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Estudantes de Brasília protestam contra corte de verba para educação

Alunos de ensino superior se reúnem na manhã desta quinta-feira (26). Liberação de verba para o Fies e perdão das dívidas de estudantes inadimplentes são algumas das reivindicações

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postado em 26/03/2015 10:43 / atualizado em 27/03/2015 14:56

Antonio Cunha/CB/D.A Press
Nesta quinta-feira (26), estudantes se reúnem para protestar contra o corte de verba para as universidades federais, anunciado em janeiro pelo governo federal. Eles iniciaram o movimento às 9h, em frente ao Museu da República e, por volta das 10h30, seguiram para o Ministério da Educação (MEC). Às 11h30, uma comissão de cinco representantes do movimento entraram no ministério para se reunir com representantes da pasta.  O diretor de extensão da União Nacional dos Estudantes (UNE), Valnir Teotonio, 24, comemorou a abertura para diálogo. "Ser recebido pelo ministério num momento de instabilidade como o atual é uma grande conquista. Nos reunimos com uma comissão de secretários ligados ao ensino superior para apresentar nossas reinvidicações e levar as necessidades dos estudantes ao conhecimento do governo", diz.

De acordo com a Polícia Militar, cerca de 100 pessoas participaram do ato. Para os organizadores, o número de manifestantes chegou a 200.Os alunos também reinvindicaram o fim das restrições ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e perdão das dívidas de estudantes inadimplentes. A manisfestação é organizada pelo movimentos estudantis Juntos! e Mutirão, representando a UNE, pela Assembleia Nacional dos Estudantes (Anel) e pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes).

Ayla Viçosa, 20, aluna de ciências sociais da Universidade de Brasília (UnB) e uma das organizadoras do protesto, explica que o corte de verbas prejudicou o andamento das atividades da instituição. “A UnB teve redução de 30% no orçamento, o que prejudicou a oferta de disciplinas, as atividades de campo e a manutenção da universidade. No cenário nacional, outras universidades tiveram de adiar o início do ano letivo por falta de recursos, como a UFRJ fez duas vezes. A falta de investimento e prejudica a estrutura das instituições e gera dificuldades na contratação de professores, oferta de disciplinas, nas pesquisas e projetos de extensão”, diz. “Nossas pautas incluem o fim dos cortes, a valorização da assistência estudantil e a taxação dos ricos para garantir investir na educação e fazer o ajustes necessários no governo”.

O estudante de relações internacionais da Universidade Católica de Brasília (UCB) Erick Rocha, 19 anos, afirma houve aumento das mensalidades sem melhorias em projetos ou na oferta de bolsas de pesquisa e extensão. “A UCB demitiu ano passado 60 mestres e doutores, que deveriam garantir essa qualidade. Na pesquisa, dependemos do CNPq, pois a UCB investe muito pouco de recurso próprio. A extensão vem sofrendo cortes progressivos, ambas funcionam de uma maneira muito rasa. Protestamos para barrar e conseguimos revogar alguns alguns pontos do projeto, como o que previa que 30% das aulas fossem a distância, mas ele segue gradualmente por debaixo dos panos. A mudança é perceptível porque a qualidade do ensino está caindo visivelmente. A mensalidade aumentou 7% sem nenhuma contrapartida”, afirma.

Sobre as alterações nas regras do Fies – que passou a exigir nota mínima de 450 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e a restringir verbas a cursos que obtiveram notas 3 e 4 no CPC (avaliação do ensino superior) – os alunos defendem facilitação de pagamento para os estudantes. “A alteração do Fies é boa na parte de exigir a qualidade dos cursos, mas o corte no orçamento da educação prejudicou principalmente estudantes de iniciativa privada, de menor renda. Inclusive cursos com bom desempenho estão sofrendo dificuldades para obter financiamentos. O Fies tem a questão de facilitação do pagamento para o estudante, após ele se formar e conseguir uma vaga no mercado”, diz Erick.

O ato realizado hoje é nacional, como explica o aluno de história da UnB Breno Pinto, 17 anos. "A ideia do 26 de março (Movimento 26M) é construir um Dia Nacional de Luta em Defesa da Educação. Vários movimentos sociais estão unidos em torno dessas pautas em todo o país, com pelo menos 15 capitais. A pátria educadora está tirando R$ 7 bilhões da educação. Alunos do ensino público e da rede privada, de níveis médio e superior estão mobilizados e convidando os demais a participar. Nossos lemas são nem um centavo a menos na educação, contra a precarização de escolas e universidades públicas e pela liberação do Fies".

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