Reforma aumenta carga horária para 1,4 mil horas. O que isso significa?

A mudança será gradual, e deve atingir as 1.000 horas em cinco anos. Algumas escolas já ofertam 1.200 horas de atividades

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postado em 14/09/2017 17:44 / atualizado em 14/09/2017 18:44

O aumento da carga horária do ensino médio é um dos principais pontos da reforma proposta pelo governo. Hoje, o período mínimo que o aluno deve passar em sala de aula é de 800 horas. O objetivo da nova legislação é que esse período aumente, gradativamente, para 1.400 horas.
 
A expectativa é de que, em cinco anos, a marca de 1.000 horas seja atingida pelos sistemas de ensino, para depois se passar à adoção do período total. O objetivo dessa mudança, assim como o da reforma toda, é melhorar os indicadores da educação. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para o ensino médio se encontra na pior situação, se comparado ao ensino infantil e fundamental. Desde 2011 os números estão estagnados.

O aumento da carga horária permitirá a inclusão de mais atividades extracurriculares, que aliadas ao conteúdo obrigatório, poderá ajudar o aluno na decisão sobre a profissão a seguir no futuro. O professor de matemática Gerson Gomes, do Colégio Objetivo, explica que, na rede privada, a carga horária já ultrapassa as 800 horas. “Atualmente nossos alunos têm uma carga horária semanal de 30 horas, sem contarmos os sábados. Se multiplicarmos pelas 40 semanas que compõem o ano letivo, é o equivalente a 1.200 horas anuais.”

O professor também ressalta que o aumento, em um primeiro momento, não afetará o aluno que já atua em um regime superior às 1.000 horas anuais estipuladas para os cinco primeiros anos de aplicação da reforma. Na avaliação dele, o grande diferencial para os alunos inseridos nessa realidade será a permanência além dos horários das matérias obrigatórias, para a realização de atividades optativas.
 
Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A. Press


Escolas públicas
 

As escolas públicas, por sua vez, enfrentarão um desafio maior com relação a essa transição. O vice-diretor do Centro de Ensino Médio Setor Leste, José Henrique Cavalcanti, destaca que o aumento da carga horária exigirá uma adaptação mais elaborada, visto que o número de turmas atualmente ocupa os dois turnos da instituição. “Com o aumento da carga horária, nossas 48 turmas, que são divididas entre os dois turnos – matutino e vespertino –, sofrerão uma mudança e até mesmo um remanejamento de instituição, pois o período integral nos cobrará uma atenção maior com relação à permanência do estudante na instituição”, afirma.

Segundo o governo, essa mudança tem como objetivo evitar a evasão escolar e melhorar a qualidade da educação ofertada. As 13 matérias obrigatórias atualmente também passarão por alterações, para que a adequação seja diretamente proporcional à quantidade de horas que estão sendo estipuladas.