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Ciência » Agricultura desacelerada Segundo estudo da Universidade de Minnesota, nos EUA, aproximadamente um terço das áreas mundiais de cultivo de importantes alimentos está com a produtividade estagnada ou em queda. A situação brasileira é elogiada por autor da pesquisa

Publicação: 17/01/2013 08:00 Atualização: 16/01/2013 11:51

Plantação de milho no Brasil: a produção brasileira está em expansão segundo o estudo norte-americano, mas áreas no Nordeste exigem atenção
Plantação de milho no Brasil: a produção brasileira está em expansão segundo o estudo norte-americano, mas áreas no Nordeste exigem atenção
A Revolução Verde dos anos de 1960 e 1970 representou um importante salto na produção agrícola dos países menos desenvolvidos. A invenção e a disseminação de novas sementes, o melhoramento genético e a adoção de práticas no campo como o uso intensivo de insumos industriais, a mecanização e a redução do custo de manejo possibilitaram um aumento na produção de alimentos crucial para uma população em expansão. Entretanto, ao contrário das expectativas, um estudo liderado por cientistas do Instituto do Meio Ambiente da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, mostra que algumas culturas alimentares essenciais em várias regiões do mundo estão estagnadas. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Communications.

Para viabilizar a análise dos dados adquiridos em diversos países, os pesquisadores desenvolveram mapas geograficamente detalhados da produção e safra colhida entre 1961 e 2008 de milho, arroz, trigo e soja. Foi então que eles descobriram que, embora praticamente todas as regiões tenham apresentado um aumento de rendimento em algum momento desse período, de 24% a 39% das áreas de cultivo do mundo tiveram a sua produtividade estagnada ou reduzida nos últimos anos.

O mais surpreendente, entretanto, foi a constatação de que o rendimento de trigo e de arroz — duas culturas largamente utilizadas para alimentação humana e responsáveis por fornecer cerca de metade das calorias da dieta no mundo — está em um declínio muito maior do que a produtividade de milho e soja, utilizados como biocombustíveis ou na alimentação de animais. A descoberta, segundo os autores, é particularmente preocupante, pois sugere que os países estão concentrando seus esforços na melhoria de culturas para alimentação de animais e carros e, ao mesmo tempo, ignorando investimento em produções que são a base da segurança alimentar de grande parte do mundo.

“Temos vários estudos e artigos científicos que mostram a necessidade de dobrar a produção global de alimentos até 2050. Mas, se você precisa dobrar a agricultura, primeiro é necessário entender o que está acontecendo agora, no presente. Esse é o ponto principal do estudo. O que estamos fazendo nesse momento para necessitarmos do aumento?”, questiona Deepak Ray, principal autor do artigo. De acordo com ele, enquanto o contínuo crescimento da população e o aumento do consumo de carne e biocombustível têm pressionado dramaticamente a agricultura global, existem muito mais áreas no mundo em que a produtividade de trigo e arroz é a mesma de 50 anos atrás, sem melhorias ou pioras.

Brasil
Sobre o Brasil, Ray afirma ter “pouquíssimas” notícias ruins. “O Brasil é um país incrível, com uma produção de milho e de soja em larga expansão. Mas há áreas no Nordeste em que a produtividade de milho e de arroz está estagnada há muitos anos. Isso me surpreendeu, eu estava esperando encontrar tal situação em países da África, mas não no Brasil”, relata o pesquisador. Segundo ele, China e Índia apresentam situações mais preocupantes. Nesses dois países, existem grandes áreas que há um tempo têm testemunhado o declínio na produtividade e uma estagnação significativa de culturas.

De acordo com José Garcia Gasques, da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no Brasil, a soja e o milho tendem a ser o carro-chefe da agricultura, pois são dois itens dinâmicos, mais integrados à agroindústria e às cadeias produtivas complexas. “Os produtores olham os preços dos grãos na hora de produzir. O trigo e o arroz têm o preço mais estável e mais baixo, com menos atrativo financeiro que o milho e a soja”, explica Gasques. O especialista acrescenta ainda que é preciso que o país dê mais ênfase nas políticas destinadas ao trigo, já que a metade do consumo interno tem de ser importado.

