UnB concede auxílio-creche para alunos com filhos

São 10 cotas no valor de R$ 485 para alunos com baixa renda

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postado em 18/08/2017 16:59 / atualizado em 18/08/2017 19:17

Trocar fralda, amamentar e perder noites de sono para afagar choros. Em seguida, pegar ônibus, estar no horário, prestar atenção à aula na Universidade — conciliando com a atenção ao bebê no colo quando não havia onde deixá-lo. Se o bebê chorar, há de se fazer malabarismo para interrompê-lo e, assim, apaziguar, não apenas o choro, mas os olhares de quem cerca. Para democratizar as condições de permanência no ensino superior, a Universidade de Brasília (UnB) lança o Programa Auxílio-Creche da Universidade de Brasília (PACreche UnB) para mães e pais em situação de vulnerabilidade econômica.

O edital do PACcreche UnB foi disponibilizado na última quarta-feira (16) e concederá dez bolsas no valor de R$ 485. Para participar, é necessário que o estudante faça avaliação socioeconômica. Serão priorizados universitários com o maior número de crianças de zero a quatro anos, menor renda per capita e cujos filhos sejam diagnosticados com problemas de saúde.
 
“As pessoas te olham com olho torto. É como se o bebê não devesse estar ali, mas isso se estende, porque, até a criança ter certa idade, o lugar dela é junto à mãe. Então se a universidade não é o lugar dela, a mãe também não pertence àquele lugar. E é muito difícil, porque a gente tem direito de estar lá, a gente conquistou aquela vaga”, relata Juliana Lopes, estudante de artes visuais na UnB. Aos 24, tem uma filha chamada Lis, de apenas 1 ano e 4 meses, e comemora a conquista das mães na universidade. Mas tem ressalvas quanto ao projeto.
 
 
Myllena Veríssimo/Divulgação
 
“Uma creche realmente de confiança custa muito caro, mas a bolsa possibilita, ao menos, pagar cuidadora, alguém para ajudar em casa”. Para ela, é importante também pensar na questão da acessibilidade e matrícula. “Os elevadores não funcionam e as escadas são ruins, para circular com o neném é difícil. As mães deveriam ter prioridade também na hora de fazer a matrícula”, afirma. Outro problema relatado é a falta de uma creche no câmpus e a proibição de crianças na Casa do Estudante Universitário — alojamento concedido a alunos oriundos de outros estados.

“Uma das discussões no âmbito do Centro de Convivência de Mulheres (CCM) é sobre a construção de uma creche física e a adequação da Casa do Estudante (CEU), porque no regulamento da CEU não se permite crianças. Então, esse problema é uma das pautas das reuniões. Existem estudantes na CEU que engravidaram e não podiam continuar lá. A UnB passou a oferecer pecúnia [auxílio alternativo oferecido pela UnB para quem não deseja, não pode ou não cabe na CEU] para elas, mas é muito desgastante ter ainda que procurar outro lugar para morar. As crianças não são vistas como pessoas”, comenta Raíssa Toledo, estudante do quarto semestre de artes visuais e membro do CCM.

O PACreche UNB foi iniciativa das alunas que fazem parte do CCM, que, desde maio deste ano, colocaram em pauta a dificuldade que as mães enfrentam para conciliar as tarefas de cuidar dos filhos e os estudos na universidade. Elas fizeram pressão junto à Diretoria de Desenvolvimento Social (DDS), que acatou a reivindicação. Segundo Juliana Lopes, o Centro de Convivência para Mulheres “é um lugar seguro, feito por mulheres e para mulheres”.

Para Raíssa Toledo, as dificuldades que pais e mães sofrem não são simétricas. “Os homens são muito admirados quando cuidam da criança sozinho. A maioria das mães fazem isso sozinhas o tempo todo e não são reconhecidas por isso. Dizem que não fazemos mais do que nossa obrigação. É obrigação do pai também, mas, para eles, é visto como heroísmo ”. Entretanto, foram as próprias meninas do CCM que propuseram que os homens também fossem beneficiados “Apesar das mulheres serem mais responsabilizadas, quem mais vai ser prejudicada é a criança. O auxílio-creche foi feito pensando nas crianças”.
  
Salário mínimo

Universitários oriundos de escolas públicas terão direito à bolsa no valor de um salário mínimo (R$ 937) no Ceará. O governador do estado, Camilo Santana (PT), sancionou na última terça-feira (15) a lei que regulamenta o auxílio para alunos de ensino superior em situação economicamente vulnerável.

Segundo a Secretaria da Educação do Estado, serão contemplados mil estudantes ainda este ano. Eles devem optar por receber um salário mínimo integral durante os seis primeiros meses, ou meio salário mínimo durante o primeiro ano.

Para ser beneficiado, é necessário que o aluno tenha feito todo o ensino médio na rede pública e entrado em uma universidade pública no estado. É requisito também que o universitário faça parte do programa Bolsa Família, além de ter obtido média igual ou superior a 560 no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM).
 
 
*Estagiário sob supervisão de Ana Sá.