Em vez de terem 15 dias de férias no meio do ano, como acontece geralmente, terão um mês inteiro de folga na época da competição.

A Lei Geral da Copa exige que as escolas parem no período do torneio, porém, cada unidade da Federação tem autonomia para decidir. O secretário de Educação, Marcelo Aguiar, garante que os alunos não perderão um dia sequer de aula e explica que tomou essa atitude justamente para não os atrapalhar. “Os colégios param em dia de jogo, muita gente acaba faltando e isso com certeza seria prejudicial”, justifica.

Reformas

Luis Claudio Megiorin, presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF, afirma que, das 654 escolas da rede pública, 291 passaram por reforma para este ano. Ele conta que o debate sobre as férias dominou as reuniões da associação. Segundo Megiorin, os responsáveis são contra a medida do governo. Eles acreditam que o recesso prejudicará a vida do aluno e temem que uma eventual greve atrase ainda mais o término do ano letivo. “Em parte, eles têm razão”, comenta Megiorin. Em contrapartida, há uma resolução do Conselho Nacional de Educação que obriga as escolas a liberarem os estudantes em dias de jogo nas cidades sede, e isso atrapalharia. “Os outros 15 dias que teriam aula no momento do evento seriam conturbados. Muita gente faltaria e seria difícil repor depois”, pondera.

O autônomo Raimundo de Sousa, 38 anos, pai de Amanda de Paula, estudante do terceiro ano do ensino médio do Elefante Branco, critica a decisão. Reclama que o governo não pensa no estudante. “Estão pensando neles mesmos. Querem deixar a cidade mais vazia para que tudo corra bem na Copa, e não estão nem aí para as aulas”, afirma. A dona de casa Janaina de Oliveira, 39 anos, não concorda com Sousa. Ela argumenta que é um direito e uma conquista do país sediar o mundial. “O problema não é o evento. O problema é a falta de infraestrutura e o risco de greve, o que nos deixa muito inseguros”, diz.

Risco zero

O secretário garante que o risco de greve dos professores é zero. “Não há a menor chance.” No entanto, os alunos não estão tão seguros assim: “É imprevisível. Nunca sabemos quando seremos prejudicados. Só sei é que, quando acontece, bagunça o planejamento de vida de qualquer um”, diz o estudante Pedro Henrique. Ele está no último ano de colégio e teme que uma paralisação dos docentes comprometa os estudos. “É ano de vestibular. Quero muito passar na UnB e, para isso, preciso de menos dias de férias e não de mais folga”, reclama.

A reportagem do Correio Braziliense conferiu o começo das aulas em diversos colégios do Plano Piloto. Em alguns locais, houve confusão para fazer a matrícula, mas, até o meio da manhã, estava tudo tranquilo. Muitas faixas de pedestres próximas às escolas, entre as quadras 906 e 907 Sul, estão fracas e algumas foram até apagadas pelo recente recapeamento. O governo ainda não recompôs a demarcação das vias.

O Batalhão Escolar da Polícia Militar também promoveu operação especial de volta às aulas. Foram destacados 580 homens e 80 viaturas para garantir a segurança dos alunos. Dois grupos de teatro e de palestras de conscientização sobre diversos temas, como sexo e trânsito, fizeram parte da operação. O tenente coronel Souza Lima diz que a operação foi um sucesso e que houve apenas ocorrências leves. “Não teve nada de grave. E na volta às aulas, geralmente gangues se reencontram e há um risco”, explica.

Escola parque em Ceilândia
O DF terá a primeira escola parque fora do Plano Piloto. Uma portaria assinada ontem e que deverá ser publicada na edição de hoje do Diário Oficial do DF cria a unidade em Ceilândia. A instalação será no antigo prédio do Sesi e atenderá  cerca de 30 mil estudantes da região, com o mesmo conceito idealizado, em 1932, por Anísio Teixeira. Será uma unidade voltada para o desenvolvimento dos indivíduos, em que, além do currículo básico, o aluno poderá ter acesso à cultura e ao lazer, além de desenvolver a criatividade. Os ônibus da Secretaria de Educação serão os responsáveis por transportar os estudantes do ensino fundamental até o local, no turno contrário ao das aulas. O espaço do Sesi foi cedido como permuta por um terreno do GDF. Ele já está preparado para as atividades de Escola Parque. Terá ainda um espaço voltado para o funcionamento da Escola de Música de Brasília. Em homenagem ao criador do sistema educacional de Brasília, o espaço será chamado de Anísio Teixeira. A inauguração do espaço deve ocorrer até julho de 2014.

 

Povo fala
Você é a favor das férias de 30 dias devido à Copa do Mundo?

 

Paulino Valentin,
aposentado, 62 anos

“Sou contra a extensão das férias. Dessa forma, os alunos ficarão muito tempo parados. Pelo menos meu filho já tem 16 anos, se fosse mais novo, não teria onde deixá-lo para ir trabalhar”

 

Joelma Silva,
dona de casa, 39 anos

“Tinham que investir em educação, não em estádio. Além da falta de investimentos, minha outra preocupação é se houver uma greve no meio
do caminho”

 

Iris Mendes,
17 anos, estudante

“Sou totalmente contra as férias em época de Copa do Mundo. É só um jogo de futebol. Têm muitas outras coisas mais importantes para o governo se preocupar e nós, também. Afinal, é ano de vestibular”

 

Tainna Sousa,
16 anos, estudante do Elefante Branco

“A Copa do Mundo será muito importante para o Brasil. A cidade estará cheia e todos vão querer participar do evento. Seria impossível ter aula nessa época”

 

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