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2014 A COPA é AQUI »

Mundial domina debate do DCE

As quatro chapas que disputarão o comando do Diretório Central dos Estudantes, na Universidade de Brasília, divergem sobre a competição internacional no último encontro antes do pleito, previsto para hoje e amanhã

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postado em 14/05/2014 10:10 / atualizado em 14/05/2014 10:05

Manoela Alcântara

Movimento de campanha na UnB: cartazes e faixas lembram os dias previstos para os alunos irem às urnas (Antonio Cunha/CB/D.A Press) 
Movimento de campanha na UnB: cartazes e faixas lembram os dias previstos para os alunos irem às urnas
Movimento de campanha na UnB: cartazes e faixas lembram os dias previstos para os alunos irem às urnas (Antonio Cunha/CB/D.A Press) 
Movimento de campanha na UnB: cartazes e faixas lembram os dias previstos para os alunos irem às urnas

O último debate antes da eleição para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade de Brasília (UnB) manteve uma discussão acalorada sobre a Copa do Mundo. Ontem, as quatro chapas que disputam o comando da entidade demonstraram opiniões diferentes sobre como deve ser tratado o tema no ambiente acadêmico. Há quem defenda o cancelamento do Mundial; os que acreditam na importância de protestar; e quem não entenda isso como uma demanda dos alunos. O pleito acontece hoje e amanhã, das 8h às 22h30. O resultado deve ser divulgado na sexta-feira (leia Atenção).

A roda de discussões teve início ao meio-dia. Os representantes dos cinco grupos concorrentes falaram sobre transporte, segurança nos câmpus, iluminação, autonomia, democratização do DCE, entre outros temas. No entanto, a discussão sobre a #nãovaitercopa se tornou o centro do debate. Depois que estudantes tomaram as ruas durante a Copa das Confederações, em junho do ano passado, vários movimentos começaram a se organizar para se manifestarem durante o Mundial de 2014.

Abertamente contra o evento esportivo, a integrante da Chapa UnB aberta pra quebrada Juliana Teixeira, 22 anos, enfatiza que a UnB não é uma “bolha” e precisa estar atenta ao que acontece na sociedade. “Gostaríamos que os bilhões (de reais) investidos tivessem ido para a saúde, a educação. Vamos fazer manifestações populares, mobilizar-nos. A produção de conhecimento dentro de uma universidade vai além das barreiras da sala de aula”, ressalta a estudante do 3º semestre de física.

Lucas Resende, 23 anos, da Manifesta, não é contra a Copa, mas também tem planos de mobilização para pedir mais investimentos nos serviços públicos. “Não defendemos o #nãovaitercopa, mas o #vaiterluta”, disse. Questionar as questões relacionadas à Copa também está nos planos da Inversão. “Participo do Comitê Popular da Copa, e precisamos conscientizar a população sobre o que está por trás do evento”, analisa Gabriel Rolemberg, 20, do 6º semestre de ciência política.

O Bloco na rua pretende promover discussões sobre o assunto. A Aliança pela liberdade também é aberta ao diálogo, mas pretende se ater aos assuntos acadêmicos. “Temos o UnB Discute, um espaço para esse tipo de debate, a cada 15 dias. No entanto, as propostas para a melhoria da vida dos estudantes dentro da UnB são o nosso foco”, defendeu Gabriela Sarkis, 21 anos, estudante do 7º semestre de ciência política.

Mobilização
A expectativa da Comissão Eleitoral é de que 10 mil dos 42 mil estudantes de graduação e de pós-graduação da instituição de ensino superior depositem os votos nas urnas. No ano passado, 8 mil eleitores registraram participação no certame. A escolha da diretoria do DCE é majoritária e sem chance de segundo turno. As chapas Aliança pela liberdade, Bloco na rua e Manifesta concorrem ao DCE e à Representação Discente (RD). A UnB aberta pra quebrada será votada para o comando da entidade (veja Por dentro da disputa).

Um quinto grupo, o Inversão, disputa vagas somente nos órgãos deliberativos da UnB. Os votos dão direito aos eleitos de fazerem parte do Conselho Universitário (Consuni), do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) e do Conselho de Administração (CAD). Na cédula de votação, haverá campos específicos para DCE e RDs. Elas devem ser depositadas em 22 urnas, sob a supervisão de quase 200 mesários e suplentes. Todos os fiscais são alunos da UnB, a maioria da assistência estudantil. Eles recebem R$ 40 por turno trabalhado.

