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O PAS alcança a maioridade

Há 18 anos, a prova começou a ser aplicada para candidatos a uma vaga na UnB. Segundo avaliação de professores e alunos, o exame tem dado certo e não existe razão para desistir dele

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postado em 18/11/2014 11:53 / atualizado em 18/11/2014 12:40

Minervino Junior/CB/D.A Press

Em dezembro, o Programa de Avaliação Seriada (PAS) Da Universidade de Brasília completa a maioridade com uma garantia do atual reitor: não será engolido pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Pelo contrário, abre um novo sub programa Em 2014 e comemora a parceria com a educação básica. Após 18 anos da aplicação da primeira prova, o programa conseguiu quebrar o muro que verticalizava as relações.Hoje,em vez de as escolas correrem atrás do conteúdo das provas, as decisões sobre o que será abordado em aula e na avaliação são conjuntas.O correio ouviu três gerações do PAS para saber o que pensam sobre o certame. Embora as visões sejam diferentes, eles relatam que a experiência os ajudou a amadurecer.

Era 1995. O ex-diretor do Cespe, Lauro Morhy, assumia a reitoria. A vontade de instituir uma avaliação seriada, que não testasse o estudante somente em um vestibular, era discutida há 10 anos, e o documento para implantá- la começa a tomar forma. “É uma oportunidade de avaliar melhor o aluno”, defendia Morhy.

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press

No fim daquele mesmo ano, foi publicado o edital para o sub programa 1996-1998, o primeiro da história da seleção. Rafael Souza Maurmo, hoje com 33 anos, concluía a 8ª série do ensino fundamental. Aluno exemplar, as notas na escola sempre eram excepcionais. Mas ele não conhecia o novo modelo de avaliação aplicado a partir de 1996 e não teve um resultado similar. Na última série do ensino médio, a ficha caiu. Estava longe da pontuação que o levaria para medicina. Nessa hora, recebeu um dos conselhos mais valiosos:“ Meu avô, engenheiro muito bem-sucedido, olhou para mim e disse: ‘Não adianta fazer muitos exercícios. Você precisa fazer todos os exercícios’”, conta Rafael. Estudou mais. Só que ficou em 16º, quando só havia 15 vagas para medicina. “Fiquei decepcionado”, lembra. Dias depois, a surpresa: passou em segunda chamada.

“Foi muito bom. O PAS me fez amadurecer mais cedo. Se não fosse pela avaliação seriada, não teria despertado para essa necessidade de me empenhar ainda no ensino médio”, diz. Rafael se formou em 2004, fez dois anos de cirurgia geral e se especializou em urologia. Hoje, é médico legista da Polícia Civil e atua em dois hospitais como urologista.

Esforço
Dez anos após Rafael Maurmo iniciar os estudos para o PAS,Gustavo Araújo, 24, acabava de concluir a prova do segundo ano do sub programa de 2005-2007. Aluno do Colégio Militar de Brasília, a rotina de estudos era levada a sério e com rigor. “Diferentemente da maioria dos estudantes, comecei a investir no PAS desde o primeiro ano. Acho que esta é uma das maiores vantagens do programa: ele ajuda a melhorar o ensino médio. Assim, não terá uma formação deficiente”, acredita.

O empenho levou Gustavo Araújo à aprovação no curso de direito, o segundo mais concorrido da época. Criou uma rotina tão rígida de estudos que não se sentiu incomodado em cursar direito na UnB e medicina na Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) ao mesmo tempo. Formou- se nas duas faculdades,mas decidiu ser médico. Hoje, com duas graduações, faz residência empediatria no HMIB.

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press

Os dois fazem parte dos 21.651 alunos que entraram na Universidade de Brasília pelo PAS, de 1999 até hoje. Entre eles, 7.811 concluíramo curso e outros 7.010 estão para se formar. De 2003 a 2013, cerca de 389 mil pessoas se inscreveram para a seleção, segundo dados do Cespe.

Enquanto Rafael e Gustavo viramo PAS se desenvolver, formaram- se e hoje são profissionais conceituados, Gabrielle Christina Alves e Bárbara Costa da Silva, ambas com 17, buscam uma vaga na UnB. Estudantes de escolas públicas, elas tentam a aprovação pelas cotas sociais. “Eu me inspirei na minha tia. Ela já tinha feito e deu várias dicas para que eu levasse a sério desde o começo. Agora, preciso de 13 pontos para entrar no curso de geografia. Espero conseguir”, afirma Bárbara.

A instituição das cotas para alunos da rede pública no PAS foium estímulo. “A gente acaba ficando para trás. Depois das cotas, pensei: existe um lugar para mim na UnB, e comecei a me esforçar. É difícil passar. A concorrência às vezes é maior do que pelo sistema tradicional”, constata Gabrielle.

A base adquirida no ensino Médio e o esforço adicional paulatino fazem dos aprovados no PAS Um modelo dentro da Universidade de Brasília. “As análises de desenvolvimento ao longo dos anos com base no Índice de Rendimento Acadêmico (IRA) mostramum desempenho melhor entre os que foram aprovados pelo PAS. É um dos motivos para continuarcomo programa. Os dados mostram que é bom para a UnB”, ressalta o decano de ensino de graduação, Mauro Rabelo.

Os alunos do PAS mantêm o menor índice de reprovação em disciplinas ao longo do curso: 10%. O número passa para 13% no sistema universal e 18% entre os cotistas.

IvanCamargo,
reitor da Universidade de Brasília (UnB)

Qual é a avaliação acerca do PAS nesses 18 anos?
Muito positiva. Fui decano de ensino de graduação e sempre acompanhei os dados do PAS. É impressionante: os alunos com melhores resultados, com as melhores menções nas disciplinas são os que passam no PAS. Quem passa no PAS é o aluno que tem regularidade, tem disciplina e mantém essas características valiosas dentro da universidade.

Existemrumores de que oPASpoderia acabar. Isso é verdade?
Existe uma pressão para que todas as universidades se adaptem ao Enem, ao Sisu. Mas estamos muito satisfeitos com essa forma de avaliação. Não tem nenhum colegiado da universidade que discuta o fim do PAS. Não vai acabar, não existe nem burburinho aqui dentro, é só lá fora.

O PAS é um nstrumento para melhorar o ensino médio?
A ideia do PAS desde o início era exatamente essa interação da universidade com o ensino médio. Até hoje temos essa parceria. Existe um fórum dos professores no qual se discute o que vai ser aplicado no PAScom o professor do ensino médio. É uma coisa absolutamente positiva. A ideia era que esse contato com a escola pública favorecesse o desenvolvimento dela, mas o poder de adaptação e desenvolvimento das escolas particulares é tão grande que eles ocupam esses espaços.

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