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Blogueiros dão lições para quem quer fazer sucesso online

Criadores de blogs do DF utilizam o mundo virtual para se expressar e até ganhar dinheiro com o grande número de acessos. Confira as lições de alguns desses jovens

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postado em 16/04/2012 18:40 / atualizado em 27/09/2012 13:52


Pablo Valadares
O blog é como uma carteira de identidade ou um cartão de apresentação, só que mais democrático: revela para quem se interessa aspectos da personalidade e do modo de pensar e escrever de uma pessoa. “É por isso que todo mundo devia ter um blog”, afirma o professor da Universidade Católica de Brasília Luiz Carlos Iasbeck, 58 anos. Ele é doutor em semiótica em comunicação e aponta que esses sites ajudam a divulgar o trabalho e atrair contratantes.

Os jovens que cresceram junto com o desenvolvimento da internet estão aproveitando cada vez mais essa oportunidade. Não faltam blogueiros no Distrito Federal que são lições para quem quer fazer sucesso nessa área.

As amigas da estudante de administração Isadora Vergara, 22 anos, não aguentavam mais ouvir ela falar sempre do mesmo assunto: esmaltes. Em janeiro de 2010, Isadora criou um blog para encontrar gente que gostasse tanto de esmaltes quanto ela. E deu certo: o Nós Amamos Esmaltes tem parceria com cinco marcas de esmalte, recebe mais de 3 mil visitas e cerca de 50 comentários a cada dia. “No começo era só uma forma de divertimento, mas depois cresceu muito, tanto que tive que me especializar, fiz curso de fotografia para poder atender melhor as leitores”, conta.

A equipe do blog aumentou, Isadora conta com mais duas autoras que conheceu pela internet e recebe esmaltes dos fornecedores para testar, como modo de pagamento pelos anúncios no blog. “Prefiro muito mais receber o pagamento dos anunciantes em vale-compra ou produto do que em dinheiro, pois assim posso investir isso de volta no blog”, explica.

As leitoras são muito fieis e a equipe faz questão de responder cada comentário e e-mail, mesmo que demore mais de uma semana. “Os nomes nos comentários se repetem muitas vezes, as leitoras voltam para ler os novos posts.” Isadora já fez vários encontros com suas leitoras, um deles aconteceu no Rio de Janeiro, em novembro de 2010, todo patrocinado pela marca de esmaltes Colorama.

A estudante considera que o curso de administração a ajudou muito, já que ela tem que gerenciar mais duas pessoas, além de negociar com as marcas de esmalte. Até a monografia da estudante será sobre o assunto, em que ela vai abordar "A influência dos blogs no mercado de esmaltes no Brasil”.

A proposta do blog é diferente porque Isadora prega o que ela chama de “unha sustentável”: sem gastar e com mais saúde. Sem gastar, porque ela mesma pinta suas unhas; e com mais saúde porque é sem tirar a cutícula. A atenção ao público é grande: ”A gente nunca sabe quem está lendo, se é a sua mãe, seu chefe ou colega de classe. Por isso mantemos uma linguagem polida, mas informal no limite de um blog”.

Lições:
- Escrever sobre o que você gosta e sobre algo que você tenha domínio para falar.
- Dar atenção aos leitores, responder todas as mensagens.
- Tomar cuidado com a linguagem utilizada. O blog é público e qualquer pessoa pode ler.


Arquivo pessoal
sonobrrasil
Byll já foi xingado por seus posts irônicos, mas não se importa, pois seu blog recebe muitos acessos

Recém formado em publicidade, Pedro Rafael Barbosa, 26 anos, mais conhecido como Byll, é blogueiro desde o ano 2000. O primeiro blog, Gyodai, durou três anos, era escrito com amigos da escola, que formavam uma banda de rock fictício. “Nessa época o Gyodai foi ameaçado de ser tirado do ar por causa de uma imagem com os dizeres ‘Eu odeio Galvão Bueno’ e um X no rosto do locutor. A Globo detinha os domínios do Blogger.com. Em 48 horas tive que tirar a imagem”, contou. De 2001 para cá, a internet se tornou um espaço mais democrático: atualmente Byll escreve sobre assuntos polêmicos, chega a ser xingado nos comentários, mas não sofre censura.

