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Unesp apura denúncia de trote universitário que remete à Ku Klux Klan

Os alunos de medicina envolvidos refutaram, em comunicado, acusações de preconceito

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postado em 30/03/2015 17:26 / atualizado em 30/03/2015 18:11

Reprodução/Facebook/Rede de Proteção às vítimas de violências nas universidades
 

 

A Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) informou nesta segunda-feira (30/3), em nota, que vai investigar o trote dos estudantes de Medicina do último 5 de março, no campus de Botucatu. Os alunos do sexto ano estavam vestidos com trajes que lembram a seita racista norte-americana Ku Klux Klan, conhecida por defender a supremacia branca com atos violentos – as imagens ganharam repercussão negativa nas redes sociais.

Em comunicado no Facebook, a turma responsável por organizar o evento negou caráter preconceituoso e referência intencional à Ku Klux Klan: “Em nenhum momento houve qualquer prática preconceituosa, que estimulasse o racismo, homofobia, preconceito religioso ou corroborasse ideias de qualquer seita de caráter opressor”. Os estudantes afirmam ainda que as imagens divulgadas foram tiradas do contexto. Na declaração, eles ressaltam que o evento anual sempre tem uma fantasia temática e que a escolhida este ano foi a de “carrasco”.

Vestidos com robes e capuzes pretos, os veteranos carregavam tochas e fizeram os calouros ajoelharem para serem “batizados”. As fotos do trote foram divulgadas nesse domingo (29/3) em página do Facebook dedicada a proteger vítimas e testemunhas de violência nas universidades. As imagens também estavam disponíveis na página da 48ª Turma da Faculdade de Medicina, mas foram tiradas do ar após a repercussão do caso.

CPI
A Unesp foi uma das instituições investigadas pela CPI das Universidades, responsável por apurar casos de abuso sexual e violência no ensino superior do estado de São Paulo. Alunos do campus de Botucatu denunciaram casos de estupro e até uma ocasião em que foram obrigados a cavar buracos, enterrados e forçados a consumir bebidas alcoólicas.

 

Em relatório final aprovado em 10 de março, a CPI propôs dois projetos de lei: a proibição do patrocínio de eventos estudantis por fabricantes de bebidas alcoólicas e a criação de um cadastro de antecedentes universitários, documento no qual seriam registrados o comportamento dos alunos e as punições recebidas. O relatório também registra 39 recomendações às instituições de ensino e às autoridades, como a abertura de inquérito de todas as denúncias recebidas.

O texto final da comissão recomenda que o Ministério Público analise potenciais irregularidades e omissões manifestadas por reitorias da Unesp, Universidade de São Paulo (USP) e Universidade de Campinas (Unicamp). Ainda sugere que a Unesp sancione os alunos de medicina responsáveis por compor hinos que violam os direitos humanos.

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