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UnB recebe calouros com aula magna de Joaquim Barbosa

Ministro do STF foi homenageado com o título de estudante emérito da instituição, e comentou sobre a presença de Marco Feliciano na presidência da CDH da Câmara

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postado em 05/04/2013 10:27 / atualizado em 05/04/2013 16:14

Gustavo Aguiar

Marcelo Ferreira/CBPress
A cerimônia de boas-vindas aos calouros da Universidade de Brasília (UnB) começou no Centro Comunitário Athos Bulcão, às 9h. Cerca de 4 mil alunos presentes foram recepcionados ao som da bateria dos estudantes de engenharia do câmpus do Gama. Um dos convidados mais aguardados era o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa.

O reitor da UnB, Ivan Camargo, saudou os alunos e lembrou de quando foi estudante da universidade. Ele recomendou que os calouros aproveitem ao máximo a vida acadêmica. Camargo disse ainda da importância do envolvimento dos estudantes com a instituição, e destacou os projetos de extensão e oportunidades de bolsas de estudo que a UnB pode oferecer.

Em referência ao recente caso de homofobia na instituição, em que uma aluna foi agredida no estacionamento do ICC Sul, no câmpus Darcy Ribeiro, Ivan Camargo afirmou que a universidade não tolera o preconceito, e, pelas palavras, foi ovacionado pela plateia. "Esse ambiente não admite violência. Não tem lugar para homofobia ou qualquer outro tipo de preconceito."

O coordenador do Diretório Central dos Estudantes, Nicolas Powidayko, pediu para que os estudantes se engajem com mais entusiasmo na vida da universidade. "Frequentem outros departamentos, façam monitorias, busquem projetos de pesquisa e extenção, aproveitem as festas, porque esse período é inesquecível", ressaltou o jovem.

Os decanos da universidade aproveitaram o momento para explicar como funciona a universidade. Falaram sobre intercâmbios, bolsas e cursos. A Decana de Extensão,Thérèse Hofmann, recomendou que os alunos busquem conhecer as atividades que a instituição desenvolve paralelamente às de ensino. "A UnB é um espaço de troca tanto de uns cursos com os outros, quanto de troca com a sociedade. Esperamos que o nosso aluno se engaje nessa ideia", pontuou.

Marcelo Ferreira/CBPress
Aula ilustre
A grande expectativa da festa era a chegada do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, convidado para falar sobre a importância da educação na formação dos jovens. O ministro chegou às 10h e foi saudado de pé pela plateia. Após cumprimentar o reitor e a vice-reitora Sônia Nair Báo, Barbosa se dirigiu aos alunos, e os cumprimentou, bem humorado.

Ex-aluno da universidade, o ministro ressaltou a importância que a UnB teve para ele durante toda a carreira. "Sou fruto desse meio e a ele sou imensamente grato. Graças à UnB e as experiências que vivi aqui durante sete anos e meio, pude chegar a entender melhor os desafios do meu país e o meu lugar diante deles", afirmou.

Como conselho aos novos estudantes, Barbosa pediu: "Leiam mais, leiam tudo. Leiam a nossa constituição." Durante a cerimônia, o chefe do Poder Judiciário foi homenageado com o título de estudante emérito da UnB, oferecido pelo DCE. Uma placa de metal foi entregue ao ministro.

Para Luis Felipe Menezes, 17 anos, calouro de biotecnologia, assistir à palestra do ministro do STF é a melhor forma de ser recebido na UnB. Para ele, Barbosa é uma inspiração. "Assim como eu, ele é negro, e lutou contra muitos preconceitos para chegar aonde chegou. A determinação que ele tem até hoje me incentiva a traçar o mesmo caminho", confessa.

Mesmo sendo aluna do Centro Universitário de Brasília (UniCeub), a estudante do 5º semestre de direito Roberta Freitas, 22 anos, marcou presença no evento. Emocionada, ela diz ser fã de Joaquim Barbosa, e não perder a nenhuma palestra que ele dá. "Hoje ele falou sobre assuntos que mexeram muito comigo. Eu concordo com ele em tudo", conta.

Saia justa
A estudante Gabriella Santos, 20 anos, aluna de ciências sociais da UnB, aproveitou o encontro com o ministro para questioná-lo sobre o que ele pensava a respeito da presença do pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP) na presidencia da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. 

"Eu sabia que vinha algum chumbo grosso por aí", riu-se o ministro. "Pelos anos de liberdade que vivi, devo dizer que o deputado Feliciano assumir um determinado cargo dentro do Congresso Nacional, e isso é legítimo e previsto. Mesmo assim, a sociedade tem todo o direito de se expressar contra isso, caso ela julgue importante. Isso é democracia", argumentou.

Para Gabriella, a resposta de Barbosa não satifez. "Eu esperava que ele pudesse ser mais incisivo sobre a questão. As declarações do deputado sobre os negros devem atingir diretamente o ministro, mas ele preferiu se isentar de escolher um lado."

 

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