Sobre as regiões onde a produtividade está estagnada no Brasil, Gasques afirma que um dos grandes empecilhos é a questão climática. “Em áreas que estão se expandindo, como no Maranhão e oeste baiano, nossa produtividade é relativamente alta. Mas, se a gente pegar áreas do Nordeste como o sertão e agreste, a produtividade será menor, principalmente, por causa do clima.” Mesmo com as dificuldades, ele afirma que é possível melhorar esses índices por meio de pesquisa e irrigação e pela destinação de recursos em investimento e custeio. “O Brasil é um país que tem crescido, essencialmente, com base na produtividade. De 1991 a 2013, tivemos um aumento de 214,8% de produção, enquanto nossa área (plantada) só aumentou 37,8%”, diz Gasques. Para ele, os dados não deixam dúvida de que o Brasil tem aproveitado seus recursos sem precisar, necessariamente, aumentar a área de cultivo.

Perguntas
Apesar de mapear os atuais problemas e mostrar qual é a presente situação da produção agrícola no mundo, Deepak Ray afirma não ser possível dar respostas exatas do porquê da estagnação e do declínio de cerca de 39% das regiões produtivas analisadas. “Não existe uma pesquisa feita para explicar a razão de a produtividade não mudar nessas partes do globo. Nosso estudo mostra o que está acontecendo, mas ainda precisamos entender por quê”, justifica Ray. Para ele, uma das perguntas que pairam no ar é como atender as crescentes necessidades de alimentar a população no futuro se a produtividade de um terço das áreas de lavoura, justamente nas culturas mais importantes, não melhorar.

O questionamento do pesquisador, entretanto, não deixa de gerar uma certa estranheza. Por que produzir cada vez mais se é sabido que, em muitas partes do globo, o grande problema está no desperdício de alimento e não em sua falta? Não seria uma questão de melhorar a distribuição dos recursos em vez de aumentar a produtividade? “É fato que existe muita comida no mundo e que a distribuição é falha. Por isso, cerca de 870 milhões de pessoas passam fome no mundo. Mas se você olhar para o futuro, você realmente acha que, de repente, vai ter uma incrível distribuição de comida no mundo?”, pondera o cientista. “Nos Estados Unidos, grande parte da comida é perdida nos refrigeradores ou no supermercado, mas isso existe há muito tempo. As pessoas pobres não terão acesso à comida de repente. Por isso, é necessário aumentar a produção ao mesmo tempo”, defende.

Em meio ao preocupante alarme, Ray destaca aspectos positivos decorrentes do levantamento. Segundo ele, as soluções para os locais que não encontram melhora em sua produtividade estão mais perto do que se imagina. “No Brasil, por exemplo, é só andar 100km que, no próximo município, você pode encontrar uma área em expansão. Os produtores com dificuldade só precisam olhar para seus vizinhos. Não são todos os lugares que se encontram estagnados.”

No lixo
Um estudo divulgado no último dia 10 por uma associação de engenheiros britânicos estima que metade dos alimentos produzidos no mundo é jogada fora. Por ano, o montante do desperdício chegaria a 2t, devido a deficiências na armazenagem e na distribuição. Outro problema estaria no próprio consumidor, especialmente nas nações desenvolvidas, que compram mais comida do que podem consumir.

Subnutrição
O número foi divulgado em outubro de 2012 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A média de subnutridos representa 12,5% da população mundial. Mas os percentuais aumentam para 23,2% nos países em desenvolvimento e caem para 14,9% nas nações desenvolvidas. A Ásia é o continente que lidera em número a quantidade de pessoas subnutridas e há um aumento na África.

 

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