Em 2009 lançou iMundoByll - em que escrevia sobre qualquer coisa que vinha à mente. Em julho de 2010, esse blog se transformou no Byll10, cuja proposta é listar categorias baseadas no número dez: como por exemplo, “Mulheres e suas 10 roupas bizarras e 10 bacanas”, “As 10 melhores e piores empresas”. Tosco, brega, engraçado e polêmico são palavras do próprio autor para descrever o site. O blogueiro já foi acusado de ser machista e de “se achar demais”, mas não se incomoda: “Escrevo como um personagem de opiniões radicais, mas ironia e sarcasmo não são bem entendidos em textos. Podem falar o que quiserem, eu acho um prazer escrever para o blog. Até minha mãe me dá ideias para as listas e tenho muitos acessos”.

A média é de 800 visitas diárias (30 mil por mês), mas já houve posts que geraram mais de 40 mil visitas num único dia, como “10 nomes de pobre”. A maioria dos acessos vem de gente que faz pesquisas no Google. O post mais comentado é sobre os goleiros do São Paulo (time de Byll) e do Palmeiras: “10 razões de ROGÉRIO CENI ser melhor do que Marcos”. O Byll10 foi parar num fórum de palmeirenses que vieram em peso contra-atacar, com mais de 190 comentários.

Os anúncios do blog não renderam muito ainda, apenas 22 dólares, mas isso tem uma razão: quando o Google anuncia no seu blog, você ganha por número de cliques. Se você mesmo clica no anúncio, é trapassa, e você é bloqueado do sistema. Depois do bloqueio, Byll voltou com os anúncios recentemente.

Lições:
- Coloque foco na proposta do blog, o leitor tem que saber o que vai ver por ali (sejam categorias de 10 ítens ou qualquer outro assunto).
- Polêmica pode trazer audiência, mas saiba lidar com críticas e xingamentos.
- Cuide dos anúncios e não clique nos anúncios do seu próprio blog.


Danyel Monteiro
sonobrrasil
Depois de ser pedida em casamento, Letícia
criou um blog para conseguir descontos e hoje
reúne um grupo de mais de 150 noivas


A contadora Letícia Leal, 23 anos, escreve no Casarei em Brasília desde julho de 2011, quando ficou noiva. “O meu objetivo era simples: ganhar descontos em artigos para casamento”, conta. Só que Letícia não imaginava que outras noivas iriam se juntar a ela e nem que passaria a ser procurada por fornecedores para anunciar em seu blog. Hoje o grupo reúne 150 noivas do Distrito Federal. Juntas elas conseguem descontos em vários ítens para o matrimônio.

Quem negocia e escolhe tudo é Letícia. Ela passa o dia inteiro no computador, recebe até 300 e-mails diariamente, e está sempre em busca de temas interessantes para postar. Tanto esforço mostra resultados: a economia, até agora, é de mais de 60% do que gastaria no casamento só com o blog. Convite, fotos, filmagens, cerimonial, bolo, doces, fogos indoor, músicos e outros ítens do casório receberam bela redução de preços.

Apesar do sucesso, a jovem não sabe se vai continuar com o blog depois que disser o “sim” no altar: “Eu sou missionária evangélica e isso gasta muito tempo e o blog também gasta muito tempo, não sei se vai dar para conciliar”, explica. Ela ouve dos conhecidos que devia abrir uma empresa de negociação e descontos para casamentos. “Poderia ser sim um negócio que desse certo. Minha irmã agora está noiva, quem sabe ela continua com o blog no meu lugar”, afirma.

Lições:
- Use o blog para alcançar algum objetivo, inclusive ganhar dinheiro ou obter descontos. Com dedicação você pode conseguir.
- Online, agrupe outras pessoas que tenham o mesmo objetivo que você.
- Esteja preparado para o crescimento do seu blog. É um desperdício deixar morrer um projeto que cresceu e juntou tanta gente.


