SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

Professor desenvolve método que melhora desempenho dos alunos em Cálculo 1

Técnica desenvolvida por professor da UnB no Gama promove a colaboração entre os estudantes e ajuda a melhorar os resultados em uma das disciplinas mais temidas dos calouros da área de exatas. Índice de aprovação subiu para 95% no último semestre

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 10/12/2015 07:25 / atualizado em 10/12/2015 14:01

Mariana Niederauer

Minervino Junior/CB/D.A Press - 7/12/15


O nervosismo natural que quase todo calouro sente ao começar o primeiro semestre de aulas no ensino superior é agravado no caso dos estudantes dos cursos de exatas da Universidade de Brasília (UnB). O motivo é a temida disciplina de Cálculo 1, obrigatória para os alunos dessas graduações. Com o objetivo de amenizar essa apreensão e mostrar aos discentes que eles não estão sozinhos nessa caminhada difícil em busca da aprovação, o professor da disciplina na Faculdade do Gama (FGA) desenvolveu três projetos que contribuíram para que o índice de reprovação caísse de 50% para 5% no último semestre.


O intuito é motivar os alunos em sala de aula e isso é feito por meio de uma inversão de papéis: os estudantes é que vão ao quadro resolver questões de maneira colaborativa, formam grupos para ensinar determinados conteúdos aos colegas, elaboram e corrigem questões. “Essa ideia da colaboração faz muita diferença, principalmente para os alunos que não são tão articulados, que têm dificuldade de comunicação ou mesmo aqueles que são de fora ou não conseguem fazer amizades”, detalha o professor Ricardo Ramos Fragelli, idealizador das iniciativas.


Ao longo da carreira acadêmica, Fragelli desenvolveu diversos projetos que o ajudam nesse trabalho de motivar os estudantes (veja o quadro). O mais recente é o método dos 300, em que os estudantes que se saem bem na primeira avaliação do semestre ajudam os que tiveram notas mais baixas e também ganham pontos por esse auxílio. “Não é simplesmente um ponto extra, eu estou tentando avaliar um aluno indiretamente. Se a pessoa que ele ajudou melhorou, ele deve ter alguma participação nessa melhora”, explica o professor.


A disciplina de Cálculo 1 carrega toda uma história que aterroriza os calouros que precisam cursá-la. Geralmente, metade da turma não passa. O conteúdo ministrado é bem avançado em comparação com o que os estudantes estavam acostumados a ver no ensino médio. “Nós dividimos uma área em infinitos retângulos de tamanho infinitamente pequeno, e isso tem que ser feito em um minuto”, exemplifica Fragelli. “São turmas muito grandes, mas esse não é o problema principal. Eu já dei aula para turmas de 20, 40 alunos, e a média de reprovação é essa”, completa.


“Na primeira prova eu tirei 4,5, o que para mim foi um choque. Você sai de uma realidade de ensino médio onde você era o melhor da sala e chega aqui e se sente um nada”, resume a aluna Débora Dantas, 19 anos. Na avaliação seguinte, a nota dela subiu para 9,25. “Você vê que é capaz”, comemora.

Inspiração

Fragelli se inspirou em um filme de Natal para desenvolver o método. Em Operação presente (2011), o Papai Noel se esquece de entregar o presente a uma criança e, mesmo que ela represente apenas uma porcentagem muito pequena da população mundial de crianças, a equipe do Bom Velhinho decide que é preciso fazer de tudo para não a deixar sem a lembrança. “Será que estávamos fazendo o máximo por cada um daqueles estudantes?”, questionou-se o professor. Foi a partir daí que ele começou a desenvolver o projeto na Faculdade do Gama e, também inspirado em um filme, nomeou-o 300, em alusão à forma como os espartanos lutam em grupo na película de mesmo nome que estrela Gerard Butler no papel do Rei Leônidas. No mês passado, a metodologia dos 300 recebeu o Prêmio Santander Guia do Estudante — Destaques do Ano de 2015, na categoria Apoio ao Estudante.


“Percebemos que, nas outras disciplinas, os alunos aprenderam essa questão de solidariedade e eles mesmos formam os próprios grupos nos próximos semestres”, avalia Fragelli. “Muitos descobrem que não sabiam estudar, então aprendem a estudar com os outros e com as metas individuais e coletivas determinadas pelo professor”, destaca. O estudante Calebe Rios, 18 anos, que cursou a disciplina este semestre, confirma a avaliação do docente. “Acho que isso reforça muito o que é a FGA: ela é cooperação, é cada engenharia cooperando com a outra, e o 300 nos mostra isso desde o primeiro semestre”, afirma. Ele tirou 3,5 na primeira prova e, depois do período de estudos com os colegas, aumentou a nota na segunda prova para 8,7.


A aluna Beatriz Pontes, 20 anos, foi a vencedora da competição Rei da Derivada e foi eleita a Rainha da Derivada deste ano. “Ajudou a fixar bem melhor o conteúdo de derivada. Eu já fui para lá sabendo boa parte, mas acho que aprendi um pouco mais. Acredito que muita gente tenha aprendido derivada por causa do evento”, conta. Os dois já estão aprovados e, amanhã, os colegas que eles ajudaram terão uma última chance de alcançar esse mesmo objetivo, na prova substitutiva. Na próxima semana, todos saberão se ganharam o presente de Natal tão esperado neste semestre.

 

 

A matéria completa está disponível aqui, para assinantes. Para assinar, clique aqui

publicidade

publicidade