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Tragédia em Santa Maria

Repúblicas estudantis em estado de alerta

Cidades do interior de Minas Gerais com forte presença de universitários brasilienses, Viçosa, Lavras e Ouro Preto intensificam fiscalizações em moradias e casas noturnas destinadas a atender o público mais jovem. O carnaval também terá restrições

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postado em 03/02/2013 12:38 / atualizado em 03/02/2013 14:07

Guilherme Paranaiba , Felipe Canêdo

Bloco de carnaval em Ouro Preto: como medida de segurança, prefeitura decidiu restringir cada grupo a no máximo 400 pessoas (Neno Vianna/Divulgação) 
Bloco de carnaval em Ouro Preto: como medida de segurança, prefeitura decidiu restringir cada grupo a no máximo 400 pessoas

Viçosa (MG), Ouro Preto (MG) e Lavras (MG) — “Não consigo pensar em nenhum lugar fechado em Viçosa que dê para a gente sair com tranquilidade.” As palavras da jovem Marina Hassen, de 20 anos, aluna do curso de engenharia elétrica da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, resumem bem o sentimento de boa parte da população estudantil do município depois da tragédia ocorrida há uma semana em Santa Maria (RS). Cidades do interior mineiro que costumam atrair muitos estudantes brasilienses, Viçosa, Lavras e Ouro Preto apresentam cenário semelhante ao da cidade gaúcha: boates e casas noturnas têm estruturas acanhadas para o público que recebem e acabam sacrificando itens vitais de segurança.


Marina mora em um apartamento com outras alunas da UFV e todas garantiram que a semana foi de comparações entre Viçosa e Santa Maria. Integrante da república estudantil, Marcela Nunes, 18 anos, está no segundo período de direito e afirma ter ouvido de colegas que já ocorreu o manuseio de fogos de artifício em casas noturnas da cidade. “Agora, não tem como não pensar nesse assunto”, afirma. Em ambos os espaços, a frequência de alunos da UFV é grande, inclusive com festas universitárias.


No campus da UFV, em cada mesa que se forma na porta do Diretório Central dos Estudantes (DCE),o aluno do oitavo período de história, Rodrigo Paulinelli, 25 anos, antevê o resultado em caso de problemas nas casas noturnas de Viçosa. “Temos dois lugares fechados aqui que, se pegarem fogo, morre todo mundo. Além disso, se acontecer algo, o pelotão de bombeiros mais próximo está a 60 quilômetros”, constata. Bárbara Mesquita, 19 anos, que cursa ciências contábeis, também diz que a mãe ficou preocupada com a vida da filha em Viçosa. “Ela me pediu para tentar imaginar qual seria a reação dela, caso um lugar aqui pegasse fogo e ela ficasse sem saber se eu estaria ou não lá dentro. A regra agora é prestar atenção nos lugares que frequento”, diz a estudante.


Durante a passagem da reportagem por Viçosa, a prefeitura da cidade convocou várias reuniões para definir o que fazer com as casas noturnas do município — pelo menos 12 locais funcionam regularmalmente. Na quinta-feira, o Departamento de Fiscalização, acompanhado pelo Corpo de Bombeiros, visitou os dois ambientes fechados de onde as reclamações mais chegavam e ambos foram interditados por período indeterminado.

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