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Correio Braziliense

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Protesto com 12 mil pessoas na Esplanada tem conflito com a PM

Um policial foi esfaqueado, prédio do MEC foi invadido e depredado, carros foram virados e queimados, o Museu Nacional foi pichado. A UNE repudiou a truculência da polícia

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postado em 29/11/2016 19:48 / atualizado em 30/11/2016 16:33

Na noite desta terça-feira (29), a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) confirmou que um policial a paisana foi esfaqueado pelas costas durante confusão em manifestação na Esplanada dos Ministérios. Segundo a corporação, o oficial não se encontra em estado grave. O caso é apenas mais um dos incidentes complicados da manifestação contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que estabelece teto para gastos públicos em áreas como saúde e educação. O ato começou durante a votação em primeiro turno da proposta no Plenário do Senado Federal. Acompanhe a votação ao vivo:

 

 

Os estudantes também se manifestaram contra a MP (Medida Provisória) 746, da reforma do ensino médio; e o Projeto de Lei nº 867/2015, conhecido como Escola sem Partido. Às 17h, o movimento de estudantes saiu do Museu Nacional em marcha até o Congresso Nacional. Quando eles se posicionaram próximo à rampa de acesso do prédio, a polícia reagiu com balas de borracha e gás de pimenta. Segundo movimentos sociais, a manifestação estava pacífica, até que a polícia atacou os presentes com truculência.

 

Cerca de 12 mil pessoas, segundo os organizadores, participam do ato. A polícia afirma que participam, pelo menos, 10 mil pessoas. O movimento teve início às 16h. Participam estudantes, representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MST), de organizações ligadas às universidades federais, como o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal Fluminense (Sintuff), e grupos indígenas.

 

O Governo de Brasília repudiou os atos de vandalismo cometidos. Confira nota na íntegra:

 

"O governo de Brasília repudia os atos de vandalismo e de barbárie cometidos  no decorrer do dia de hoje em frente ao Congresso Nacional e na Esplanada dos Ministérios.


Destruir o patrimônio público, desrespeitar as instituições e agir com vandalismo não é, de modo algum, postura de quem quer se manifestar democraticamente.


A Constituição garante o livre direito à manifestação, que deve ser preservado por todos os democratas.
A violência política é inaceitável e deve ser combatida.


As forças de segurança trabalharam de forma integrada. Quatro pessoas foram conduzidas à delegacia, cinco ocorrências de dano foram registradas na Polícia Federal. O Corpo de Bombeiros registrou 40 atendimentos, todos casos sem gravidade. A Polícia Militar agiu dentro dos padrões técnicos para o enfrentamento desse tipo de situação e procurou preservar o patrimônio e a segurança das pessoas.


As investigações de danos ao patrimônio e ações violentas seguirão a partir das imagens em posse dos órgãos de segurança."

 

Invasão do MEC

No fim da tarde desta terça-feira (29), o prédio do Ministério da Educação (MEC) na Esplanada dos Ministérios foi invadido e depredado por um grupo de pessoas, que subiu até o segundo andar. Parte dos manifestantes estava encapuzada, segundo informações da Assessoria de Imprensa do MEC, que acredita que havia de 50 a 100 integrantes no grupo, que acendeu fogo em pneus e lixo, além de ter quebrado portas do ministério e depredado caixas eletrônicos e câmeras de segurança com barras de ferro e pedras.


 

A Polícia Militar evacuou o prédio. Segundo a corporação, o grupo teria feito uso inclusive de coqutel molotov - arma química incendiária. O ataque ao MEC ocorreu no clima de tensão que tomou conta da Esplanada dos Ministérios num ato que reuniu de 10 mil a 12 mil manifestantes e foi marcado por conflito com a Polícia Militar. 

 

Confira vídeos dos atos de vandalismo no MEC:

 

Vídeo 1

Vídeo 2

Vídeo 3

 

Vandalismo

Em meio à confusão, três carros que estavam estacionados em frente ao Congresso Nacional foram virados de cabeça para baixo (sendo um da Record e dois particulares), fogo foi ateado em veículos, e o Museu Nacional foi pichado com os dizeres "Fora Temer" e "Fora PEC da Morte". Após o uso de bomba de efeito moral e gás lacrimogênio, os manifestantes se dispersaram, mas alguns insistiram em voltar depois que o efeito passou.

 

Os manifestantes gritaram palavras de ordem, pedindo o fim da PM e acusando os policiais de agirem com truculência. A União Nacional do Estudantes (UNE) divulgou nota de repúdio contra a violência da Polícia Militar. Confira o texto da UNE na íntegra:

 

“A União Nacional dos Estudantes afirma que a manifestação organizada pelos movimentos estudantis e sociais neste dia 29 de novembro em Brasília foi um ato pacifico, democrático e livre contra a PEC 55. Não incentivamos qualquer tipo de depredação do patrimônio público. O que nos assusta e nos deixa perplexos é a polícia militar do governador Rolemberg jogar bombas de efeito moral, gás de pimenta, cavalaria e balas de borracha contra a estudantes, alguns menores de idade, que protestam pacificamente. Esse é o reflexo de um governo autoritário, ilegítimo e que não tem um mínimo de senso de diálogo".

 

Rafael Carvalho
 

 

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