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UnB cai mais de 100 posições em ranking mundial das melhores universidades

Segundo instituição, resultado na pesquisa da QS se deve a erro no envio das informações e pede a revisão da classificação. No Brasil, a USP aparece com o melhor resultado. Mundialmente, o primeiro colocado é o Massachusetts Institute of Technology (MIT)

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postado em 06/09/2016 16:36 / atualizado em 12/09/2016 21:21

Ana Paula Lisboa

Na 13ª edição do QS World University Rankings - lista da companhia britânica Quacquarelli Symonds (QS) que avaliou mais de 3,8 mil instituições de ensino superior mundialmente e elencou 916 -, a maior queda de desempenho entre as 11 universidades brasileiras que aparecem entre as 700 melhores do mundo foi a da Universidade de Brasília (UnB). Este ano, a instituição se classifica entre as posições 601-650 e, em 2015, figurava entre a faixa 491-500. Em nota, a UnB alegou que a queda se deve a “falha interna no fluxo de dados repassados” e que “não se pode afirmar que a UnB regrediu, de fato, nos indicadores avaliados”.

A universidade contatou a empresa para solicitar a retificação das informações. Em outros rankings, a instituição brasiliense apontou evolução em índices institucionais. No World University Rankings 2015/2016, a Universidade subiu 60 posições e ficou na faixa de 491-500. No QS University Rankings Latin America 2016, a instituição subiu para o nono lugar e, no QS University Ranking: Brics 2016, galgou duas posições e ficou em 51º.

 

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

 

O reitor da Universidade de Brasília, Ivan Camargo, admite o erro e não está esperançoso quanto às chances de a colocação de a UnB ser revista. “Tomamos um cuidado danado ao passar as informações para a pesquisa e, dessa vez, tivemos um problema interno. Foi um erro de competência: a solicitação foi passada para um determinado grupo, mas quem deveria responder era outro”, conta. “Alguma chance de mudança depende muito dos responsáveis pelo ranking. Se a empresa achar que é possível reavaliar será bom para a gente, mas acho pouco provável porque os resultados foram divulgados mundialmente. Se não conseguirem corrigir agora, isso será consertado na próxima edição”, continuou.

Apesar do problema, Ivan Camargo ressaltou os avanços da universidade. “Nossas avaliações internas não são compatíveis com o resultado do ranking. A produção acadêmica e o número de formandos têm aumentado. Um ponto fora da curva como esse não atrapalha a evolução da UnB”, percebe. “É um dado muito ruim, mas não podemos perder a linha, isso não vai nos desanimar, e continuaremos a focar num trabalho de excelência.” Com relação à proporção entre o número de alunos e professores, um dos quesitos avaliados pela QS e no qual várias universidades brasileiras tiveram piora, o reitor da UnB observa que o número na instituição fica na ordem de 15 para um, muito próximo ao de outras universidades públicas brasileiras. “Se houve um aumento, é porque a instituição está em expansão.”

Ivan Camargo mencionou ainda desempenhos satisfatórios que a universidade apresentou em outros rankings. “Crescemos em todas as avaliações dos últimos anos. Em 2016, ficamos em 9º na América Latina em lista da QS. Em 2015, finalmente recebemos nota 5 na avaliação do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira)”, comenta. O Eu, Estudante pediu entrevistas a QS, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. 

 

Atualização:

Por e-mail, em inglês, Simona Bizzozero, chefe de Relações Públicas da QS, afirmou que, quando contatada pela reportagem, o escritório da instituição havia fechado, por isso, não foi possível checar com colegas da Unidade de Inteligência se houve algum tipo de contato com a UnB. “Como eu não sei os detalhes deste caso, eu não posso comentar. Eu serei capaz de fazê-lo apenas na parte da manhã“, disse.

 

Outros resultados
O topo do ranking mundial ficou, pela quinta vez consecutiva, com o Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos. Do Brasil, 22 entidades apareceram na pesquisa; o que nos torna o país da América Latina com melhor desempenho no ranking, à frente, por exemplo, de Argentina (16) e México (14). Além disso, 11 brasileiras estão entre as 700 melhores do mundo.

A Universidade de São Paulo (USP) foi a entidade brasileira e da América Latina com melhor classificação, figurando como a 120ª melhor universidade do mundo. Trata-se do melhor desempenho da USP na avaliação, que subiu 23 posições entre 2015 e 2016.

 

Jorge Maruta/Jornal da USP
 

 

“Esse resultado mostra que o reconhecimento e o prestígio da USP fora do país estão aumentando gradativamente. Apesar de oscilações anuais, a posição da USP é consolidada como uma das melhores universidades não só da América Latina, mas também da Ibero-América – fato que já era conhecido, mas que se popularizou com o surgimento dos rankings”, disse o reitor da USP, Marco Antonio Zago, em nota.

