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Corte de verba do Fies derrubou matrículas

Censo divulgado ontem pelo Inep mostra que número de matrículas em universidades caiu 6% em 2015, na comparação com o ano anterior. Especialistas atribuem queda a restrições do governo anterior ao financiamento estudantil

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postado em 07/10/2016 11:25 / atualizado em 07/10/2016 11:33

Patrícia Rodrigues - Especial para o CB /

O número de novos alunos em cursos universitários caiu 6,1% no Brasil. Mais de 190 mil pessoas deixaram de se matricular em graduações privadas e públicas em 2015, em relação ao ano anterior. A rede particular foi quem mais perdeu: foram 176.445 alunos a menos. Os dados estão no Censo da Educação Superior 2015, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Entre os anos de 2014 e 2015, houve uma queda no número de ingressantes, tanto na rede pública (- 2,6%), quanto na rede privada (- 6,9%).“Queda no setor público é preocupante. Esperava-se que houvesse ampliação dos investimentos”, preocupou-se Remi Castioni, professor de educação na UnB. Segundo o docente, essa queda compromete a inserção de pessoas no ensino superior.

Esse é o primeiro levantamento após a reforma do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) pelo governo federal. No fim de 2014, o Ministério da Educação (MEC) publicou uma portaria informando mudanças nas regras do programa. Para o coordenador-geral da Campanha Nacional Pela Educação, Daniel Cara, as novas regras do Fies e crise econômica, explicam a queda de 6,9% de novos alunos na rede particular. “O impacto no Fies foi grande”, avalia. No entanto, o especialista afirma que a reforma era necessária. “O programa tinha grande impacto orçamentário, era insustentável, mas o governo deveria buscar solução para proteger o estudante”, ponderou.

O coordenador de pós-graduação em Educação pela Universidade Católica de Brasília, Célio Cunha, acredita que além da crise econômica e das mudanças no Fies, há falta de prioridade em relação ao ensino. “A educação ainda não constitui uma prioridade para as pessoas. Quando fazem pesquisa sobre o que as pessoas querem, a educação quase nunca está em primeiro lugar”, explica.

Para a doutora em Educação da Universidade de Brasília Stella Maris Bortoni, quem não tem chances de ingressar na universidade pública procura a universidade particular como alternativa. “Se não tem dinheiro para pagar ou ganhar bolsa, as possibilidades ficam restritas”, disse. A professora também atribui a redução de oferta à crise econômica. A dificuldade financeira enfrentada pela população de baixa renda é vista desde antes da graduação, ainda no ensino médio. “Num momento de crise, o aluno vai procurar um emprego e teria que estudar à noite”. Para a professora, essa dificuldade teria reflexo direto no resultado do vestibular.

O Censo mostra também que 87,5% das instituições de ensino superior — que incluem universidades, faculdades e centros universitários — são privadas. Na rede pública, 40,7% são estaduais, 36,3% são federais e 23% são municipais. Considerando-se apenas o número de universidades, a maioria é pública (54,9%).

Professores
O perfil do professor também foi traçado. Mais de 50% dos docentes nas universidades têm doutorado. O percentual de doutores nas faculdades é apenas 16,5%. “Muitas faculdades dispensam professores com mestrado e doutorado e contratam aqueles que possuem apenas graduação”, contou Bortoni. De acordo com ela, a atitude é tomada pelas instituições para economizar no momento do pagamento de horas-aulas, que de doutores e metres são mais altas. O professor Célio Cunha acredita que uma aula ministrada por um doutor influencia na formação do aluno. “É uma meta das universidades ampliar o quadro de doutores”, informou. Segundo o professor Célio, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) têm trabalhado bastante na formação de novos mestres e doutores.

Os dados foram divulgados na manhã de ontem. Participaram da coletiva o Ministro da Educação, Mendonça Filho; a Secretária Executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães Castro; o Secretário de Educação Superior, Paulo Barone; a Presidente do Inep, Maria Inês Fini; e o diretor de Estatísticas Educacionais, Carlos Eduardo Moreno.


"O Fies tinha grande impacto orçamentário, era insustentável, mas o governo deveria buscar solução para proteger o estudante”
Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional Pela Educação

 

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