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Pesquisadora brasileira desenvolve projeto que facilita transplante

Vitória Müller Gerst representa o Brasil em uma feira de ciências, que está ocorrendo na China

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postado em 15/08/2016 17:57 / atualizado em 16/08/2016 11:52

 

Eduardo Liberato

 

A estudante Vitória Müller Gerst, 18 anos, de Novo Hamburgo (RS), está participando em Xangai, na China, da China Adolescent Science & Technology Innovation Contest (Castic), uma feira de ciências que termina na próxima sexta-feira (19). A jovem estudante apresentará estudo que busca diminuir a taxa de rejeição dos órgãos transplantados por meio de um processo chamado descelularização. A estudante do curso técnico de química da Fundação Escola Técnica Liberato Selzano Vieira da Cunha, de Nova Hamburgo/RS, foi vencedora do Prêmio Killing de Tecnologia na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec), realizada no ano passado. O prêmio viabiliza a participação de um projeto nesse evento.

A pesquisa da jovem cientista brasileira desenvolveu um novo composto para ser utilizado na descelularização de tecidos e órgãos. Esse processo é baseado na remoção completa dos constituintes celulares do órgão doado, com posterior repovoação por células embrionárias do receptor, reduzindo as chances de rejeição pós-transplante. O transplante tem por objetivo garantir a manutenção de determinada função vital. No entanto, a falta de doações gera uma enorme fila, a qual é agravada pelos critérios de compatibilidade entre doador e receptor. Como alternativa ao cenário, surge o processo de descelularização (para implantação de células do receptor), área em que o projeto foi desenvolvido.

Como, atualmente, não existe uma solução que concilie a descelularização completa e a manutenção da estrutura do órgão, é que surge a importância do projeto: uma nova alternativa que visa, diretamente, a conciliação desses fatores essenciais para o sucesso da descelularização e, consequentemente, a diminuição considerável das taxas de rejeição em transplantes.

A idéia de fazer o estudo sobre transplante surgiu no curso técnico, com a colega Gabriela Bronca Lopes. Elas decidiram iniciar uma pesquisa que tivesse relação entre a química e a saúde e se depararam com o tema da descelularização, que basicamente é a limpeza de órgãos com detergentes próprios para isso. Vitória conta que lia sobre esse processo de descelularização e percebia que a maioria dos artigos científicos citava sempre os mesmos detergentes, como triton, x-100, dodecil sulfato de sódio (SDS) e CHAPS, que são detergentes muito fortes e que acabam agredindo a estrutura desses órgãos. Eles conseguem limpar e retirar as células, no entanto, machucam o órgão e acabam estragando as outras novas celulas.

 

“O objetivo foi criar um novo detergente para essa lavagem, para esse processo de descelularização que conseguisse ser tão bom na remoção dessas celulas quanto os que são utilizados hoje em dia, mas que tivesse um caráter menos agressivo, o que seria uma nova alternativa para melhorar esse processo e assim facilitar com que ele seja utilizado em órgãos tão importantes, como o coração, pulmão e o figado”, explica.

A estudante garante que a vantagem desse processo é que ele tem a possibilidade de diminuir as chances de rejeição pós transplante. Segundo ela, esse processo é utilizado em válvulas cardíacas e em outros tecidos pequenos que são fáceis de lavar com detergentes para romper essas celulas. Ela destaca que o grande desafio dos pesquisadores é realizar a descelularização de órgãos inteiros, como o coração.

Vitória comenta sobre como é representar o Brasil lá fora: “Fico muito feliz de poder representar o nosso país em um evento cientifico. O nosso país é mais lembrado pelo futebol e pelo samba. Será importante mostrar que temos laboratórios, tecnologia e, apesar de o país está enfrentado muitas dificuldades, a gente consegue realizar pesquisa na área da saúde. É bom representar o Brasil, a minha escola e todas as pessoas que apoiaram a pesquisa”. A orientação do projeto é da professora Schana Andreia da Silva.

Ela conta que escolheu o curso técnico por influência da mãe, ex-aluna do ensino técnico e também pelas oportunidades que terá no mercado de trabalho. Vitória também revela que não esperava ser escolhida para participar deste evento na China, pois o prêmio é concorrido. A estudante tinha ido ao exterior no ano passado para participar da Intel Isef, evento realizado nos EUA e , em julho, esteve em Israel, contemplada com bolsa de iniciação cientifica do instituto Weizmann. Os planos de Vitória para o futuro são terminar o estágio e conseguir um emprego de técnica em química, além de ingressar em uma faculdade.

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