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Potencial estimulado

Estudantes com altas habilidades precisam ser incentivados nas áreas de interesse para progredirem

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postado em 27/10/2015 13:14


 

 

"Se ele tem essas diversas ferramentas, eu acredito que, lá na frente, será mais fácil identificar realmente o que gosta e definir qual vai ser a profissão ou os hobbies dele" Mônica Gomes Ramos Bimbato, mãe de Angelo



O acompanhamento especializado nas escolas deve se estender também aos alunos que apresentam altas habilidades. Se não receberem atenção e as necessárias adaptações para tornar o ensino mais atrativo, é possível até que esses estudantes deixem de mostrar e de desenvolver os potenciais que têm e acabem por apresentar baixo rendimento nas disciplinas regulares.

Há dois anos, o Maristinha desenvolve o Projeto Potencializando Habilidades (PPH), focado em alunos com superdotação/altas habilidades ou alta performance. “Nós temos um ensino personalizado. Assim como recebemos crianças de inclusão, víamos a necessidade de potencializar as crianças com habilidades especiais”, afirma a coordenadora psicopedagógica do colégio, Roberta Guedes.

No contraturno das aulas são oferecidas oficinas de astronomia, high-tech, artes cênicas e plásticas, cinema, música e grafite, além de atividades de iniciação científica. Todas elas são voltadas apenas para esse grupo de alunos que têm laudo atestando a superdotação ou com alta performance acadêmica, nesse caso, indicados pelos professores.

Com essa proposta, o objetivo da instituição é evitar que os alunos se desmotivem e que vejam a escola apenas como uma etapa obrigatória da vida, sem sentir prazer em aprender. Cada projeto tem um total de oito encontros por semestre, com duração de uma hora a uma hora e meia, e no fim de cada ciclo os estudantes apresentam os resultados à comunidade escolar.

Mônica Gomes Ramos Bimbato, 44 anos, é mãe de Angelo, 10, um dos alunos que participa do projeto. Ele foi indicado pelos professores por apresentar desempenho acima da média nas disciplinas. Este ano, o grupo vai desenvolver um jogo eletrônico usando um aplicativo. “Se ele tem essas diversas ferramentas, eu acredito que, lá na frente, será mais fácil identificar realmente o que gosta e definir qual vai ser a profissão ou os hobbies dele”, observa Mônica.

Angelo ainda participa de outras atividades extracurriculares, como aulas de violino. A regra é permitir que ele participe de tudo o que quiser, desde que não fique cansado demais. E a mãe o acompanha em todos os momentos. “A parceira é fundamental. Não adianta você colocar a criança na escola e achar que a instituição é responsável por tudo”, reforça Mônica.

Diagnóstico

Angela Virgolim, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília e sócia-fundadora do Conselho Brasileiro para Superdotação (ConBraSD), explica não existe distinção entre altas habilidades e superdotação. Os dois significam um desenvolvimento acelerado em comparação aos pares em alguma área — artística, esportiva, pensamento criador, acadêmica, entre outras —, e podem se manifestar em vários níveis.

Diferentemente do que normalmente se pensa, Angela destaca que a criança ou adolescente não precisa ter um laudo comprovando o diagnóstico de altas habilidades para ter direito a um acompanhamento diferenciado na escola. E esse atendimento especial é importante porque, em muitos casos, o aluno pode apresentar baixo rendimento. “Muitas vezes, encontramos crianças sub-realizadoras, que estão abaixo do esperado, mas que têm potencial. A escola pode não ter nada na área de interesse da criança, e essa habilidade acaba despercebida”, explica.

O trabalho desenvolvido com esses estudantes na rede pública do Distrito Federal é referência para o resto do país.  São 10 salas de recursos no Plano Piloto e uma em cada região administrativa, que atendem 70% alunos de escolas públicas e 30% de escolas particulares. O pedido de atendimento é feito em cada regional de ensino. Também é possível encontrar opções de atendimento particular. O essencial é sempre buscar desenvolver as áreas de interesse da criança.

Para saber mais

Orientação da escola à família


A publicação do Ministério da Educação Altas habilidades/superdotação — Encorajando potenciais traz orientações a pais, professores e à sociedade em geral sobre como contribuir para o desenvolvimento das habilidades de estudantes superdotados e como reconhecer as características cognitivas, sociais e afetivas deles. Está disponível gratuitamente no link bit.ly/1IXW8pI. O site da Conbrasd (www.conbrasd.org) também traz diversas informações sobre o tema e a professora Angela Virgolim, autora da publicação, está à disposição para tirar dúvidas de pais e professores pelo e-mail angelavirgolim@gmail.com.

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