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Romance no escritório

Relacionamentos afetivos entre colegas de trabalho nunca foram novidade. Nos Estados Unidos, empregadores estão tomando medidas mais drásticas para proteger as metas e a imagem da empresa, segundo pesquisa

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postado em 27/01/2014 10:27 / atualizado em 27/01/2014 10:29

Antonio Cunha
Em uma jornada típica de oito horas de serviço, entre almoço, reuniões, pausas para o cafezinho e conversas no corredor, é comum o estreitamento de laços de amizades entre colegas. Uma vez que as pessoas passam um terço do dia em ambientes profissionais, não é de se estranhar que os momentos juntos possam  levar a relações mais íntimas, como namoro e até casamentos entre amigos no emprego. Mesmo que não seja uma atividade encorajada por parte dos empregadores, relacionamentos amorosos no trabalho são recorrentes, e cresce o número de empresas que adotam políticas restritivas escritas ou verbais a respeito dos inevitáveis romances no escritório. Levantamento realizado em 2013 entre 384 profissionais de RH pela Society for Human Resources Management (SHRM) aponta que o percentual de corporações nos Estados Unidos que adotaram medidas a respeito de relacionamentos afetivos entre funcionários aumentou de 20% para 42% nos últimos oito anos. Entre as justificativas dos empregadores americanos, estão a necessidade de gerir possíveis danos para as metas da equipe, assim como a imagem da empresa,  em casos de favoritismo e assédio sexual.

Não existe uma “fórmula do amor” muito diferente para o romance desabrochar no ambiente de trabalho. A proximidade diária, gostos em comum, desejo de crescer na profissão e até mesmo aquela força na hora de resolver algum problema ajudam as pessoas a se sentirem atraídas pelos companheiros de rotina. “É um ambiente propício para iniciar namoros, visto que a interação e o tempo juntos são significativos”, avalia o psicólogo Aílton Amélio da Silva. Segundo dados coletados pelo especialista, 37% dos relacionamentos se iniciam entre conhecidos, como vizinhos, companheiros de escola e de trabalho. “Infelizmente o ambiente também é propício para infidelidade. Gente nova sempre atrai atenção e, em certos casos, as pessoas passam até mais tempo com os colegas do que com as esposas e os maridos”, alerta.

Apesar de a existência das relações pessoais não ser novidade, a pesquisa feita pela SHRM mostra que as preocupações acerca de possíveis problemas de conduta nos locais de trabalho são crescentes. Entre os catalisadores apontados como motivadores para a criação de normas que impedem o romance no escritório, estão o risco de favoritismo e assédio sexual, com 84% e 78% de votos, respectivamente. "O aumento de políticas, ao meu ver, se refere à profissionalização da gestão de pessoas e cuidados legais com esses incidentes", comenta Renata Magglioca, gerente de inovações da consultoria Cia. de Talentos.

Transparência
Além dos possíveis problemas relativos às normas de conduta, outro argumento utilizado para limitar os vínculos amorosos no trabalho é o risco de que o contato constante do casal possa atrapalhar na hora de cumprir as obrigações. Entretanto, a psicóloga Daniela Gonçalves Macedo destaca que não se pode generalizar o namoro no ambiente em questão como algo negativo, pois, a interação entre indivíduos que vivem as mesmas experiências pode ajudar no crescimento das partes envolvidas. “Existe a possibilidade de partilhar  situações e discutir assuntos relacionados à profissão com alguém em quem se confia, e isso é algo positivo a ser levado em conta”, diz. De acordo com pesquisa realizada em 2013 com cerca de 300 profissionais pelo site de empregos Trabalhando.com Brasil, 54% afirmam que, em caso de relação afetiva com colegas, isso não atrapalharia a performance. Para o diretor geral do site no país, Caio Infante, o romance pode servir como motivador para não deixar o rendimento cair, visto que o casal geralmente passa a receber mais atenção por parte dos superiores. “Por medo de perder o emprego, ou ficarem mal vistos, muitos aproveitam para mostrar mais esforço nas atividades, mas isso depende de cada um. A empresa precisa é ser clara a respeito do que é ou não permitido”, explica Caio.

Há 14 anos, Cintia Vidal Silva, 37 anos, e Carlos da Silva Pereira, 39, são exemplo de como o profissionalismo e o relacionamento amoroso podem conviver no local de serviço. Funcionários de setores diferentes de um laboratório clínico, o casal  conta que, nos primeiros três meses , o namoro dos dois não era público. No entanto, quando finalmente informaram os colegas e os superiores, nada mudou no ambiente de trabalho. “Até porque sempre fomos discretos e nunca demos motivos para chamarem a nossa atenção. Deixamos claro que a vida pessoal e o emprego são mundos distintos”, explica Cintia. Após um ano e meio de namoro, eles se casaram.

Hoje, o casal afirma que o compromisso em não deixar a vida privada interferir na profissional foi decisivo para manter o convívio saudável na empresa. Eles avaliam que a relação pode trazer até mesmo benefícios para a carreira. “Em casa conversamos a respeito dos desafios do dia a dia”, conta Carlos. Embora a empresa não tenha regras em relação a namoro, eles resolveram adotar algumas atitudes como, por exemplo, manter certa distância.
O coordenador do curso de RH da Faculdade Estácio Facitec, Álvaro Quaglia acredita que um comportamento norteado por regras claras e definidas ajuda na hora de impedir que as relações se tornem dores de cabeça. “É preciso ter uma linha de ação que esclareça se é vetado ou não o namoro. Se existirem políticas que proíbam, cabe à gestão ser firme e exigir o cumprimento dessas regras”, completa. Ainda segundo Quaglia, uma postura ética é necessária tanto por parte da corporação como dos funcionários, para que não existam desentendimentos. “Ficar escondido só piora as coisas. É preciso explicar o que existe entre o casal e o que pode ser feito”, continua.

Discrição e bom senso

Para manter uma boa relação com os empregadores e colegas , cabe à dupla investir em comportamentos que reforcem a postura profissional. A psicóloga Daniela Gonçalves Macedo afirma que a principal dica é manter a discrição. “Não é algo fácil, mas essencial para uma boa conduta e um bomdesempenho de funções”, comenta.

Tomar cuidado com questões éticas e entender que existem limites são outros aspectos a serem levados em conta. Para os especialistas, quando a empresa não permite o relacionamento, ou o namoro se torna alvo de fofocas de corredor, cabe aos envolvidos procurar soluções para evitar danos à carreira de ambos e até ao relacionamento. “Se os boatos estremecerem o nível de confiança com a empresa, os indivíduos podem perder na avaliação geral e afetar a confiança do cargo que tem ocupado”, ressalta a gerente de inovações Renata Magglioca.    Caio Infante lembra que é preciso conversar com os superiores, até mesmo para avaliar alternativas como transferências de setor e desligamento do trabalho. “Sair do local é uma indicação e isso acontece mais do que as pessoas imaginam.  Geralmente, o RH e os envolvidos procurar fechar um acordo”, explica.

 

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