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Tragédia de Santa Maria

A dura tarefa de voltar à rotina

Professores e estudantes da Universidade de Santa Maria retomam amanhã as aulas em clima de luto e consternação. Ao todo, 114 alunos da instituição morreram no incêndio da boate Kiss, 64 somente do Centro de Ciências Rurais

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postado em 03/02/2013 13:36 / atualizado em 03/02/2013 14:07

João Valadares

Arco com panos pretos na entrada da Universidade de Santa Maria: ato ecumênico em memória das vítimas para retomar aulas (Carlos Vieira/CB/D.A Press) 
Arco com panos pretos na entrada da Universidade de Santa Maria: ato ecumênico em memória das vítimas para retomar aulas

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a maior ferida da tragédia, tenta voltar aos trilhos amanhã. Não é fácil. É a pior segunda-feira do ano. Desde o incêndio da boate Kiss, a faculdade, que perdeu 114 alunos — quase metade das vítimas — estava de portas fechadas. Na entrada principal, um grande arco foi completamente coberto por panos pretos. Alunos plantaram flores. Até hoje, apenas a parte administrativa estava funcionando. Às 9h, a reabertura da UFSM aos alunos será marcada por um grande ato ecumênico no espaço anexo à reitoria. Familiares dos estudantes, amigos e professores vão homenagear os universitários mortos no incêndio da casa noturna. Algumas turmas praticamente desapareceram. Só no Centro de Ciências Rurais, 64 alunos morreram. O curso de Agronomia perdeu 29 estudantes.


Diretores, professores e coordenadores de curso não sabem ainda como vão conseguir retornar. Muitos estão contando com a ajuda de psicólogos. A coordenadora do curso de Zootecnia, Rosamélia Berleze, falou da dificuldade do reencontro com a sala de aula vazia. “Precisamos nos proteger e nos fortalecer. Não sei como vou receber as turmas. Muitos professores não sabem. Ainda não sei como vou conduzir. Tenho recebido muitos professores dizendo que não vão conseguir. Eu liguei para alguns alunos e eles não conseguem nem falar. Só choram. Voltar para a sala é o mais complicado. Deus precisa nos ajudar”, disse. A UFSM ainda monitora alguns pacientes que estão feridos nos hospitais.


Em números gerais, até sexta-feira, dia do último boletim, 119 pacientes permaneciam sob cuidado médico, internados em unidades de saúde do Rio Grande do Sul. Deste total, 59 respiram com ajuda de aparelhos. São os considerados graves e estão nas Unidades de Terapia Intensiva de hospitais de Santa Maria, Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul e Ijuí. Até o momento, mais de 570 atendimentos foram realizados desde o dia da tragédia.


Os médicos especialistas informaram que o tratamento daquelas que estão com o quadro mais delicado deve ser bastante prolongado, justamente porque apresentam queimaduras ou inalaram grande quantidade de fumaça ocasionada pela combustão da espuma altamente tóxica utilizada no projeto de isolamento acústico da casa noturna.


Os queimados mais graves foram tratados a partir de doações de bancos de pele de vários estados brasileiros. Alguns países, a exemplo de Peru, Uruguai e a Argentina, também encaminharam material para o Brasil. O Ministério da Saúde comunicou que alguns feridos precisarão de acompanhamento prolongado e serão inscritos em uma espécie de cadastro permanente para assistência médica e psicológica. Os feridos no incêndio da boate República Cromañon, na Argentina, ainda precisam de ajuda, oito anos depois da tragédia. Até hoje, cerca de 1,3 mil pessoas recebem do governo um subsídio mensal de R$ 240, aproximadamente.

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