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Escolas sem quadras

Área para a prática de esportes coletivos está ausente em sete de cada 10 estabelecimentos educacionais públicos de ensinos fundamental e médio no Brasil. Professores e alunos improvisam em pátios, estacionamentos e descampados

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postado em 24/06/2014 10:45 / atualizado em 24/06/2014 10:47

Renata Mariz

No país da Copa do Mundo, arrebatado atualmente pelo espetáculo do futebol rolando em casa, a estrutura para a prática de esportes nas escolas está longe de ser campeã. Dados levantados a pedido do Correio pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação (MEC), mostram que praticamente sete em cada 10 colégios públicos de ensino fundamental e médio no Brasil não têm quadras poliesportivas. Em 40% do estabelecimentos que contam com esse espaço, o local carece de cobertura. Resta a alunos e professores improvisar aulas tão importantes no aspecto físico, social e mental.

“Há um ganho cardiorrespiratório e biológico muito grande com as atividades na escola, especialmente se esse aluno não tem acesso à prática esportiva supervisionada em outros espaços. Sem falar na questão psicológica e social, já que o esporte no contexto educacional trabalha também conceitos como a lealdade, a ética, a não discriminação, a competitividade respeitosa”, destaca Daniel Cantanhede Behmoiras, coordenador do curso de educação física da Universidade de Brasília (UnB). De acordo com ele, que tem experiência de sete anos lecionando em escolas públicas do Distrito Federal, ter um local adequado para o incentivo ao esporte nos colégios é fundamental. “Respeita a saúde do professor e dos estudantes.”

Apesar das vantagens evidentes de se ter um espaço apropriado para os esportes coletivos nas escolas, a proporção de estabelecimentos educacionais com quadras subiu apenas cinco pontos percentuais entre 2010 e 2013 no país — de 28,5% para 33,4%.      
A maioria permanece obrigada a ministrar as aulas em pátios, estacionamentos ou descampados. De tão precária a situação, o governo federal anunciou que financiaria a construção de quadras esportivas por meio da segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). A meta informada foi criar 6.116 quadras cobertas e cobrir 4 mil já existentes até 2014.

No entanto, de 2011 a 2013, ano mais atualizado da base de dados do Inep, o número de escolas com quadras esportivas cobertas subiu 3.428 unidades. O MEC, por meio de nota, menciona que mais de 10 mil projetos, de 2011 para cá, foram aprovados, para construção ou cobertura de quadras. A pasta, no entanto, não detalha quantos já saíram do papel, além de ressaltar que a obra, propriamente dita, é de responsabilidade dos estados e municípios que recebem recursos federais. Os repasses são feitos por meio de convênios firmados com a União, que tem o dever de fiscalizar a aplicação dos recursos.

Orçamento
A dificuldade de levar adiante essas parcerias também explica, em parte, a execução pífia de ações do governo federal de incentivo ao esporte voltadas à criança e ao adolescente. Caso do programa Esporte e Grandes Eventos Esportivos, que recebeu neste ano R$ 1,1 bilhão para aplicar. Do montante, só R$ 205 milhões foram investidos até agora, o correspondente a 16% do valor autorizado. Vale destacar que, desse total, 84% são de restos a pagar, ou seja, vêm de orçamentos de anos anteriores desembolsados pela União em 2014.

Para Cleomar Manhas, assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos, os dados mostram uma execução lenta do programa. “Principalmente porque a maior parte do valor pago vem dos restos a pagar. Ou seja, o orçamento deste ano está parado, a execução está quase nada”, destaca Clemar. Ela ressalva, entretanto, que não dá para “jogar a culpa” apenas na União. “Parte dessas ações é feita por meio de convênio, então, os estados e os municípios também colaboram para esse atraso, para essa situação.”

Entre as 10 ações que compõem o programa em questão, a que reúne maior volume de recursos — R$ 687 milhões — é destinada à implantação e à modernização de infraestrutura para esporte educacional, recreativo e de lazer. Do montante, só R$ 52,8 milhões foram pagos (7% do autorizado). No caso dos R$ 100 milhões previstos para implantação de centros de iniciação ao esporte, nenhum centavo foi aplicado até agora. A ação que prevê apoio a projetos de esporte, inclusão social e legado social tem R$ 179 milhões autorizados, mas só pagou R$ 11 milhões.

Vírus da pólio em SP
O vírus da poliomielite foi encontrado em amostra de esgoto do Aeroporto Viracopos, em Campinas (SP), mas não há registro de nenhum caso de contaminação em humanos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O material identificado é similar a uma amostra de vírus isolada recentemente de um caso na Guiné Equatorial. A agência da ONU disse, entretanto, que o risco de o vírus da pólio achado no Brasil se espalhar internacionalmente é “muito baixo”. Já o da Guiné Equatorial é “alto”. A doença está erradicada no Brasil desde 1989.

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