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Lua sangrenta acorda brasilienses

Primeiro de uma rara sequência de quatro eclipses, o fenômeno visto na madrugada de ontem encantou pela coloração vermelha do satélite natural e pela longa duração

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postado em 16/04/2014 15:00

Paula Bittar /

 (Carlos Silva/CB/D.A Press) 

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 (Carlos Silva/CB/D.A Press) 

 (Carlos Silva/CB/D.A Press) 

 (Carlos Silva/CB/D.A Press) 

A sequência de imagens mostra a transformação da lua: de cheia e branca, ela quase desapareceu antes de ficar totalmente avermelhada (Carlos Silva/CB/D.A Press) 
A sequência de imagens mostra a transformação da lua: de cheia e branca, ela quase desapareceu antes de ficar totalmente avermelhada

 
Às 3h50 de ontem, o menino João, 12 anos, foi acordado pela mãe, a servidora pública Daniela Aviani, 45, que o chamava para um evento muito especial. Dez minutos depois, o eclipse chegou à melhor parte: a “lua sangrenta” brilhando no céu. O garoto nem sabia que o fenômeno aconteceria. “Nunca tinha visto um eclipse. Eu gosto de astronomia, é a principal razão pela qual eu quis acordar para ver. Já vi muitos documentários sobre o assunto. Foi do jeito que eu esperava”, comenta o garoto. Interessado pelo assunto, ele pensa, entre outras profissões, em trabalhar como astrônomo no futuro.

Daniela passou a infância na 703 Sul, onde a mãe dela organizava encontros para os filhos, sobrinhos e vizinhos verem eclipses e cometas. “Minha mãe criava a maior expectativa em torno desses fenômenos. Armava a maior festa, fazia lanche e providenciava máscaras de proteção. Vimos eclipses do Sol, o cometa Halley. Uma farra só!”, lembra. Saudosa da infância, ela fez questão de chamar o filho mais velho para compartilhar a experiência. A caçula, Elisa, 9 anos, não conseguiu acordar.

Muitos brasilienses despertaram durante a madrugada de ontem para observar o fenômeno (veja Palavra de especialista), que começou às 3h e terminou às 5h24. Alguns planejaram o momento. Outros acompanharam o eclipse por acaso. No caso da estudante Gabriela Fune, de 22 anos, o fenômeno coincidiu com um evento especial: o aniversário dela.

Na mesa de bar com os amigos, comemorando a data especial, Gabriela soube que o fenômeno aconteceria. No fim da noite, apenas ela, o irmão e duas amigas ficaram acordados para ver: conseguiram as chaves da cobertura do prédio onde moram, estenderam cobertores em espreguiçadeiras e esperaram a lua mudar de cor. “Eu já tinha visto um eclipse solar, mas não teve metade da graça. Foi meio demorado, e acho que a melhor parte foi a expectativa, mas ainda assim foi incrível. De repente, a lua começou a ficar menor e, depois, vermelha”, conta a estudante.

Durante o dia de ontem, uma amiga de Gabriela mostrou a ela um texto de um site esotérico, que explicava que o fenômeno traria sorte para quem o observasse, melhorando os relacionamentos. “Eu nem acho que tenha todo esse significado místico, mas também achei legal isso ter acontecido no meu aniversário. Foi um presente para o mundo”, comenta.

Encontro
A noite de céu claro levou brasilienses ao gramado em frente à Praça do Cruzeiro, no Eixo Monumental, para assistirem juntos ao fenômeno. O local oferece amplo horizonte e pouca iluminação, condições perfeitas para observar o eclipse. Por volta das 2h, admiradores do céu de Brasília e astrônomos amadores se instalaram no espaço. Cerca de 30 pessoas acompanharam a lua ser tomada pela sombra até ganhar a cor avermelhada.

O fenômeno visto pelos brasilienses foi o primeiro de um evento raro: a tétrade (veja quadro), ou sequência de quatro eclipses totais. O servidor público Mauricio Palmeira, 52 anos, levou seu telescópio. “Ao apontá-lo para a Lua, conseguimos ver características dela que não são visíveis sem o eclipse. Não me considero ainda um astrônomo amador, e sim um entusiasta. Então, quando acontece esse tipo de fenômeno, é uma boa oportunidade para reunir os amigos, compartilhar, trocar ideias e aprender, além de ser muito bonito de se observar”, afirma.

Para os admiradores dos corpos celestes, a experiência é única e justifica as horas fora da cama. Mesmo quem não levou qualquer instrumento para ajudar a ver melhor o eclipse aproveitou as quase duas horas do evento. Alguns astrônomos amadores, como Sergio Luiz de Miranda, 38 anos, compartilharam o visor do telescópio e tiraram as dúvidas dos mais curiosos. “Costumo passar a noite observando, mas não são horas perdidas. Para mim, esse fenômeno é importante para conhecer mais sobre o mundo. É uma expansão do que aprendemos com a geografia”, opina.


Repetição
Durante todo o século 21, devem ocorrer oito tétrades — sequência de quatro eclipses totais. A primeira aconteceu entre 2003 e 2004 e a que teve início ontem é a segunda. Confira as datas dos próximos eclipses lunares.

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