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Invasão ameaça salários e causa repúdio na UnB

Protesto contra a ocupação da Reitoria da UnB reúne cerca de 100 pessoas. Reitor chama estudantes de %u201Cfascistas%u201D. Por causa da falta de acesso ao edifício, salários de professores, terceirizados e bolsas podem atrasar

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postado em 10/06/2014 10:26 / atualizado em 10/06/2014 10:38

Luiz Calcagno

A ocupação da Reitoria da Universidade de Brasília (UnB) feita por alunos mascarados ameaça atrasar os salários de funcionários da instituição. Como os servidores doa Reitoria não podem acessar o lugar para trabalhar, há risco de que o pagamento de professores, de terceirizados e de bolsas de assistência a estudantes não saia na data correta, geralmente até o 10º dia útil de cada mês. Na tarde de ontem, a água e a luz da Reitoria foram cortadas. Hoje, às 12h, os estudantes realizam assembleia para decidir se vão permanecer no prédio. Também na segunda-feira, cerca de 100 pessoas — inclusive o reitor, Ivan Camargo, se reuniram para pedir a saída dos manifestantes.

As barricadas levantadas pelos estudantes nas rampas da Reitoria impediram o acesso ao terceiro piso do prédio. Os funcionários do edifício que se encarregam de processar o pagamento dos salários de professores e outros funcionários, como também das bolsas de assistência social e monitoria de muitos alunos, não puderam trabalhar.

“Se a situação não mudar, tanto docentes como estudantes poderão ter os pagamentos atrasados”, informou a decana de Assuntos Comunitários da UnB, Denise Bomtempo. Ivan Camargo confirma que os documentos precisam ser mandados ao Ministério do Planejamento até 13 de junho. Por meio de nota, a Associação de Docentes da UnB (ADUnB) registrou a preocupação com o fato. “Tendo em vista a falta de segurança no local, o DGP (Departamento de Gestão de Pessoas) está impedido de realizar suas atividades, dentre as quais rodar a folha de pagamento dos professores e técnicos administrativos. O não fechamento da folha, que deverá ser concluída até amanhã, pode inviabilizar o pagamento deste mês.”
Alunos que precisam realizar trâmites na Reitoria também foram prejudicados. Foi o caso da estudante de pós-graduação de biologia microbiana Giselle Soares, 32 anos. “Não tenho nada a ver com a ocupação, mas preciso solicitar meu diploma para poder me formar. E não tem ninguém para me atender”, conta.

Pela manhã, professores, servidores e alunos da UnB se reuniram no térreo da Reitoria para pedir paz e respeito à democracia no câmpus. Cerca de 100 pessoas participaram do protesto, motivadas pela recente ocupação que já dura cinco dias. Durante o ato, os manifestantes — a maioria mascarados — ficaram nos andares de cima do edifício e não intervieram.
A mobilização organizada pelos professores, via redes sociais, começou às 10h, com um café da manhã. O reitor da UnB, Ivan Camargo, esteve presente e deu total apoio à iniciativa. “Eu fico muito feliz em ver uma demonstração como essa, em prol da democracia e não da violência”, afirmou. Camargo também reiterou o repúdio ao movimento de ocupação. Mais tarde, o reitor voltou a se manifestar em coletiva de imprensa. Ele garantiu que responsabilizará os manifestantes pelos danos ao patrimônio público e voltou a chamar o grupo de estudantes de “fascistas”.

O diretor do Instituto de Artes, Ricardo Dourado Freite, ajudou a organizar o evento. Junto de alguns colegas, fez uma apresentação de choro para os participantes do evento. “Queremos demonstrar que a universidade é um espaço que deve ser permeado por arte, cultura e debate. Cada um deve procurar usar suas habilidades para demonstrar seu ponto de vista a partir do diálogo, sem violência”, diz.

Um dos estudantes investigados por conta do catracaço no Restaurante Universitário (RU) da UnB, ocorrido em julho do ano passado, também falou contra a ocupação da Reitoria. A anulação do procedimento contra oito indiciados é uma das principais reivindicações dos manifestantes. Por telefone, o aluno, que preferiu não se identificar, disse que a ocupação não partiu de uma decisão coletiva e ressaltou que ainda não existe um processo contra ele e os colegas. “Ainda podemos tentar extinguir as investigações no Conselho Administrativo (CAD). Não acreditamos que essa tenha sido a melhor forma. A Reitoria tenta usar a manifestação para não acabar com a investigação do RU.”

Cabo de guerra

O catracaço ocorreu contra a terceirização do RU. Segundo um documento elaborado pelo jurídico da UnB, se ficar provado que existem prova de dano ao erário, agressão aos funcionários e subtração ao patrimônio, os estudantes investigados poderão responder por processo administrativo, o que poderia resultar no jubilamento, a um processo civil, no qual teriam que pagar R$ 29.325, e a um criminal, no qual responderiam por organização criminosa.

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