Também apresentaram melhoras a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que está em 191º lugar e, no ano passado, estava na 195ª posição. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) subiu duas colocações e figura no 321º lugar.

A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) ficaram nas mesmas colocações do ano passado, na faixa 501-550. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) permaneceu estável no intervalo 551-600; e a Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) se manteve na faixa 651-700.

Assim como a UnB, apresentaram queda de desempenho a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), que passou da faixa entre 481-490 para 501-550; a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que saiu do intervalo 451-460 para a faixa 461-470; e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que passou de 491-500 para 501-550.

Baixas
O desempenho brasileiro apresentou defasagens: 18 das 22 universidades do Brasil listadas pela QS perderam posições; oito das quais baixaram mais de 50 colocações. Quatro saíram do Top 800 e três deixaram o Top 500.

Segundo a Quacquarelli Symonds, os motivos são as quedas nas proporções entre estudantes e professores (uma das métricas usadas como parâmetro para a qualidade do ensino) em 16 das 22 universidades brasileiras e a performance insuficiente em pesquisa, já que as 22 instituições nacionais listadas tiveram diminuição no número de citações por corpo docente. A companhia de levantamentos educacionais sugere que o país adote medidas para reverter o quadro.

 

“Embora o crescimento da USP seja louvável, nossa métrica sobre docentes por estudantes sugere que o sistema como um todo tem falhado em oferecer acesso suficientemente igualitário à educação superior. A performance das instituições mais importantes do país continua a melhorar, mas, se a nação pretende emergir da pior recessão em décadas, toda a estrutura do ensino superior brasileiro precisa equipar todos os alunos com a educação necessária para melhorar tanto a produção quanto o resultado de pesquisas”, afirmou em nota Ben Sowter, Chefe da Divisão de Pesquisa da QS.

Escopo da pesquisa
O estudo da QS é resultado das respostas de cerca de 75 mil acadêmicos e 38 mil empregadores. Foram analisados 10,3 milhões de documentos indexados pela database bibliométrica Scopus/Elsevier, e 66,3 milhões de citações foram contabilizadas, número que diminuiu para 50,4 milhões, uma vez excluídas as autocitações.

Os critérios avaliados na pesquisa são: reputação acadêmica, reputação entre empregadores, proporção de professor para estudante, citações científicas, número de estudantes estrangeiros e corpo docente internacional.

As 10 melhores do mundo
1 - Massachusetts Institute of Technology (MIT), Estados Unidos
2 - Universidade Stanford, Estados Unidos
3 - Universidade Harvard, Estados Unidos
4 - Universidade de Cambridge, Reino Unido
5 - California Institute of Technology (Caltech), Estados Unidos
6 - Universidade de Oxford, Reino Unido
7 - University College London, Reino Unido
8 - ETH Zurique / Swiss Federal Institute of Technology, Suíça
9 - Imperial College London, Reino Unido
10 - Universidade de Chicago, Estados Unidos

As brasileiras entre as 700 melhores

2016

2015

Nome

120         

          143

 UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP)

191

          195

 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP)

321

            323

 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

461-470

     451-460

 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

501-550

     501-550

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO - PUC - RIO

501-550

     481-490

 UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA "JÚLIO DE MESQUITA FILHO"

501-550

     501-550

 PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO (PUC-SP)

501-550

     491-500

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO (UNIFESP)

551-600

     551-600

 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

601-650

     491-500

 UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

651-700

      651-700

 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS

 

Confira todos os resultados pelo site.

 

Confira entrevista com Simona Bizzozero, chefe de Relações Públicas da QS:


Houve alguma mudança no método de avaliação do ranking?
A metodologia é a mesma (confira no site). Ao longo do tempo, introduzimos refinamentos menores incrementais, que são detalhados aqui.
 
Algum dos resultados surpreendeu você?
Como em todos os anos desde que o ranking foi publicado pela primeira vez, em 2004, o Reino Unido é, de longe, o desafiante mais próximo para os EUA. Cambridge, Oxford, UCL e Imperial College London estão todos no top 10 e existem 18 universidades do Reino Unido no top 100. Mas 14 dessas universidades caíram este ano - muitas por não mais do que um ou dois lugares, mas a tendência de queda é inegável. Ben Sowter, que é responsável pela classificação como chefe de Pesquisa da QS, especulou que a incerteza sobre o financiamento de pesquisa e o impacto das regras de imigração mais duras na capacidade de contratar e reter os melhores talentos jovens de todo o mundo parecem prejudicar a reputação das universidades do Reino Unido. Quase três quartos das top-400 universidades do Reino Unido sofreu uma queda tanto em reputação acadêmica quanto reputação perante empregadores, enquanto mais da metade viu números de estudantes internacionais diminuir. A pesquisa das universidades está “protegida” em termos de dinheiro por mais de uma década, mas a inflação tem comido seus orçamentos em termos reais.

