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Reitor da USP pretende que metade dos alunos venha de escolas públicas

Dirigente elogiou o Enem, mas não adiantou se poderá ser usado como porta de entrada

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postado em 29/07/2014 09:54 / atualizado em 29/07/2014 10:04

Ana Paula Lisboa

Durante o 3º Encontro Internacional de Reitores Universia, Marco Antonio Zago, reitor da Universidade de São Paulo (USP), falou sobre a necessidade de expansão de melhoria do ensino universitário brasileiro e da educação básica. O dirigente também comentou a possibilidade de mudar a forma de ingresso à USP.

O reitor disse que, apesar do investimento, o governo ainda não expandiu o  que precisava. "Apenas no estado de São Paulo, que concentra 3% da população e 1/3 do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, 11% da renda do estado são investidos em ciência e educação. Mesmo assim, dos 460 mil jovens que terminam o ensino médio em São Paulo, apenas 20 mil ingressam no ensino superior público, em USP, Unesp (Universidade do Estado de São Paulo) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas)."

Os ingressantes e as cotas

Zago comentou que a atenção principal dos governantes deve estar nas educações primária e secundária. "Os dados mostram que não estamos bem nesse quesito. Para a universidade, a consequência é receber alunos mal preparados." Além disso, a maior parte dos novos alunos vêm da rede particular. "As pessoas de famílias mais abastadas, que costumam passar pelo ensino particular, têm mais chances de se tornarem mais competitivas. É uma herança que se carrega pelo resto da vida e que é observada na entrada da universidade", analisou.  

Segundo o dirigente, dos 460 mil jovens que terminam o ensino médio todo ano no estado, 80% vêm de escolas particulares. Entre os candidatos para ingresso na USP, poucos de escolas públicas tentam o vestibular. "37% dos candidatos ao vestibular são da rede pública, e entre os alunos aprovados, 32% são da rede do governo, o que mostra que uma grande parte entra. Os que desistiram perceberam que não teriam nenhuma chance", constatou.

Para diminuir essas diferenças, o reitor da USP espera que "até 2017, 50% dos alunos venham do ensino público." Zago não vê necessidade de aplicar cotas raciais, por acreditar que a inserção do aluno negro - maioritariamente de classes mais baixas -  seria solucionada com cotas sociais.

Marco Antonio Zago disse que o ingresso na Universidade de São Paulo está passando por mudanças. Ele avalia o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como uma "boa prova", mas não diz se esse poderá ser mais um método de seleção de alunos adotados pela USP.

Tecnologia em sala de aula
Com relação a presença de professores analógicos e alunos digitais nas instituições de ensino superior, Zago percebe que "todas as universidades estão atrasadas tecnologicamente falando." Ele acredita que dar treinamento aos docentes, valorizar a atividade docente inovadora e ter cursos menos rígidos podem ser alternativas.

* A jornalista viajou a convite da Universia
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