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Reconhecimento que vem da escrita

Representante do DF conquista o terceiro lugar em concurso de redação promovido pelo Senado. Aluno de São Sebastião escreveu sobre representatividade política

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postado em 14/11/2011 12:00

A 30 km do centro de Brasília, estuda Carlos Vinícius Araújo. O jovem de 18 anos está no 3º ano do ensino médio do Centro Educacional São Francisco, em São Sebastião. Não só a escola, como o Brasil, descobriu um novo talento na escrita. Carlos foi escolhido, pela segunda vez consecutiva, para representar o DF no 4º Concurso de Redação do Senado Federal. Este ano, ele conquistou o terceiro lugar na etapa nacional. A timidez torna o estudante econômico nas palavras. O que é reprimido na fala, liberta-se no texto. Carlos se mantém atualizado com notícias de jornais, de revistas e da internet. Todo conhecimento se reflete no papel. A dissertação com o título de %u201CDireito irrevogável%u201D apresenta uma visão crítica sobre o papel do cidadão comum na política. %u201CComparei a luta que o povo brasileiro deveria travar para acabar com a corrupção e a Revolução Francesa. O povo francês tomou consciência e eu acho que o brasileiro tem de lutar pelos seus direitos%u201D, defende. No início do segundo semestre, a Secretaria de Relações Públicas (SRP) do Senado enviou para mais de 18 mil estudantes e 500 escolas públicas de todo país kits de divulgação do concurso. Os interessados deveriam cursar o 2º ou o 3º anos do ensino médio e ter entre 16 e 19 anos. A SRP ainda não tem o número exato de quantos alunos participaram, pois aguarda o balanço das inscrições das secretarias estaduais de educação. Seleções Os textos passaram por três seleções, nas quais foram escolhidos o melhor de cada escola, os três finalistas de cada uma das Unidades Federativas e do país. Carlos chegou à última etapa e integra o trio com o primeiro e o segundo lugares %u2014 Matheus Oliveira Faria, de Passos de Minas (MG), e Janaína Santana Vilela, de Vianópolis (GO). Os 27 estudantes de cada estado serão premiados com notebook, medalha, certificado e publicação da sua redação no livreto produzido pelo Senado Federal. A partir do tema %u201CO Brasil que a gente quer é a gente quem faz%u201D, eles dissertaram sobre processo democrático e exercício da cidadania. O objetivo, segundo a secretaria, é estimular a participação política e esclarecer aos futuros eleitores o papel institucional do Senado e do Poder Legislativo. Carlos ficou sabendo do tema e logo definiu uma abordagem: a turbulência política, resultado dos recentes escândalos de corrupção. Para ele, o direito de definir os rumos do Estado é irrevogável. %u201CA sociedade não pode esperar para que haja uma revolução. A mudança deve partir da gente. Como nosso país é democrático, é nossa responsabilidade votar de maneira consciente. Temos de cobrar dos políticos o que eles prometeram.%u201D Oportunidade Os 27 finalistas estaduais vão ter a oportunidade de participar dos bastidores da política com uma cerimônia de premiação e o projeto Jovem Senador. Na semana que vem, eles vêm a Brasília atuar como senadores e vivenciar o processo de criação de leis dentro do plenário da Casa. Na quarta-feira, às 10h, haverá uma cerimônia de posse, conduzida pelo presidente José Sarney, semelhante à dos senadores. Durante três dias, eles simularão comissões parlamentares e votarão as propostas de lei que eles mesmos criaram. De acordo com Carlos, o Senado pediu para que todos respondessem a um questionário sobre a proposta. %u201CDeu mais trabalho que a redação%u201D, confessa. Nesse caso, o tema escolhido foi a legislação que regulamenta os crimes virtuais. Não só o engajamento desperta o gosto pela leitura e pela escrita. O exemplo vem de casa. %u201CMeu pai me inspira. Ele gosta muito de ler, é consciente e inteligente%u201D, diz o estudante. Carlos Magno Araújo, pai do representante do DF, sempre fez questão de deixar claro para os filhos o papel dos estudos. %u201CSe alguém quer vencer, é por meio do estudo. É isso que vai lhe colocar em uma posição melhor.%u201D Araújo reconhece as deficiências do ensino público, mas diz que nem por isso o estudante deixa de aprender. %u201CCinquenta por cento da aprendizagem parte do aluno.%u201D Incentivo na sala de aula No Centro Educacional onde Carlos Vinícius estuda, os alunos têm um motivo a mais para escrever. O professor de língua portuguesa Diogo Ribeiro desenvolveu um projeto de oficina de redação. Carlos participou durante três bimestres. Nela, os alunos entregam um texto a cada semana. %u201CPego temas atuais, de vestibular, principalmente da UnB, e nós discutimos em sala. Depois, faço a correção individualizada, dou as dicas e entrego a nota%u201D, descreve Ribeiro. O professor já publicou dois livros de poesia. A iniciativa deu certo graças ao entusiasmo dos alunos. %u201CEles escreveram as poesias e compraram a ideia, literalmente%u201D. Cada um pagou R$ 21,50 por exemplar. A diretora Leisa Sasso elogia o corpo docente e se alegra com o terceiro lugar. %u201CDá o maior orgulho porque a escola é nova, tem só quatro anos. Mas a equipe de professores é ótima%u201D, garante. Pelas regras do concurso do Senado, a instituição do primeiro lugar recebe quatro computadores; do segundo, dois; e do terceiro, um. Leisa lembra o comentário de Carlos quando eles souberam da premiação. %u201CEle falou: %u2018É uma pena que o professor Diogo não receba um%u2019%u201D. O estudante não deseja seguir carreira na área de direito, política ou letras. Sua meta é passar no vestibular para biotecnologia. Apesar disso, vê no espírito crítico e na facilidade com o texto um diferencial para a profissão e para a vida. %u201CMe considero uma pessoa consciente e pretendo exercer meus direitos. Sei que sou tímido, mas me expresso bem com a palavra escrita.%u201D O reconhecimento do talento com o terceiro lugar no 4º Concurso de Redação do Senado é só um começo.
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