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UnB inaugura estação de monitoramento em parceria com a Rússia

Nova tecnologia russa de posicionamento global vai ampliar pesquisas da UnB em engenharia aeroespacial

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postado em 19/02/2013 18:22

Será inaugurada nesta terça-feira, 19 de fevereiro, na Universidade de Brasília, a primeira estação fora da Rússia do sistema de monitoramento e correção diferenciada, que integra o Global Navigation Satellite System (Glonass). Semelhante ao Global Positioning System (GPS), a rede de informações localiza posições na superfície terrestre usando 24 satélites espalhados pela órbita do planeta.

Nesta terça-feira, às 11h, será feita uma apresentação do projeto para autoridades convidadas e para a imprensa, no Centro de Informática da Universidade. Ocorrerá ainda uma visita ao local onde está instalada a nova tecnologia. Estarão presentes o vice-chefe da Agência Espacial Federal da Rússia (Roscosmos) Sergey Saveliev, o diretor geral da JSC (Sistemas Espaciais da Rússia) Andrey Chimiris, o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) José Raimundo Coelho e a vice-reitora da Universidade de Brasília, no exercício da Reitoria, Sônia Báo.

Para Sônia Báo, a instalação da base na UnB vai beneficiar pesquisas na área aeroespacial, desenvolvidas nos laboratórios de Automação e Robótica (LARA) e de Biomédica (LAB) da UnB. “É um campo importante de estudos que se amplia para a instituição e sabemos que outros projetos virão a seguir”, explicou.

Ícaro dos Santos, coordenador do LAB, disse que a escolha da Universidade para ampliar o projeto se deve ao reconhecimento da expertise dos laboratórios instalados na Instituição. “Além disso, para eles é importante ter uma estação localizada num país como o Brasil, com o clima que nós possuímos, posicionado no hemisfério contrário à Rússia e próximo à Linha do Equador”, relatou.

Especialistas ouvidos pela UnB Agência explicaram que a ampliação do sistema – iniciada com a inauguração na UnB – permitirá que o Glonass se torne mais eficiente que a tecnologia norte-americana do GPS. “Quando o projeto estiver concluído, em 2020, a precisão dos cálculos de posicionamento no planeta será melhorada em até 10 vezes. Teremos acesso aos dados brutos fornecidos pela estação. Assim, serão beneficiadas todas as nossas pesquisas sobre navegação de robôs, foguetes e veículos aéreos não tripulados, por exemplo,”, disse o professor.

A base russa na UnB é parte de uma parceria entre a Agência Espacial Russa (Roscosmos), a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a UnB. O acordo de cooperação foi firmado em fevereiro de 2012, depois da aproximação feita por José Montserrat Filho, físico e chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da AEB.

Estação
Três especialistas russos vieram a Brasília no início deste mês para instalar a estação no telhado do novo prédio do Centro de Processamento de Dados (CPD). O equipamento trazido da Rússia conta com uma antena e dois racks com processadores, um para receber o sinal e outro para transmitir informações para sede do projeto, na Rússia.

O desenvolvimento do sistema começou na União Soviética em 1976 com os primeiros satélites lançados em 1982. A constelação do Glonass é composta hoje por 24 satélites e está espalhada equidistantemente em três níveis orbitais com oito satélites em cada. Até 2020, a Roscosmos espera ter 56 estações semelhantes a esta montadas na UnB. Outras 22 estações iguais às da UnB já funcionam em território russo, três delas na Antártida.

Ivan Revnivykh, líder de engenharia da JSC Russian Space Systems, garante que o projeto facilitará qualquer engenharia de precisão como atracamento de navios e a construção de estradas e prédios, todos voltados para fins civis. “Até o momento, temos excelente cobertura nos pólos norte e sul. As novas estações fora da Rússia precisam ser em regiões relativamente próximas à Linha do Equador, como aqui em Brasília”, explica.

Satélites
A UnB deve instalar também outro sistema, este de monitoramento de satélites, numa parceria acertada nesta segunda-feira, 18 de fevereiro, com representantes da Agência Espacial Federal da Rússia (Roscosmos) e da empresa Open Joint-Stock Company, do país asiático.

Estiveram na Universidade com a vice-reitora, em exercício da Reitoria, Sônia Báo, o vice-representante no Brasil da Roscosmos Gennady Saenko, o diretor geral da empresa, Jury A. Roy, o vice-diretor Yuriy Milovanov e a chefe de departamento Irina Orlovskaya. O coordenador do LAB, professor Ícaro dos Santos, também participou da reunião.

O projeto vai permitir a instalação de um sistema ótico a laser para localização de veículos espaciais (satélites). Um grupo de 60 países já estão no projeto, que deve agora contar com a participação do Brasil. “Para nós, é estratégica a inclusão do país, dada às condições de observação do céu aqui oferecidas”, esclareceu o diretor-geral da empresa russa Jury A. Roy.

“A estação emite um raio laser que é refletido pelo satélite e nos permite localizar com precisão o equipamento, bem como saber se o funcionamento do veículo espacial está de acordo o previsto”, disse o professor Ícaro dos Santos. “O importante a destacar é que este é mais um projeto que coloca a UnB na vanguarda da pesquisa em tecnologia de ponta”, concluiu Sônia Báo

UnB Agência

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