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Correio Braziliense

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Avaliação

Teste de capacidade

Especialistas consideram baixo o nível de exigência do exame obrigatório para o registro na profissão de contador. Mesmo assim, apenas 47% dos bacharéis foram aprovados na última edição, em março

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postado em 17/09/2012 10:11 / atualizado em 17/09/2012 10:14

Marcelo Ferreira
Obrigatório para obter inscrição nos quadros do  Conselho Federal de Contabilidade (CFC), o Exame de Suficiência da profissão ocorre no próximo domingo (23) em todo o território nacional. De acordo com especialistas, a preparação para a prova não é complicada, pois o grau de dificuldade exigido é baixo. Alguns acreditam que a avaliação deveria ser mais rigorosa para que apenas os profissionais realmente qualificados tenham o aval da entidade para trabalhar na área.


Aplicada a técnicos e a graduados em contabilidade, a prova conta com 50 questões específicas. Para ser aprovado e fazer o registro no respectivo Conselho Regional de Contabilidade (CRC), é preciso acertar 50% delas, índice considerado baixo pelo professor do departamento de contabilidade da Universidade de Brasília (UnB) Cláudio Moreira Santana. “Além de exigir uma quantidade pequena de acertos, as questões do exame são fáceis e não aferem por completo se o profissional tem os conhecimentos adequados para exercer a profissão”, afirma. Ele considera a avaliação necessária, devido à proliferação de cursos de contabilidade no país, mas acredita que o conselho precisa dificultá-la para medir com mais precisão a qualidade da formação desses profissionais.

A coordenadora do curso na UnB, Rosane Pio da Silva, vê no exame uma oportunidade de selecionar os melhores para atuarem no mercado de trabalho, mas concorda que o nível de proficiência exigido não é alto. “Realmente, é um exame fácil, com apenas uma fase, e que exige conhecimentos básicos do contador. Quem levou a sério a graduação consegue um bom resultado”, afirma Rosane. Ainda de acordo com a coordenadora, não foi feita nenhuma alteração no currículo do curso para facilitar a aprovação dos candidatos.

Mesmo sendo considerado fácil pelos professores, a primeira edição do exame em 2012 registrou apenas cerca de 47% de aprovados entre bacharéis e 35% entre técnicos. Ao todo, inscreveram-se 30.719 candidatos. Tanto para Cláudio quanto para Rosane, o motivo da baixa aprovação é o aumento do número de cursos de contabilidade de baixa qualidade no país.

Segundo a vice-presidente de Desenvolvimento Profissional e Institucional do CFC, Maria Clara Bugarim, o nível da prova é adequado e não há intenção de modificá-lo. “É uma avaliação de nível médio, para quem está iniciando na carreira. Com ela, não pretendemos restringir o acesso dos futuros contadores, mas, sim, livrar o mercado do mal profissional”, diz. Maria Clara explica, ainda, que há outro tipo de avaliação para o contador que já tem o registro e vai atuar em empresas de capital aberto: o exame de qualificação técnica. Ele cobra conteúdos mais complexos, porque avalia competências em uma área que exige mais conhecimento dos profissionais.

Maria Clara afirma que, por meio dessa prova, foi possível alcançar resultados imediatos na formação de profissionais. Percebeu-se, por exemplo, a ampliação dos estudos sobre ética e normas brasileiras de contabilidade. O objetivo do conselho com a avaliação é que os serviços oferecidos pela categoria melhorem e que sejam preservados a confiança e o respeito da sociedade por esses profissionais.

Primeiro lugar
Nas duas primeiras edições do exame, em 2010, o Distrito Federal liderou os índices de aprovação no país. De acordo com o presidente do Conselho Regional de Contabilidade do DF (CRC/DF), a expectativa é de que a unidade federativa volte a ocupar a primeira posição, pois houve um acordo entre o conselho e professores dos cursos de contabilidade para que eles lecionem as disciplinas seguindo as exigência do exame. Desde a última edição, em março deste ano, 108 profissionais conseguiram registro na entidade local.

Tiago Andrade, 22 anos, está se preparando para se unir a esse grupo de profissionais. Ele recebeu o diploma do curso de ciências contábeis em julho deste ano. O candidato atua em uma empresa de auditoria contábil e espera que a experiência adquirida no dia a dia possa facilitar na hora de obter o registro. “Esse é o primeiro exame que faço e acredito que não terei dificuldades. Tenho estudado mais para as matérias de custos e análises de balanço, que são mais complexas e com as quais tenho pouco contato no meu trabalho”, conta.

O jovem refez provas de edições anteriores e não encontrou muitos problemas na hora de resolver as questões. “Dediquei-me durante a graduação e acho que, por isso, terei um bom resultado”, acredita. Com a certificação do conselho, ele espera confirmar os conhecimentos que aprendeu no curso e conseguir promoções na carreira.

Os professores confirmam que não há mesmo segredos para conseguir resultado satisfatório na prova, uma vez que o conteúdo cobrado não é extenso e é familiar aos recém-formados. Para quem concluiu o curso há mais tempo, a dica é fazer como Tiago e consultar provas aplicadas anteriormente para elaborar um estudo dirigido por meio delas.

Saiba mais
Pouca adesão


O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) são as únicas entidades de classe a realizarem seleções para registro profissional no Brasil. Porém, o Conselho Federal de Medicina (CFM) também poderá adotar exames com a intenção de avaliar os futuros médicos. Ainda não há consenso sobre qual formato será adotado, mas o conselho estuda a possibilidade de aplicar o exame de progresso, que seria realizado em momentos específicos durante a graduação, e não só ao fim do curso. Em São Paulo, o Conselho Regional de Medicina (CRM) tornou obrigatórias as provas de suficiência a fim de selecionar os médicos.

Exame de Suficiência em Contabilidade
Autores: Cleonimo dos Santos, Taíse F. Araújo Meirelles
Editora: IOB
2ª Edição
R$ 139
Para auxiliar os interessados em fazer a prova, foi lançado o livro Exame de Suficiência em Contabilidade. A maioria dos capítulos aborda a estrutura estabelecida pelo edital do exame. Ao fim de cada um, são apresentadas questões de exames anteriores e os respectivos gabaritos. Há também respostas comentadas sobre as questões mais relevantes e que costumam suscitar dúvidas.

 

 

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