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Educação

ProUni oferta cursos reprovados pelo MEC

Apesar de o ministro orientar estudantes a não ingressarememfaculdades de baixa qualidade, pesquisa do Correio mostra que programado governo federal oferece bolsasem40%das graduaçõesmal avaliadas

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postado em 21/01/2013 11:47 / atualizado em 21/01/2013 17:45

Vitrine do governo federal no acesso de estudantes carentes ao ensino superior, o Programa Universidade paraTodos (ProUni), cujas inscrições Terminam amanhã, está oferecendo vagas em cursos reprovados pelo Ministério da Educação (MEC). Levantamento do Correio Mostra que 40Ús 2.566 graduações com notas insatisfatórias nas últimas avaliações da pasta integrama relação de cursos disponíveis aos alunos. Eles recebem bolsas integrais ou parciais.Em contra partida, as instituições, todas privadas, são beneficiadas por isenções fiscais.

No total, são 1.044 graduações com menções baixas—1 ou 2 no Conceito Preliminar do Curso mais recente—na lista do ProUni. Algumas chegam a oferecer mais de 100 vagas. O número de cursos nessa situação representa 8,5% do total ofertado na edição atual do programa (12.159). “Se você olha proporcionalmente, pode não parecer muito.Mas estamos falando de quase metade dos cursos que foram reprovados pelo próprio MEC e, agora, estão sendo oferecidos no ProUni. É uma grande contradição”, afirma Wilson Mesquita de Almeida,doutor em sociologia pelaUniversidade de São Paulo (USP) e autor de pesquisa sobre os resultados do Programa de concessão de bolsas.

De acordo com Almeida, a parte mais frágil de todooproblemaé o aluno beneficiado pelo ProUni. “São pessoas de escola pública, de baixa renda,em desvantagem cultural, que vão cursar graduações ruins em instituições de baixa qualidade. O que vão conseguir com esse diploma?”, questiona. Atrás dessa resposta, o pesquisador estudou a trajetória de 50 bolsistas da cidade de São Paulo em seu trabalho de doutorado.Os resultados mostraram que o ProUni pode até ajudar na democratização do acesso ao ensino superior, mas nem de longe consegue provocar a ascensão social apregoada pela publicidade governamental.

“Se não fosse a bolsa, dificilmente os beneficiários fariamum curso superiornavida.Eisso é importante simbolicamente. Entretanto, a formação não mudaa realidade deles, em termos de renda, de empregabilidade, com algumas exceções.Muito dessa falta de resultados práticos está ligado à qualidade sofrível dos cursos”, afirma Almeida.

A preocupação com um bom ensino superior é recorrente no discurso do ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Recentemente, ao anunciar as medidas punitivas para as instituições e cursos que nos últimos três anos não evoluíram, o ministro disse que os estudantes não devem ingressar em faculdades de baixa qualidade. “Ele vai pagar por um
curso que não tem o mínimo de condições de oferecer a profissionalização. Esse é o pior caminho, porque ele estará jogando dinheiro fora.Nossa obrigação é impedir que isso aconteça”, afirmou.

Em nota, o ministério explica que na lei que estabelece o ProUni o curso considerado insuficiente será desvinculado apenas se apresentar nota ruim por duas avaliações consecutivas no Sistema Nacional deAvaliação da Educação Superior (Sinaes).

O assessor especial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e doutor em educação Célio da Cunha segue a linha de pensamento do ministério. Ele acredita que os cursos continuam a constar na listagem para não trazer prejuízo ao aluno. Para ele, a avaliação serve como sinal de alerta. “Se a situação se repetir nas demais avaliações, é necessário que se tome uma medida radical. A prioridade do ProUni é o aluno, tem aquele que fez um esforço tremendo para conseguir uma vaga e, por uma condição mais institucional, fica sem a chance de conseguir”.


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