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Correio Braziliense

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Prevenção eficiente

As violências simbólicas, como o bullying, incentivam casos mais extremos, que chegam à agressão física. Por isso, é essencial construir um diálogo entre escola, aluno e comunidade

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postado em 27/10/2015 13:53

A violência na escola é um fenômeno complexo e multifacetado, para o qual não cabem soluções simplistas. É o que afirma Mauro Gleisson de Castro Evangelista, pesquisador e professor da rede pública. Ela se apresenta de múltiplas formas: violências duras — tipificadas pelo código penal — e incivilidades — agressões verbais, humilhações e violências simbólicas, do campo das microviolências. O bullying está dentro dessa última categoria e é uma violência sofrida por estudantes que vivenciam quadros de intimidação reiterada e entre pares.

Ele alerta para o fato de que, apesar de pouco abordadas pela escola, são as microviolências que ancoram as violências duras, como é o caso do racismo, da homofobia e outras formas de preconceitos e discriminações. No entanto, uma das principais ancoragens das violências na escola é a própria violência da escola: a exclusão, os baixos índices de proficiência, as transferências compulsórias, à revelia dos interesses dos alunos e familiares, e as punições.

É importante notar, segundo Evangelista, que, quando a violência chega ao extremo de passar a uma agressão física, normalmente é sustentada por outras expressões de desamparo. “A criança ou adolescente que apresenta um quadro disruptivo (termo da psicologia para designar aquilo que não é o esperado nem saudável) está dando sinais de riscos e vulnerabilidades que precisam ser estudados e enfrentados pela escola, ainda que tenha que acionar a rede de proteção social”, alerta.

De acordo com ele, a melhor forma de enfrentar essas situações é por meio de dispositivos que favoreçam as expressões, como atividades de esporte, de cultura e de lazer (veja o quadro). O pesquisador destaca ainda a importância de mecanismos de mediação de conflitos. “O conflito é potencialmente produtivo. Não há convivência sem conflito. O problema está na forma como lidamos com os mesmos.”

A equipe do Centro Educacional 104 do Recanto das Emas, que atende alunos do 8º e do 9º anos do ensino fundamental e das três séries do ensino médio, encontrou maneiras de lidar com conflitos a partir da mediação. O diretor da escola, Sérgio Elias Carvalho Machado, explica que é dado ao aluno espaço para falar e, ao mesmo tempo, ofertada uma escuta atenta. “Qualquer tipo de violência, mesmo que seja simbólica, nós temos que discutir e entender o que levou a essa agressão”, afirma. Há um trabalho de sensibilização dos professores para perceber conflitos sutis dentro de sala de aula que possam levar a situações mais graves.

Sérgio destaca ainda que é importante deixar claro quem é o adulto na relação e mostrar a função do mediador nesse processo. Apenas em casos extremos, quando a mediação não funciona, é acionado o Conselho Tutelar ou são adotadas as medidas contempladas no regimento interno.

Para ler

Extraordinário
Autora: R. J. Palacio
Editora Intrínseca
320 páginas
R$ 29,90

O livro conta a história do garoto Auggie e como ele enfrentou o primeiro ano letivo no ensino fundamental. Ele nasceu com uma síndrome genética que causou uma severa deformidade facial e o desafio, agora, é se aproximar dos colegas e vencer o preconceito. Leitura indicada a todos os estudantes que estão no ensino fundamental, principalmente no segundo ciclo, e para os pais também. O primeiro capítulo está disponível para acesso grátis no endereço intrinseca.com.br/extraordinario.

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