Estudante deficiente auditivo vai contar com videoprova no Enem 2017

Inscrições para o Enem começam nesta segunda-feira. Em caráter experimental, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), organizadores do certame, vai oferecer tradutor de Libras e apoio audiovisual

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postado em 06/05/2017 08:00 / atualizado em 05/05/2017 23:42

Hugo Gonçalves/Esp.CB/D.A Press


As inscrições para o Exame Nacionao do Ensino Médio (Enem)  2017 começam nesta segunda-feira, com uma novidade para os alunos com deficiência auditiva. Esses estudantes terão acesso a videoprova, com a tradução de todas as questões em Língua Brasileira de Sinais (Libras). Além disso, haverá um tradutor de Libras, que vai esclarecer dúvidas dos candidatos. A iniciativa, em caráter experimental do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), organizador do exame, tem o objetivo de implementar recursos para a promoção da educação inclusiva e garantir o direito justo para todos os participantes.



A vídeoprova será disponibilizada em uma sala especial. Para assegurar o direito a essa prova, os deficientes auditivos fizeram a opção no ato de inscrição para o exame. Os cartões de respostas serão preenchidos normalmente. A novidade pode não resolver ainda o problema dos surdos, principalmente daqueles cuja primeira língua é a Libras. Mas vai ajudar a diminuir o fosso da exclusão, já que, mesmo os alunos bem preparados para o exame, têm muitas dificuldades para fazer a prova. Dados do Inep indicam que cerca de 9.500 candidatos com problemas de surdez — total ou moderada —, de todo o país, solicitaram atendimento especializado no Enem 2016, seja de tradutor intérprete de Libras, leitura labial ou guia-intérprete (para surdocegueira).

Estudante do terceiro ano do ensino médio no Centro de Ensino Médio Elefante Branco (Cemeb), a aluna Ana Carolina Gonçalves Siqueira, 21 anos, vai fazer o Enem pela primeira vez. Deficiente auditiva, a jovem acredita que o vídeo com as questões em Libras e a presença do intérprete vão ajudar bastante na hora de fazer a prova. Mas considera que a iniciativa, embora importante, não é suficiente para uma prova justa para os deficientes auditivos. “O bom seria que toda a prova do Enem fosse em Libras. Não dominamos a língua portuguesa. Só conhecemos metade das palavras, enquanto um aluno ouvinte aprende novas palavras todos os dias”, explicou Ana Carolina, por meio de Ana Márcia dos Reis Lira Gandra, professora do ensino especial do Cemeb.

Conquista

Os deficientes auditivos contam com uma hora a mais para fazer o Enem. A disponibilização de uma sala com o vídeo das questões em Libras é mais uma conquista para esses estudantes que terão acesso à tradução integral das provas. A correção da prova de redação desses candidatos já é diferenciada, por causa da dificuldade deles com a estrutura gramatical, flexão de verbos e o uso dos artigos. “A língua materna deles é a Libras e a segunda língua é o português. Com o vídeo, esses alunos terão uma condição melhor de igualdade com os ouvintes. Esse recurso, acompanhado do auxílio do intérprete de Libras, vai contribuir para facilitar a compreensão das questões”, analisa a professora Ana Márcia.

De acordo com o Inep, no Enem 2016, 101.896 participantes solicitaram atendimento específico, 68.907, atendimento especializado, e 18.306 recursos de atendimento, como guia-intérprete, intérprete de Libras, prova ampliada, prova em braile, prova superampliada, auxílio para leitura e auxílio para transcrição, entre outros mecanismos para promover a acessibilidade. Somente para atender os estudantes com deficiência auditiva, foram contratados 3.558 profissionais, entre intérpretes de Libras e de leitura labial. Para cada dupla que atua nas salas com até seis candidatos, pelo menos um deveria ter domínio de leitura na língua estrangeira escolhida pelo participante.

Inclusão

O recurso de videoprova em linguagem de Libras já foi utilizado anteriormente pelo Inep, em 2016, na Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA). Segundo a diretora de Gestão de Planejamento do Inep, Eunice Santos, todos os avanços e recursos em termos de inclusão serão priorizados. “O Inep, em sua atual gestão, implementou iniciativas, em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que permitirão avançar nos recursos que promovem a inclusão, fazendo valer o direito equânime de todos”, declarou.

“Não dominamos a língua portuguesa. Só conhecemos metade das palavras, enquanto um aluno ouvinte aprende novas palavras todos os dias
Aluna Ana Carolina Gonçalves Siqueira