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Arte e ciência unidas

Science e Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos premiam trabalhos visuais capazes de auxiliar a produção do conhecimento

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postado em 02/02/2013 08:00 / atualizado em 18/02/2013 12:23

Bruna Sensêve

Desde que, no fim do século 15, Leonardo da Vinci criou O homem vitruviano — seu famoso estudo das proporções humanas, no qual o corpo de um homem aparece inscrito em um círculo e um quadrado —, arte e ciência trabalham juntas para aperfeiçoar conhecimentos e descobrir conceitos. Atualmente, a moderna tecnologia é acrescentada a essa equação, colaborando com o estudo das mais diversas áreas de pesquisa. Exemplos dessa união são destaque na edição de hoje da revista Science, que apresenta os vencedores do Desafio Internacional 2012 de Ciência e Engenharia de Visualização, um prêmio concedido anualmente pela revista especializada e pela Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos.

A premiação é dividida em cinco categorias: jogos e aplicativos; fotografia; pôsteres e gráficos; ilustração; e vídeos. Nessa última, o trabalho que mereceu o primeiro lugar foi criado por um grupo de pesquisadores do Centro de Supercomputação de Barcelona. A obra apresenta a união das principais características do coração humano em um único modelo, o que permite o estudo dos segredos mais profundos do órgão.

Baseados em dados de ressonância magnética, os autores construíram uma estrutura em que cada fio colorido representa células musculares cardíacas interligadas, que transmitem a corrente elétrica e disparam o batimento cardíaco humano. Segundo Fernando Cucchietti, que faz parte da equipe produtora do vídeo Ayla vermelha, a imagem resulta de um processamento digital artístico que une modernas técnicas de imagiologia e alta potência computacional. “Tivemos muito trabalho para obter um roteiro que fosse interessante, mas ainda cientificamente profundo o suficiente para que um especialista também possa observar detalhes interessantes. Queríamos criar um sentimento de admiração com complexidade”, descreve Cucchietti.

Já o vídeo Revelando mudanças invisíveis no mundo, premiado com menção honrosa no desafio, chama a atenção especialmente por seu poder de interação. Nele, o time de cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) desenvolveu uma forma de ampliar em larga escala as mudanças que ocorrem no corpo humano e no ambiente, mas que passam imperceptíveis ao olho nu. A partir de uma filmagem inicial, a equipe analisa cada pixel para mínimas flutuações de cor em um determinado período de tempo. Em seguida, eles aplicam um algoritmo que amplifica essa variação e extrai a informação necessária. Dessa forma, é possível obter os batimentos cardíacos de um homem, amplificando o ir e vir do sangue que confere uma sutil variação do rubor no rosto, por exemplo.

Michael Rubinstein, parte da equipe do MIT, acredita que o dispositivo pode ser utilizado por médicos para conferir os sinais vitais de pacientes, sem que seja necessário qualquer procedimento invasivo. Ele pensa também em uma utilização doméstica do software, como, por exemplo, um novo tipo de babá eletrônica em que os pais podem observar sinais como respiração e batimentos cardíacos de seus filhos. Ele conta que o programa (disponível para download em people.csail.mit.edu/mrub/vidmag/) já vem sendo usado até por amadores. “As pessoas interagem muito a gente e mostram o que puderam fazer. Teve uma pessoa que fez o vídeo dos movimentos fetais na barriga de sua mulher durante a gravidez”, conta.

Nova categoria
Na comemoração de seu décimo ano de realização, o prêmio se adapta às exigências das inovações tecnológicas e abre espaço para uma nova categoria: os aplicativos para dispositivos móveis, acrescentados na categoria jogos. Neste ano, os jurados acharam que nenhum trabalho merecia o prêmio principal. Contudo, um jogo desenvolvido pela engenheira Gayatri Mehta, da Universidade do Norte do Texas, chamou a atenção e conquistou o prêmio de escolha do público.

No jogo, intitulado Untangled, os usuários devem conectar a rede de um chip de computador e competem entre si para fazer o layout do circuito de forma mais compacta possível. Segundo Mehta, o maior desafio ao projetar o jogo estava em “esconder todos os detalhes técnicos para que as pessoas não fiquem com medo, por estarem resolvendo um problema de engenharia”. Para isso, usou blocos coloridos e deixou de lado os algoritmos. Outros dois jogos ganharam menção honrosa: CyGaMEs Selene II, um jogo de construção que se passa na Lua, e Velocity Raptor, no qual um dinossauro verde com uma capa azul, capaz de voar a uma velocidade próxima à da luz, busca salvar o mundo.

Esta edição do prêmio contou com 215 inscrições de 18 países. Os critérios para julgar os trabalhos inscritos incluem impacto visual, comunicação eficaz, frescor e originalidade. O concurso recebeu 3.155 votos do público, que selecionou seus favoritos em cada categoria e pôde compartilhar suas escolhas no Facebook e no Twitter. Os trabalhos vencedores serão hospedados no ScienceMag.org e NSF.gov.


Vencedores

Confira os ganhadores de cada categoria em 2012:

» Fotografia

Monocristais biominerais (Universidade de Wisconsin-Madison)
A imagem mostra os cristais microscópicos que compõem o dente de um ouriço-do-mar. Cada tom de azul, aqua, verde e roxo — sobrepostos com o Photoshop em uma micrografia eletrônica de varredura (SEM) — destacam um cristal individual de calcita, o mineral de carbonato abundante encontrado em calcário, mármore e conchas

» Ilustração

Conectividade de um computador cognitivo baseado no cérebro de um macaco (IBM Research — Almaden)
Inspirados pela arquitetura neural de um macaco, os autores mostraram o esquema de ligações para um novo tipo de computador que, por algumas definições, pode em breve ser capaz de pensar

» Pôsteres e gráficos

Adaptações das artérias cervicais e cefálicas de uma coruja em relação à extrema rotação de pescoço, (Escola de Medicina da Universidade de Johns Hopkins) O pôster explica o possível mecanismo por trás da habilidade de uma coruja girar seu pescoço até 270º

» Vídeo

Alya vermelha: um coração computacional (Centro de Supercomputação de Barcelona)  vídeo é um novo modelo computacional do coração que utiliza modernas técnicas de imagiologia médica e tecnologia computacional de ponta

 

 

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