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Profissão: escritora e estudante

Escritora brasiliense acumula, aos 24 anos, duas obras de sucesso entre o público infantojuvenil

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postado em 08/09/2014 18:31 / atualizado em 09/09/2014 11:59

Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press
Conhecida no mundo dos blogueiros como Bells, Bárbara Morais é estudante do 5º semestre de economia da Universidade de Brasília (UnB), brasiliense, co-fundadora do blog Nem um pouco épico e autora de dois livros infantojuvenis de ficção científica — A ilha dos dissidentes e A ameaça invisível —, ambos da trilogia Anômalos. Com 24 anos, a jovem possui fãs de várias partes do Brasil, viciados em histórias que mostram um mundo fantástico e dividido em dois polos de poder.

Depois de lançar o segundo livro da série — A ameaça invisível —, em 23 de agosto, na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, Bárbara não parou. A jovem já começou a preparação para o último livro, com previsão para o segundo semestre de 2015.

Blogueira desde pequena
Apaixonada por internet e blogs, aos 10 anos, Bárbara criou o primeiro site como forma de contar tudo o que gostava de Sailor Moon — série de histórias em quadrinho japonesa —, criada nos anos 90, e que depois ganhou versão animada. “Eu sempre gostei de internet, mas os sites nunca escreviam do jeito que eu queria, do jeito que eu achava interessante. Por isso, eu criei a página”, diz.

Já o blog mais recente Nem um pouco épico e que Bárbara ainda mantém com mais 12 pessoas completa cinco anos, em dezembro deste ano. “A página foi criada por mim e pela minha irmã, mas depois de um tempo, a gente decidiu convidar outros autores jovens para participar e alguns leitores também quiseram fazer parte. No início, a gente conseguia ter uma postagem por dia, pelo menos. Porém, agora está mais complicado manter esse ritmo”.

Nem um pouco épico mostra, de forma jovem, críticas de filmes, livros, webseries — séries que são exibidas pela internet, animês — desenhos animados japoneses -, e dicas de leitura . “No blog, eu falo dos assuntos que eu mais gosto, da forma que eu gostaria que eles fossem mostrados”, completa.

Jovem escritora
O desejo e a vontade de criar novas aventuras foi o que sempre inspirou Bárbara. “Eu sempre gostei de inventar histórias. Quando eu era menor, por exemplo, eu criei uma narrativa que falava sobre uma greve de materiais escolares… Era um pouco bobinha, mas chegou a ser publicada em um livro da escola”, diz entre risos.

Para criar a história que deu origem a trilogia Anômalos, Bárbara disse que a ideia surgiu de forma inusitada, em 2011.“Eu estava em uma aula de introdução a ciência política na UnB e a partir das definições de Estado de alguns pensadores, eu pensei que seria possível brincar com isso, com esse jogo de poderes”.

“Eu fiquei imaginando como seria um mundo em que existisse um Estado que segregasse as pessoas, como ocorreu no Apartheid — política de segregação racial e de organização territorial — e no nazismo — ideologia pregada pelo Partido Nacional Socialista Alemão que adotou como símbolo a suástica, uma cruz. A partir disso, eu tirei a inspiração para a trilogia”, completa.

Primeiro livro
Oswaldo Reis/Esp. CB/D.A Press
Para escrever o primeiro livro da saga — A ilha dos dissidentes —, Bárbara diz que levou cinco meses para contar a história, mas que a parte mais difícil de tudo não foi a escrita. “Sempre que surge uma ideia, eu tenho que colocá-la no papel, senão eu não consigo pensar em outras coisas. É muito engraçado… Para mim, a pior parte foi a busca por uma editora, eu tinha uma agente literária e mesmo assim, eu levei um ano para achar a editora”.

A ilha dos dissidentes conta a história de Sybil, uma órfã de 16 anos, nascida em uma zona de conflito entre dois países: União e Império. E que, após sofrer um acidente, estranhamente, é a única sobrevivente de um naufrágio, o que gera espanto de todos ao redor. Por conta da desconfiança, Sybil realiza alguns testes e descobre que é capaz de respirar embaixo d´água.

A habilidade especial faz com que ela seja considerada anômala, ou seja, pessoa que possui super poderes e que não é considerada mais humana. A partir dessa descoberta, Sybil percebe que ser diferente é mais difícil do que viver em mundo marcado por constantes guerras.

Segundo livro
Em A ameaça invisível, a protagonista Sybil precisa, a qualquer custo, defender a própria liberdade, já que a opressão por parte dos humanos se torna maior.” No segundo livro, por exemplo, as coisas ficam bem mais difíceis para os anômalos — seres que possuem habilidades especiais —, porque eles são impedidos de sair das cidades especiais”, diz.

Bárbara conta que a escrita do segundo livro não foi fácil. “Para cada livro, você tem que achar o tom. Antes de começar a escrever, eu já tinha pensado em uma estrutura de texto, porém eu tive que mudar. Mas, no final, eu gostei do resultado”.

Bárbara ainda conta que ficou receosa com a reação que as pessoas teriam com o segundo livro. “Eu estava com medo dele não ser bem aceito porque tem menos ação explícita, ele é menos tenso. Mas no dia do lançamento, eu não vi ninguém reclamando, pelo contrário…”, completa.

Expectativa para o terceiro
Ao falar sobre o último livro da trilogia, Bárbara conta que já começou a escrevê-lo, mas que parou. “Eu estou ansiosa porque cada livro é um livro, mas eu estou mantendo isso em segredo. Estou evitando falar sobre o desenrolar da história”, diz.

Mas para o curiosos, Bárbara conta que a previsão de lançamento do terceiro e último livro da trilogia Anômalos, que ainda não tem um nome definido, é para o segundo semestre de 2015. “A minha única preocupação é a de finalizar a trilogia, sem ser muito corrido. O segundo livro teve pouco tempo para a revisão”, completa.

Incentivo do público
Bárbara diz que uma das coisas mais motivadoras é a resposta do público, que vem por meio das redes sociais e das aparições que a jovem faz em eventos como a Bienal Internacional do Livro e em lançamentos de outros livros.

“As pessoas são muito passionais, é muito legal ver que o meu livro significa algo para a vida delas. Eu já, inclusive, recebi resposta de uma mãe que estava com depressão e disse que o meu livro foi a primeira diversão que ela teve em muito tempo! É gratificante…”, conta.

E para o futuro?

Quando indagada sobre os planos para os próximos anos, Bárbara se diz indecisa, mas garante que não irá parar. “Eu realmente não sei o que eu vou fazer, mas já comecei a planejar. Eu já iniciei uma história mais adulta que mostra uma universidade, localizada no espaço, que é atormentada por vários assassinatos”.

Para o futuro, Bárbara quer se desafiar e, por isso, pensa em investir em livros infantis. “Eu já comecei a esquematizar algumas histórias mais voltadas para o público infantil, mas está muito no início. Além disso, eu penso em escrever histórias em quadrinhos porque eu amo fazer isso”, conta.

Depois de terminar a faculdade de economia, Bárbara diz que continuará levando a vida dupla de escritora e economista. “Eu pretendo permanecer nessa vida porque, infelizmente, é difícil se sustentar somente com a venda de livros, além de ser um mercado muito incerto”.
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