Ontem, além de participarem do debate, representantes das chapas abordaram os estudantes com panfletos e discursos afiados. Hoje e amanhã, eles podem continuar a disseminar as ideias entre os eleitores. Mas estão proibidos o uso de som e a boca de urna nas delimitações das cabines, localizadas nos quatro câmpus da instituição: Planaltina, Gama, Ceilândia e Darcy Ribeiro (Asa Norte).

Atenção

Quem pode votar: os cerca de 42 mil estudantes de graduação e de pós-graduação da Universidade de Brasília (UnB)

Expectativa de eleitores: na última eleição, 8 mil votaram. A comissão eleitoral espera para este ano 10 mil

Documento necessário: carteirinha estudantil e/ou documento com foto

Datas: hoje e amanhã

Resultado: provavelmente, na manhã de sexta-feira

Método: escolha majoritária. Quem tiver mais votos vencerá, sem segundo turno

Horário: das 8h às 22h30. As urnas serão abertas às 8h30 nos dois dias

Locais de votação: ocorrerá nos quatro câmpus da UnB: Ceilândia, Planaltina, Gama e Darcy Ribeiro (Asa Norte). Veja a lista completa no site www.correiobraziliense.com.br/euestudante

Por dentro da disputa


 (Antonio Cunha/CB/D.A Press) 

Chapa 1 — Aliança pela liberdade

Integrantes: 281

Ideologia política: apartidária

Propostas: a pauta de reivindicações e as mudanças devem partir dos estudantes. Pretende melhorar a iluminação e, na última gestão, entregou um projeto para senadores e deputados de reforma e ampliação da biblioteca. Pede melhorias na linha 110 (UnB — Rodoviária do Plano Piloto) e no transporte público para o câmpus. Concorre ao terceiro mandato do DCE

O que pensa da Copa: pretende manter o debate sobre assuntos relevantes para a sociedade com a iniciativa intitulada UnB discute. Ou seja, as propostas devem estar relacionadas apenas a assuntos internos


 (Antonio Cunha/CB/D.A Press) 

Chapa 2 — Bloco na rua

Integrantes: 99

Ideologia política: esquerda

Propostas: democratizar a tomada de decisões na UnB. Acredita que a atual gestão restringe os debates à internet e, dessa forma, propõe fazer seminários para não esvaziar a representação. Quer ouvir os problemas de cada câmpus para tomar providências, ampliar os programas de assistência estudantil, entre outros

O que pensa da Copa: não faz parte do movimento contra a competição. Baseia-se em estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV) para comprovar os benefícios do evento, como os empregos diretos e indiretos. Entende que o assunto deve ser debatido dentro da comunidade


 (Antonio Cunha/CB/D.A Press) 

Chapa 3 — UnB aberta pra quebrada

Integrantes: 23

Ideologia política: declara-se um movimento estudantil independente

Propostas: luta pelo acesso livre à universidade. Defende que estudantes de escolas públicas devem entrar direto na UnB, sem vestibular. Pretende aumentar a segurança, mas sem a presença da Polícia Militar no câmpus. A proposta é ter servidores como os que fazem a segurança patrimonial para garantir a pessoal. Pedirá mais iluminação e espaços de convivência, entre outros.

O que pensa sobre a Copa: é contra. A indignação veio nas manifestações de rua, realizadas em junho do ano passado. Vai trabalhar com a mobilização popular e continuar nos comitês formados para os protestos


 (Antonio Cunha/CB/D.A Press) 

Chapa 4 — Manifesta

Integrantes: 332

Ideologia política: esquerda

Propostas: democratizar o DCE e aumentar os canais de diálogo. Realizar assembleias e fóruns para saber as demandas da comunidade. Propõe um Restaurante Universitário igual para todos, sem diferença entre os que pagam R$ 2,50 e os que utilizam o self-service, de R$ 21,90 o quilo. Vai pleitear linhas de ônibus para regiões distantes, mais veículos para a linha 110, transporte do Câmpus Darcy Ribeiro à L2, entre outras.

O que pensa sobre a Copa: é a favor das manifestações. Considera o evento excludente. É a favor de mais investimentos nos serviços públicos. Não defende o movimento contra a Copa, mas é a favor das reivindicações


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