Filho de diarista aprovado em direito na UnB é convidado para conhecer DPU

Roberto Augusto, que sonha passar em concurso do órgão, foi recebido pelo defensor público-geral federal, Carlos Eduardo Paz

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postado em 08/02/2018 14:17 / atualizado em 09/02/2018 13:51

O sonho de um dia ser defensor público teve mais uma etapa concluída para Roberto Augusto Brito Alves, filho de uma diarista de Santa Maria (DF) que passou para o curso de direito por meio do Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília (PAS) na reserva de cotas sociais e raciais para alunos de escolas públicas. A repercussão da aprovação chegou até a Defensoria Pública Geral da União (DPU), que o convidou para uma visita à sede do órgão, em Brasília.
 
Felipe de Oliveira Moura/CB Press

 
O fato de o estudante ter manifestado o desejo de um dia se tornar defensor público comoveu os funcionários, que viram nele um símbolo que representa o ideal da instituição: prestar assistência jurídica integral e gratuita na esfera federal aqueles que não têm condições de pagar por um advogado.
 
Conhecendo a história do Roberto que foi contada pelo Correio, eu fico muito tranquilo e satisfeito sabendo que, se viermos a ter pessoas como ele nos quadros da defensoria, será muito positivo. Afinal, as pessoas atendidas pelo órgão vêm de uma realidade parecida com a dele — não será algo que ele viu em livros”, disse o defensor público-geral federal, Carlos Eduardo Paz. O jovem de Santa Maria driblou a  miséria e a violência e, desde os 13 anos, traçou um plano para sua vida: ser defensor público para lutar contra as injustiças sociais.
 
A história de Roberto tem exatamente o elemento vivência. Foi a partir da experiência do irmão, que sofre de esquizofrenia e tem uma causa junto ao INSS com a defensoria, que ele se interessou pelo órgão. “Meu interesse nasceu dentro do meu convívio. Cheguei para a minha mãe, que acompanhava ele nas audiências e disse: ‘Mãe, que trabalho brilhante o de um defensor faz, né? Se dispõe a defender aqueles que não têm condições financeiras de pagar um advogado’. Isso somado à história da minha vida e da minha família foi o que me inspirou”, conta.
 
Felipe de Oliveira Moura/CB Press
 
 
A visita de Roberto à DPU incluiu um tour pelas dependências do prédio inaugurado em 2015, incluindo a biblioteca e a sala de atendimento, local onde as pessoas recebem as primeiras orientações sobre as suas demandas. Durante a visita, o jovem foi surpreendido com a presença do defensor nacional de Direitos Humanos, Anginaldo Oliveira Vieira, área em que o jovem gostaria de atuar. “Nós estamos caminhando em tempos difíceis, onde o termo direitos humanos está defasado. Se os direitos humanos existem hoje é porque há um ideal e isso protege não só a minha vida. É algo inalienável, nascemos com. Quero lutar por isso”, disse Roberto.  
 
Carlos Eduardo Paz espera que a visita de Roberto ao órgão o motive a continuar na luta para se tornar um defensor e ajudar a propagar a importância da instituição para os cidadãos brasileiros. “Espero que ele possa multiplicar isso de saber que existe um órgão estatal com a missão de atender aqueles que não têm condições financeiras de lutar pelos seus direitos.”
 
Felipe de Oliveira Moura/CB Press
 
 
Feliz com o convite e a chance de ter conversado com personalidades importantes do direito, Roberto afirma que isso o motiva a cursar o ensino superior com mais vontade para tornar o sonho real. “Certamente, vou entrar na universidade com outros olhos, com bastante motivação para seguir em busca do meu sonho. É uma felicidade sem igual ter conversado com doutores que são referência na área do direito e da Defensoria Pública. Quero retomar os conselhos e toda essa experiência que eu tive aqui”, completou. 
 
Ansioso para o início das aulas, Roberto brinca com o fato de a ficha de que conseguiu passar ainda não caiu. Ele disse que, só ao entrar na sala de aula, é que vai entender a dimensão de tudo o que aconteceu nesses dias após o resultado.
 
* Estagiário sob a supervisão de Ana Sá