Almanaque do trânsito

O Super! reuniu dicas de especialistas para que você se torne craque na arte de circular por aí - em qualquer meio de transporte - em segurança. Afinal, isso é questão de vida e de cidadania. Confira!

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postado em 08/03/2016 20:35 / atualizado em 08/03/2016 20:37

Andar por aí, livre leve e solto como se não houvesse dever de casa para fazer amanhã... Quem não adora essa sensação? Seja como pedestre, passageiro em um carro, seja motorista da própria bicicleta, passear pelas ruas nos faz sentir liberdade, mas também é uma grande responsabilidade. Segundo Gláucia Simões, do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran/DF), a circulação de pessoas pelas vias é um exercício de cidadania:

— Vivendo em coletividade, a gente precisa se preocupar conosco e com os outros. Quando estamos na via, a vida de todos está em jogo. Cuide de você e de quem está ao seu redor, ensina.

Além disso, aprender a se deslocar sozinho pelas ruas é uma das formas de ser inserido no mundo adulto, como conta Clóris Rabelo da Costa, funcionária da Coordenação de Educação para o Trânsito do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran):

— Conhecer a cidade com todas as diferentes possibilidades de integração entre pessoas e lugares é um jeito de começar a se tornar independente, afirma.

Mas essa conquista também exige inteligência e juízo na hora de sair por aí. Para Maria da Penha Pereira Nobre, arquiteta, psicopedagoga e especialista em mobilidade e segurança no trânsito, um grande problema é que as pessoas, no geral, ainda não têm noção do real perigo existente ao circular pelas vias.

— O trânsito é um exercício de cidadania em que é preciso respeitar as leis e os outros, mas as pessoas (especialmente condutores que se preparam apenas para o exame para tirar a carteira) não costumam conhecer as regras e, apesar dos acidentes, não compreendem que moto, carro e caminhão matam. Temos um século de automóvel, e a humanidade ainda não está preparada.

Mas se existe um ponto de partida para a mudança, ele está bem perto de você:

— Leva gerações para mudar a consciência, e devemos começar pelas crianças, garante Maria da Penha.

 

O começo do caminho 

 

Conheça os passos básicos da segurança no trânsito:

1) Que feio, pais!
 Segundo Maria da Penha Pereira Nobre, diretora do Instituto de Mobilidade e Educação Plano (Imep), apontar as falhas dos adultos não é o processo natural, mas pode funcionar:

— Se o filho aprendeu um comportamento seguro, e o pai não faz, pode não ser muito agradável para ele ouvir essa advertência; no entanto, o principal é cuidar da segurança.

Não se acanhe em dizer frases do tipo “mãe, coloca o cinto”, “pai, não use o celular dirigindo”, “não pare em fila dupla” ou “esta vaga é só para deficiente”, incentiva Gláucia Simões do Detran.

— Dizem que as crianças vão à escola para aprender e aplicar as leis quando crescerem. Mas não é só para o futuro! Meninos e meninas são cidadãos no presente e são agentes-mirins de fiscalização. Os responsáveis se sentem constrangidos quando percebem que não agiram de forma correta na frente dos filhos, que se preocupam, pois sabem que, se houver um acidente, podem ficar sem os pais.

Corrigir adultos no trânsito é tão sério que alguns Detrans distribuem bloquinhos para que os filhos “multem” de brincadeira pais que cometem infrações:

— Para erros como se esquecer de colocar o cinto ou atender o celular, a punição poderia ser lavar a louça, exemplifica a funcionária da Coordenação de Educação para o Trânsito do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Clóris Rabelo da Costa.

2) De mãos dadas
 Se o adulto quiser lhe segurar pelo punho, pode ser que você goste menos ainda. Mas saiba que não é com as aparências que você precisa se importar. Por segurança, os adultos devem segurar as crianças de até 12 anos pelo pulso quando forem atravessar a rua ou estiverem perto de avenidas.

— É a melhor maneira de evitar que o menino ou menina se solte, saia correndo e atravesse sem prudência — uma das grandes causas de acidentes com crianças.  Não existe uma norma que determine pegar pelo pulso, mas é o mais seguro, alerta Gláucia Simões, do Detran.