Há países que não se destacaram antes no ranking e agora tiveram bons resultados?
A Rússia representa uma história de sucesso este ano. Embora o país ainda não tenha representação no top 100, 19 das 20 melhores universidades russas melhoraram suas posições, quatro delas em mais de 100 lugares. É a Ásia que tem mais para celebrar com o novo ranking, no entanto. Cingapura novamente tem duas universidades entre os 13 primeiros lugares, agora com apenas uma fração de um ponto separando-as. Hong Kong tem três universidades no top 50, e seis das sete universidades do país tiveram aumento no desempenho este ano. Até mesmo o Japão, cujas universidades escorregaram no ranking nos últimos anos, teve uma recuperação. Catorze das 20 melhores universidades japonesas melhoraram de posição. Regiões que foram mal representadas nos primeiros anos do ranking fazem progressos agora. No Oriente Médio, por exemplo, a Arábia Saudita tem agora sete universidades classificadas no ranking, cinco das quais subiram na lista este ano. Na América do Sul, o Brasil tem 22 instituições classificadas, embora apenas as três primeiras tenham subido no ranking este ano, enquanto a Argentina tem 16.

A predominância de boas universidades continua concentrada na Europa e nos Estados Unidos? Esse cenário está mudando?
Qualquer outro país tem um longo caminho a percorrer para desafiar os EUA. Eles ocupam quatro dos cinco primeiros lugares e 11 do top 20. Há mais de 150 universidades norte-americanas no ranking como um todo. A contínua liderança do MIT reflete o alto desempenho da instituição, que está entre as seis primeiras colocadas em reputação acadêmica e perante empregadores e no top 12 em citações e proporção entre o número de alunos e empregados. Harvard ainda é a melhor universidade do mundo na opinião de acadêmicos e empregadores, mas passou para o terceiro lugar no ranking, atrás de Stanford.

Como você avalia o desempenho das universidades brasileiras no ranking?
O desempenho das instituições mais importantes do Brasil continua a melhorar e a ascensão da USP é certamente um resultado a ser comemorado. No entanto, a proporção entre o número de professores e alunos sugere que o sistema como um todo tem falhado em fornecer acesso suficientemente equitativo à educação de alta qualidade a todos. Se a nação tem emergido com sucesso da pior recessão em décadas, toda a estrutura de ensino superior do Brasil precisa equipar todos os seus graduados com a educação necessária para melhorar tanto a produtividade quando os resultados de pesquisas. O ranking deste ano sugere que as disparidades estão crescendo, e o Brasil está em risco de ver um número de suas universidades - e, portanto, de alunos - deixado para trás.

No seu ponto de vista, o Brasil tem melhorado o nível da educação superior nacional?
O Brasil é a nona maior economia pelo PIB (Produto Interno Bruto) nominal. Como um dos países do Brics, foi projetado para continuar a ser uma das economias que crescem mais rapidamente no mundo. No entanto, a recessão em 2015 fez o Brasil sair de 7º para 9º lugar no ranking das economias mundiais, com uma taxa de crescimento negativa de 3,8%. O FMI (Fundo Monetário Internacional) não espera crescimento positivo até 2018, e espera-se que a taxa de desemprego cresça mais de 3% - para 10,4%. Para conseguir um crescimento positivo, o Brasil precisa aumentar o produto interno bruto e o índice de desenvolvimento humano (IDH), ao diminuir as taxas de desemprego. Para atingir esses objetivos, o país deve democratizar o acesso ao ensino superior. Várias mudanças estruturais foram realizadas a fim de fornecer financiamento para vagas em instituições privadas e mais oportunidades em universidades públicas. Expandir esse acesso é uma prioridade fundamental.

Quais são as principais razões que levam uma universidade a subir no ranking?
O impacto da pesquisa é fundamental, uma vez que se reflete nos indicadores de "citações por faculdade" (20% da pontuação total), que se correlaciona positivamente com o indicador de reputação acadêmica (40% da pontuação total). Garantir uma boa proporção entre o número de docentes e alunos (20% da pontuação) melhora a experiência de aprendizagem e isso se reflete no ranking. Focar na empregabilidade dos graduados certamente ajuda (10% da pontuação total), pois ajuda a universidade a ser capaz de atrair tanto corpo docente internacional quando estudantes internacionais (5% cada). A classificação em um ranking é um exercício dinâmico, e o desempenho é inevitavelmente influenciado pela performance das outras universidades em destaque. A concorrência é feroz e, até mesmo para permanecer na mesma posição, as universidades têm de continuar a melhorar.

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