Arquivo pessoal
sonobrrasil
Thiago escreve em O Comprimido, um
blog feito para ser uma dose diária de
contra-informação


Thiago Vilela, 21 anos, estuda jornalismo e mantêm O Comprimido desde 2008. A proposta do blog é ser uma “dose diária de contra-informação” - notícias que não saem nos grandes meios de comunicação ou que saem, mas sob uma ótica que o autor não concorda. A programação, o layout e todo o conteúdo são feitos pelo estudante, mas nem sempre foi assim. No início havia uma equipe de cinco universitários cariocas. Depois que ele se mudou para Brasília, a equipe foi desagrupada e ele sobrou como autor do blog. No começo eram 50 visitantes por dia, hoje são 400, mesmo sem divulgação. Manter o blog tem gastos porque Thiago usa um domínio próprio, tendo que pagar cerca de 10 reais a cada mês. Para compensar, o blog ganhou 250 dólares de anúncios do Google.

Thiago fez um intercâmbio de um ano em Porto (Portugal), postava sobre essa experiência com textos e vídeos em O Comprimido e pedia para os professores da universidade portuguesa divulgarem. “Era o Portuga Diário. O pessoal me encontrava pelo Google e pedia dicas sobre o lugar. Já cheguei a ser reconhecido na rua em Porto”, conta.“Para minha carreira de jornalista é ótimo, chama a atenção dos contratantes e me ajuda a pensar notícias”, explica.

Lições:
- Se um projeto não deu certo em equipe, não quer dizer que precisa acabar.
- Conte sobre suas experiências de vida (como um intercâmbio, uma viagem ou um trabalho), se isso interessar o público.
- Divulgue seu currículo e seu trabalho.


Arquivo pessoal
sonobrrasil
Felipe mantém o anonimato para poder falar
com liberdade sobre assuntos polêmicos


O estudante de pedagogia e professor de inglês Felipe Soares (27) atualiza esporadicamente o Mundo Burro, em que publica “indignações sobre coisas que todo mundo vê, mas não faz nada”. No blog ele mantém o anonimato: “prefero não dizer quem sou para poder falar sem medo e usando palavrões sobre as burrices do mundo”.

Felipe, que é baixista na banda Detrito Federal, justifica as ironias: “Tem assunto que não dá para falar sério, se não vira um blog chato de comportamento. Por isso uso a ironia”. O blogueiro considera que é preciso dar muita atenção para tudo que é publicado na web porque “às vezes a gente acha que ningúem vai ler, mas acaba lendo. Um dia desses mesmo descobri que tinha um professor de sociologia da Escola Católica de Brasília (com a qual não tenho ligação alguma) usando meu blog para dar aula”.

Lições:
- Não publique algo achando que “ninguém vai ler”, sempre pode haver repercurssão.
- Se achar necessário, proteja sua identidade.
- Não tenha medo de expor suas opiniões.


O professor de comunicação da Universidade Católica de Brasília Luiz Carlos Iasbeck dá as dicas finais para quem quer fazer sucesso com um blog. Iasbeck indica que os blogs sejam minimalistas: “O layout deve ser ‘limpo’. Nada de gifs piscando na tela. Até legenda em foto não fica bem”. A recomendação é que os textos sejam curtos, sem floreios e que não seja preciso rolar a tela para ler o resto.

”A gente não sabem quem é o leitor, por isso a linguagem coloquial e neutra é a mais adequada: escreva como se estivesse conversando com o leitor. Usar palavras chiques e rebuscadas pega mal”, diz ele. Gírias devem ser evitadas, porém, a linguagem dos chats é uma boa opção: “abreviações como ‘vc’ são boas para deixar o texto curto. E os smiles são gráficos que demonstram emoção em pouco espaço”.

Luiz Carlos explica que tão, ou até mais importante, do que fazer o blog, é divulgá-lo, e as redes sociais são ótimas ferramentas para isso. Os blogs também podem ser usados com objetivos comerciais, como vender produtos e ganhar descontos. Os que têm essa finalidade devem abusar ainda mais da divulgação e analisar onde divulgar links para o blog.

“Os donos de blog que têm interesse de ter anúncios precisam mostrar para os anunciantes que vale a pena colocar uma publicidade lá. Devem mostrar que o blog é lido com contadores de visita, por exemplo”, explica o professor. Ele considera que, pelo menos no começo, não é bom pedir dinheiro em troca dos anúncios e sim negociar uma troca de interesses, de modo que haja vantagem para os dois lados.

“Só porque é um blog não quer dizer que não precisa ser sério. Não tem porque não caprichar no texto, nas fotos e nas ilustrações”, explica. Ele acrescenta que os blogs pautam muitos jornais e estão até se tornando mais interessantes do que eles.
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