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Volta às aulas

A busca pelo sucesso após a reprovação

Especialistas mostram que estratégias podem ser adotadas para vencer a frustração causada pelo baixo rendimento escolar

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postado em 10/01/2016 10:00

O sentimento é de frustração quando, após um ano inteiro de estudos, trabalhos, provas e testes, estudantes e famílias recebem a notícia da reprovação. Tanto os alunos quanto pais e responsáveis reagem de maneiras diversas que dependem principalmente da postura que as duas partes tiveram durante o processo.


Para o professor de física e matemática do Colégio Positivo José Motta Filho, o resultado, revelado ao fim do ano letivo, é apenas um detalhe e só surpreende famílias que não acompanham a vida escolar dos estudantes. “Para aqueles que observam de perto o processo, a notícia é desagradável, mas esperada. Em outros casos, a família se coloca contra a escola, tenta de alguma maneira culpar a instituição pelo fracasso do aluno”, diz.


Muitos estudantes, segundo Motta Filho, ficam revoltados com o resultado, então é importante orientar a família a respeito das atitudes que devem ser tomadas, principalmente no primeiro momento, após a notícia da reprovação. “É importante reforçar que esse não é um momento de brigas, mas de uma orientação séria, de apontar quais comportamentos da criança ou adolescente precisam mudar”, recomenda.


Para a professora Luciana Corso, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), lidar com a reprovação e buscar resultados melhores exige identificar os fatores que levaram ao insucesso. A tarefa não é simples, pois vários elementos podem influenciar a aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos. “O baixo desempenho não pode ser entendido a partir de um único fator: professor, métodos, escola, família, aluno ou sistema, pois pode ser causado por vários ao mesmo tempo. Se não encararmos o rendimento escolar como resultado desse interjogo, corremos o risco de perder a noção do todo que a aprendizagem envolve.”


De acordo com Motta Filho, para encarar a frustração, é importante escola e familiares ajudarem o aluno a ter consciência de que a mudança de atitudes pode gerar resultados melhores. “Eles recebem a notícia da reprovação de formas diferentes. Alguns refletem, pensam no que vão mudar, outros se revoltam. É preciso colocar na cabeça deles que reprovar uma fase não significa que não terão sucesso na vida, e que é preciso ter persistência”, destaca.

Mudança de hábito

A reprovação exige novos comportamentos, tanto do estudante quanto da família. A participação dos pais e responsáveis, para Luciana Corso, é um fator imprescindível não só para lidar com a reprovação, mas para impedir que ela se repita. O acompanhamento é a chave para que não haja surpresas em nenhum momento (leia Saiba mais).


A professora ressalta que o contato e a proximidade entre os pais e a instituição de ensino também são fatores importantes para o sucesso escolar. “Escola e família estão envolvidas no processo educativo. Colaboração e trocas constantes entre essas duas partes são os melhores caminhos para buscar uma compreensão mútua.”


O estudante reprovado deve empenhar-se de maneira diferente no próximo ano, ter novos métodos, agir com responsabilidade e, sobretudo, não abrir mão da organização. “Uma rotina é indispensável. Assim como um executivo precisa de uma agenda de trabalho, ele precisa de uma agenda de estudos com atividades do dia e, claro, disciplina e compromisso para seguir essa agenda. O bom aluno é um aluno organizado”, afirma José Motta Filho.

Saiba mais


Confira o que a escola e a família podem fazer para incentivar uma melhora no desempenho escolar

1. Procurar tornar o conteúdo atrativo e significativo para o aluno, contextualizando-o com as vivências dele

2. Dividir as tarefas em unidades menores e incentivar o aluno a monitorar a própria aprendizagem, mostrando que é importante revisar a tarefa antes de entregá-la

3. Estabelecer uma rotina diária na sala de aula, deixando claras as propostas e as expectativas do professor

4. Propiciar momentos de descontração, por meio das artes e do uso do corpo, para que os alunos expressam as emoções

5. Incentivar os trabalhos em grupo e também de tutorias, ou seja, trabalhar com um colega tutor que se encontra em um nível mais adiantado de aprendizagem

6. Propiciar uma atmosfera amigável em sala de aula, com espaço de discussão e trocas de pontos de vista;

7. Permitir o uso de material concreto por mais tempo, no caso dos alunos com dificuldades na matemática, e permitir o uso de corretores de texto, para os que têm dificuldade na escrita

8. Em casa, os pais devem acompanhar e valorizar as atividades escolares dos filhos, além de auxiliar na organização dos horários de estudos e de lazer e na construção de uma rotina de trabalho


Fonte:
Luciana Corso

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