SIGA O
Correio Braziliense

publicidade

TECNOLOGIA »

Deletou mesmo?

Engenheiros compram smartphones de segunda mão e conseguem recuperar dados, incluindo fotos, dos usuários antigos. Teste serve de alerta sobre a insegurança que ronda o uso desses aparelhos

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 28/07/2014 13:05

Você sabia que, mesmo apagando todos os dados do seu celular, informações sigilosas, como fotos e e-mails pessoais, e até buscas feitas na internet, tudo pode ser acessado? É o que mostra um experimento feito por uma empresa de segurança on-line da República Tcheca. Ao adquirirem aparelhos de segunda mão em um site de compras, os engenheiros da Avast tentaram recuperar os dados dos usuários antigos e obtiveram sucesso na empreitada. A partir dos resultados do teste, eles ressaltam a necessidade de alertar os donos de smartphones sobre a importância dos procedimentos de segurança que devem ser tomados antes da revenda desses equipamentos.


A iniciativa de testar a segurança de celulares surgiu após um descuido de um dos funcionários da companhia. “Ele apagou acidentalmente todos os dados do telefone. Desesperado, passou a fazer uma pesquisa on-line sobre recuperação de dados e não demorou muito para encontrar alguns tipos de software especialmente criados para isso”, conta André Munhoz, gerente de e-commerce da empresa Avast no Brasil.


Após o funcionário conseguir recuperar os dados perdidos, os engenheiros resolveram analisar se poderiam fazer isso com outros celulares. Eles compraram em um site de vendas on-line 20 smartphones usados. A princípio, os equipamentos chegaram com todos os dados pessoais dos donos anteriores apagados. Mas, durante a busca nos arquivos, encontraram informações de quatro usuários, como dados pessoais, financeiros e 40 mil fotos, incluindo imagens de homens e mulheres nus.
“Os arquivos nunca são totalmente deletados de um computador. Quando você apaga um documento, o sistema operacional some com a presença daquele arquivo naquele local, desocupando o espaço para que um outro dado possa ser adicionado. Entretanto, na realidade, o que você deletou acaba ficando armazenado no driver de dispositivo”, explica Munhoz.
Segundo Stu Lipoff, membro do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) e não integrante do teste, esse problema acontece também com smartphones porque eles têm um sistema de funcionamento muito semelhante ao de computadores. “Funcionam basicamente como um celular e um computador na mesma caixa. A parte computador tem vários tipos de memória, sendo que ela é normalmente embutida no telefone quando ele é produzido e há um pequeno espaço para arquivos, como mensagens SMS e informação de contato.” Há ainda a possibilidade de guardar informações pessoais no cartão de memória removível, o SIM.
Desconhecimento

A segurança dos dados compartilhados e armazenados pelos smartphones é um tema pouco conhecido pelos usuários, que têm crescido consideravelmente no Brasil. Em 2013, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o aumento nas vendas foi 110% superior ao de 2012. De janeiro a maior deste ano, 28,2 milhões de aparelhos novos foram comercializados no país.

O desconhecimento sobre como realmente funciona a memória desses aparelhos e o aumento das aquisições são motivos suficientes, segundo Lipoff, para uma urgente difusão de informações que protejam a intimidade dos usuários. “Seria boa ideia para os fabricantes de telefones informar melhor os usuários sobre o quanto é importante limpar corretamente a memória do telefone quando forem repassá-los”, destaca.


Há duas medidas simples nesse sentido. A primeira é criptografar os dados, função oferecida por celulares mais modernos. Esse procedimento funciona como uma chave na qual somente o dono do aparelho pode acessar os seus dados. Há também a indicação para sobescrever os dados. “O ideal é instalar uma ferramenta especialmente desenvolvida para isso, como um software antifurto”, ensina Munhoz.


Muitas empresas telefônicas e muitos sites especializados oferecem aplicativos gratuitos com essa função, destaca Lipoff, que ressalta que as pessoas não precisam ficar paranoicas com a segurança de seus dados. “Na minha opinião, os telefones são suficientemente seguros para um usuário comum. No caso de dados altamente sensíveis, você pode criptografá-los utilizando aplicativos de terceiros”, destaca.


O especialista também destaca a opção de travar o celular com uma senha, o que pode dificultar o acesso aos dados. “Todos os usuários devem bloquear o telefone com um PIN, e os celulares modernos permitem isso com um aplicativo. No entanto, o bloqueio do telefone com um PIN não vai impedir um hacker de ler o conteúdo na memória do telefone — apenas torna esse trabalho mais difícil”, pondera.


A equipe de pesquisadores responsáveis pelo experimento trabalha em projetos que aumentem a segurança dos dados, mas também ressalta a importância de sensibilizar as pessoas sobre o tema. “Muita gente ainda acha que não há como pegar vírus em celular nem sequer imagina que pode sofrer ataques de hackers em aparelhos móveis. Esse teste, no entanto, mostra que a realidade é bem diferente”, alerta Munhoz.

Tags:

publicidade

publicidade