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Segurança em primeiro lugar

O preço não deve ser o principal critério na hora de escolher o transporte escolar. Pais devem exigir itens e documentos obrigatórios do veículo e do condutor

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postado em 10/01/2016 10:00

Marianna Nascimento

Há quatro anos, o caminho entre a escola e a casa de João Pedro Silvestre, 6 anos, fica aos cuidados de Nilza Simões, 70. Desde o começo da vida escolar do garoto, é ela quem se encarrega, de segunda a sexta, de transportá-lo pelo percurso. A mãe de João Pedro, Amanda Silvestre, 32, ouviu avaliações positivas sobre a condução e não teve dúvidas na hora da escolha. “De lá para cá, até mudei meu filho de escola, mas mantive o transporte. Sempre confiei e confio até hoje”, diz Amanda.


Conhecida entre clientes e colegas de profissão como Tia Nilza, a motorista trabalha com transporte escolar no Gama há 22 anos e tem muitos fregueses fiéis. “Tenho até uma cliente que transportei há muitos anos, desde criança. Mais tarde, ela se casou e hoje eu levo a filha dela para a escola”, conta.


A confiança transmitida entre as gerações não veio de graça. Nilza assegura que mantém veículo e documentação rigorosamente de acordo com a legislação e que nunca descumpriu regras do Departamento de Trânsito (Detran). “Em 22 anos, nunca levei uma advertência. Mantenho tudo em dia: cinto, extintor, minha carteira, meus documentos e os do meu veículo”, garante.


Esse comportamento é comum entre condutores de transporte escolar, de acordo com o  chefe do Núcleo de Transporte Escolar (Nuace) do Detran-DF, Fanstone Matos. “A frota escolar do Distrito Federal é de qualidade, os veículos são novos e fazemos inspeção a cada seis meses para garantir que os condutores mantenham os veículos de acordo com os critérios. É incomum termos problemas com os motoristas”, afirma.

Custo-benefício

Mesmo que a qualidade do serviço na cidade, em geral, seja boa, é importante que pais e responsáveis fiquem atentos na hora de contratar o transporte escolar. O motorista Ronald Medeiros, 35, trabalha no ramo há 10 anos e, além do veículo que ele mesmo dirige, tem outros três, conduzidos por funcionários contratados. Segundo ele, os contratantes não têm o hábito de checar a qualidade, a documentação e a segurança do veículo. “A maioria dos pais não tem essa preocupação e, às vezes, a primeira coisa que procuram é o menor preço. Não observam se o carro é novo, não pedem para olhar a aparência, o interior. Pensam muito no dinheiro e pouco na qualidade”, avalia.

 

Fanstone Matos, do Detran-DF, alerta para os perigos da escolha pelo serviço mais barato. “O motorista autorizado pelo Detran é diferenciado, com curso de formação específica com escolares, habilitado a trabalhar com crianças e adolescentes. O condutor de transporte pirata muitas vezes sequer tem carteira nas categorias recomendadas.”


Segundo Matos, quando o veículo não é regularizado, também não há garantia ou controle algum da adequação ao transporte — de crianças, adolescentes ou adultos. “A vistoria do Detran tem muito zelo com o critério que chamamos de ‘conservação e higiene’. Observamos idade e conservação dos carros, além de bancos, ferragem, cinto e lataria. O transporte pirata não obedece regra nenhuma — o que pode ocasionar acidentes, tanto no trânsito quanto no interior dos veículos”, alerta.

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