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Cúpula debate educação a distância

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postado em 01/11/2013 12:21 / atualizado em 04/11/2013 09:46

Ana Paula Lisboa

Wise
Doha — A educação a distância, em especial os cursos massivos abertos on-line, conhecidos pela sigla em inglês Moocs (Massive Open On-line Courses), foi um dos principais temas debatidos no World Inovation Summit for Education (Wise), cúpula sobre inovação que ocorreu até ontem em Doha, no Qatar. A adoção dos Moocs na China foi o tema abordado na palestra dada, na quarta-feira, por Yang Liu, diretor de Educação da Guokr Interactive Information, a mais conhecida rede para disseminação de conhecimento na internet do país oriental. E ontem especialistas da área discutiram a importância da rede mundial de computadores para democratizar o acesso à educação superior de qualidade.

Para Francisco Marmolejo, coordenador do programa de educação superior do Banco Mundial e participante da cúpula, a educação é o instrumento mais importante para provocar mudanças sociais, e, por isso, o Brasil deve tentar aumentar a proporção de pessoas com acesso ao ensino superior. “Se o Brasil quer ser sério e se converter numa economia de destaque nos próximos anos, vai precisar formar, mais rapidamente, profissionais qualificados. Os cursos on-line podem ser uma boa alternativa”, disse ao Correio. Ele acredita que mais parcerias com universidades são fundamentais para isso, mas ressalta que o ideal são cursos que combinem etapas presenciais e on-line, para superar limitações do ensino a distância, como pouca credibilidade e falta de tecnologia para verificar melhor o aprendizado.

Um exemplo de como essa forma de ensino pode promover transformações importantes é dado por Délio Morais, presidente da Hughes-Brasil, empresa de telecomunicação via satélite. Em 2009, um projeto desenvolvido em parceria entre a Hughes e o governo do Amazonas, foi um dos ganhadores da primeira edição do Wise Prize, que seleciona e reconhece soluções inovadoras aplicadas ao aprendizado. Em 2006, o estado do Amazonas se classificou como a pior unidade da federação no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Os principais problemas estavam após o ensino fundamental.

"Cada município é obrigado a ter pelo menos um colégio de ensino médio, mas os municípios no Amazonas são enormes, alguns são até maiores que o Qatar. Então, se tornava inviável para um ribeirinho continuar estudando quando a escola fica a mais de 200 km da casa. Outro problema é que não havia uma quantidade suficiente de professores", explica Délio.


A solução foi usar aulas por satélite. O governo selecionou os melhores professores para darem aulas em frente a uma câmera, ao vivo, para mais de 200 mil alunos em 4 mil salas de aula diferentes. "Quando se pensa em teleaula, logo nos lembramos do Telecurso 2000, algo totalmente passivo, mas dessa vez não foi assim", conta Délio.

Toda sala de aula era equipada com uma webcam e o professor interagia com várias escolas por aula. Os alunos tiravam dúvidas e tinham que responder a perguntas do educador. "A vontade de participar durante as aulas cresceu nos alunos, porque todos queriam aparecer na televisão e conversar com o professor", lembra.

O custo para fazer escolas ficou bem menor: só era necessário uma sala ou um local com cadeiras e um monitor. Este profissional não era um educador, mas era responsável por acompanhar os alunos, além de aplicar e corrigir provas.


Segundo Délio, outra vantagem do método é que todos os alunos tinham acesso ao mesmo nível de aulas. Os resultados já puderam ser conferidos na prova do Ideb do próximo ano e o Amazonas continua subindo no ranking. Outra surpresa é que os níveis das escolas com teleaula foram melhores que as tradicionais. "O mérito é todo da Secretaria de Educação do Amazonas. Eles eram responsáveis por todo o conteúdo. Eu só ofereci a tecnologia que tornou isso possível", esclarece o presidente da Hughes no Brasil que acredita que as novas tecnologias, aplicadas à educação, podem colaborar para o desenvolvimento do Brasil. A experiência bem-sucedida inspirou outros governos estaduais que visitam o Amazonas até hoje para levar a ideia para o local onde vivem.

 

*A repórter viajou a convite da Qatar Foundation

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