Pesquisa ajuda jovens que saem do ensino médio a escolherem a carreira

Ipea mapeou salários e nível de ocupação e elaborou um sistema que permite projetar o crescimento em cada profissão

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postado em 04/07/2013 14:23 / atualizado em 04/07/2013 14:56

Mariana Niederauer

Quem sai do ensino médio encara a tarefa de ter que escolher uma profissão. Para ajudar nesse processo, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou estudo com as perspectivas profissionais nos níveis técnico e superior. A partir dos dados, o jovem pode saber quais são as vantagens de cada área e que retorno pode esperar ao longo dos anos.

O curso de medicina foi considerado o mais vantajoso entre as carreiras universitárias, por oferecer o melhor salário — R$ 8.459,45 mensais em média — e ter a maior taxa de ocupação entre as 48 carreiras pesquisadas, de 97%. O segundo lugar do ranking ficou com a carreira de odontologia, seguida pela de serviços de transportes — que inclui profissionais da aviação e de ciênciar aeronáutica, por exemplo —, e

O levantamento levou em consideração os microdados do Censo de 2010, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para elaborar o ranking, o Ipea levou em consideração quatro fatores. A média salarial mensal alta, além de maiores taxas de ocupação e de cobertura previdenciária foram considerados fatores positivos, ao passo que as carreiras que apresentaram maiores jornadas semanais perderam posições.

A partir desse cruzamento de dados, o instituto elaborou o sistema Você na universidade — Carreiras e mercado de trabalho, em que o estudante pode simular o salário médio e a taxa de ocupação para cada fase da carreira escolhida. Os filtros disponíveis para pesquisa são: sexo, idade, curso de graduação, região (urbana ou rural) e unidade da federação.

Confira como é a evolução salarial e da taxa de ocupação na carreira que você escolheu

Na apresentação da pesquisa, o presidente do Ipea, Marcelo Neri, destacou que os modelos apresentados permitem ao jovem vestibulando que vai optar por uma carreira no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) “vislumbrar, entre suas vocações profissionais, o desempenho médio de pessoas com características similares às suas no mercado de trabalho.”

Divulgação
Carreira promissora
Não é à toa que a medicina entrou no ranking como a carreira mais vantajosa. Tornar-se médico exige muita dedicação e atualização constante. O oftalmologista Takashi Hida, 35 anos, formou-se no curso de medicina há 10 anos, mas foi apenas quatro anos atrás que ele entrou efetivamente para o mercado de trabalho. Após três anos de residência, com uma bolsa de R$ 1,2 mil, ele ainda precisou fazer uma prova de títulos, na qual 70% a 80% dos médicos reprovam. Takashi explica que quem não faz uma residência adequada — que também é muito concorrida no país, com poucas vagas em todas as áreas de atuação — não consegue passar.

E o caminho não para por aí. A cada cinco anos é preciso revalidar a titulação, participando continuamente de congressos e outros eventos na área de atuação escolhida. “É preciso estar sempre estudando, ler livros praticamente toda semana. A tecnologia melhora e nós temos que acompanhar”, relata Takashi, que tem doutorado e é chefe do Departamento de Catarata do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB)

Acesso o estudo completo do Ipea

Escolha consciente
Para o especialista em coaching e gestão de pessoas Moisés Sznifer a lista de carreiras mais vantajosas hoje tem relação com o cenário econômico do país. Economias emergentes, como as do Brasil, China e Índia, têm como característica a aumento da renda, que culmina na demanda por serviços pessoais, aqueles prestados diretamente a pessoas ou empresas por profissionais autônomos. Entre nessa área profissionais como enfermeiros, terapeutas e dentistas.

Ele lembra que as carreiras universitárias mais vantajosas são valorizadas pelo por apresentarem o maior nível de inovação. “Nesses campos de conhecimento é onde a inovação está avançando mais rapidamente. Você tem mais gente trabalhando não só para produzir, mas para inventar”, afirma Sznifer, que é professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP).

Escolher a carreira mais vantojosa de acordo o próprio perfil, no entanto, não é o suficiente. Dentro de cada uma das carreiras existem possibilidades diversas o jovem precisa saber em qual delas se sairá melhor. Para isso, Moisés Sznifer sugere que ele o profissional conheça qual a sua forma de pensamento, se é convergente ou divergente.

Pessoas com pensamento divergente são mais inovadoras e criativas e sabem encontrar solução para os problemas. É um tipo de pensamento indutivo, capaz de desenvolver ideias únicas e originais. Alguns termos que definem esse profissional são intuitivo, visual, diferente, ambíguo, espontâneo, criativo, emocional e empresarial.

Do outro lado, estão as pessoas que têm pensamento convergente. Elas não são menos importantes dentro de suas respectivas carreiras, uma vez que completam o pensamento divergente por trazerem fatos e dados de várias fontes pata aplicar a eles a logica, conhecimento e razão com o objetivo de diagnosticar uma situação ou tomar uma decisão informada. Termos que descrevem esse tipo de pensamento são lógico, racional, metódico, analítico sistemático, estruturado, ordenado e concreto.

Confira as 10 carreiras universitárias mais vantajosas


Empregos e salários
A pesquisa do Ipea também mapeou os ganhos salariais e a taxa de geração de empregos em ocupações de nível técnico e de nível superior no período de 2009 a 2012. Entre as de nível técnico, a área da ciência da saúde humana – técnicos e auxiliares de enfermagem, técnicos em próteses ou em imobilizações ortopédicas, técnicos em odontologia, técnicos em óptica e em optometria e tecnólogos e técnicos em terapias complementares e estéticas – foi a que mais expandiu as oportunidades de emprego.

Os técnicos em operação de câmara fotográfica, de cinema e de televisão tiveram aumento real de 51,1% nos salários, o maior entre as ocupações de nível técnico, seguidos pelos técnicos de inspeção, fiscalização e coordenação administrativa (41,6%) e os técnicos em laboratório (29,3%).

Nas formações de nível superior, a profissão de analista de tecnologia da informação foi a que registrou a maior expansão, responsável por 16,3% dos postos de trabalho. A segunda ocupação de nível superior que mais teve postos de trabalho criados foi a de enfermeiros e afins. De acordo com o Ipea, 9 a cada 100 contratações foi desse tipo de profissional.

Entre as ocupações com maiores ganhos salariais predominam aquelas típicas do setor público, além de médicos, algumas especializações de engenharia e arquitetura, pesquisadores em engenharia e em ciências da agricultura e algumas especializações de professores do ensino superior.
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