3) É hora de atravessar
Quando se trata de atravessar uma via, o cuidado deve ser redobrado:

— A criança não tem noção de velocidade e gosta de  correr: acha que pode chegar ao outro lado antes de um carro passar, mas pode não ser bem assim e se machucar. Os pais precisam acompanhar, e o filho precisa aprender que é preciso usar sempre a faixa de pedestres: dê sinal de vida e olhe todos os lados antes de seguir em frente.

Também não é legal atravessar a pista entre os carros quando eles estiverem parados, observa Maria da Penha Pereira Nobre, especialista em segurança e mobilidade no trânsito — afinal, criança é pequena e, se um motorista não te ver antes de partir, pode ser o seu fim. Não vale a pena tentar ir mais rápido ao destino, se, depois, você nem conseguir chegar lá...

4) Cuidado onde se senta
Até os 4 anos, as crianças devem ser colocadas em cadeirinhas apropriadas para a idade e o tamanho — e, claro, certificadas pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) —  para andar em carros. Dos 4 aos 7, a regra é usar assento de elevação. Quem tem menos de 10 anos precisa andar sempre no banco de trás. Apesar das regras, é importante adotar o bom-senso.

— Se a criança não é grande para a idade, e o cinto não fica bem nela, o pai pode prorrogar o uso do assento de elevação até os 10 anos, por exemplo.

5) Chega de sujeira!
Manter a cidade e todos os locais por onde você passar limpos faz parte do exercício de cidadania que é o trânsito. Nada de jogar lixo no chão — esteja você de carro, a pé, de ônibus, de bicicleta ou de qualquer outro meio de transporte.

— Detritos podem causar acidentes (por exemplo, se um motorista tiver que desviar de um objeto) e ainda entupir as vias, alerta Gláucia Simões.

6) Um passo depois do outro

Aprender a se deslocar pela cidade é como aprender a andar, várias etapas precisam ser respeitadas de acordo com a maturidade de cada um. Você pode começar explorando o espaço da sua casa, entendendo onde estão norte, sul, leste e oeste. Depois, aumente o nível de dificuldade. Explore seu prédio, a escola, vá até a padaria ou a casa da avó. Cada etapa é uma conquista que aumenta o nível de autonomia.

— Até os 11 anos, é preciso ter um adulto acompanhando, mas esses pequenos exercícios ajudam a garotada a ganhar confiança até terem idade e maturidade suficientes para andarem sozinhos por aí, explica Clóris Rabelo Costa, funcionária da Coordenação de Educação para o Trânsito do Denatran.

 

Algumas dificuldades tornam o trânsito mais perigoso

 

Nessas horas, esteja com um adulto ao seu lado

Ih, choveu!
Em dias chuvosos a atenção deve ser redobrada, conta Clóris Rabelo Costa, do Denatran. A pista fica escorregadia, e os carros demoram muito mais a parar. Além disso, também fica mais difícil para quem está dirigindo ver as pessoas que estão andando na rua. Por isso, todas as dicas sobre atravessar na faixa e esperar o carro ficar totalmente parado são mais valiosas que nunca.

Semáforo quebrado
Se o semáforo não está funcionando, é difícil saber o que fazer, não é? Então, veja o que Clóris Rabelo Costa, do Denatran, sugere:

— Em hipótese alguma, atravesse a rua correndo. Espere até que não haja nenhum carro ou dê sinal. Certifique-se de que todos os veículos pararam e atravesse.

Não tem faixa de pedestres aqui
Para esses casos, Gláucia Simões, do Detran, dá a dica:

— Se não houver faixa, faça a travessia em linha reta (nunca em diagonal), longe de balões (rotatórias) ou curvas. Também é bom procurar passar quando o semáforo estiver fechado. Nessas horas, peça ajuda de um adulto.

Cadê a calçada?

Ruas sem calçadas não deveriam existir, explica a funcionária da Coordenação de Educação para o Trânsito do Denatran, Clóris Rabelo Costa. Não vivemos num mundo ideal, então, se uma dessas ruas problemáticas estiver no seu caminho, é melhor pedir ajuda de um adulto para encontrar uma rota alternativa e mais segura. Além disso, ele deve avisar a situação para o órgão local responsável a fim de que o problema seja resolvido.


Telefones úteis

Em caso de perigo ou acidente, saiba quem chamar:

Disque-Detran DF: 154

Polícia Militar/Emergência: 190

Bombeiros/Samu: 193

Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA): 3361-1049