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Paralisação ganha força na UnB

Além de 60% dos professores da instituição brasiliense aderiram ao movimento iniciado, na capital federal, no último dia 18. Manifestantes fizeram protesto e participaram de aula pública em frente ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão

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postado em 29/06/2012 09:21

Ana Pompeu

Os professores da Universidade de Brasília (UnB) que aderiram à greve nacional das instituições de ensino superior marcaram presença ontem pela manhã em frente ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Cerca de 200 pessoas se agruparam na entrada do prédio do órgão para demonstrar revolta pelo governo ter desmarcado uma reunião prevista para a data. O encontro daria continuidade às negociações, mas, no fim da tarde de sexta-feira, acabou cancelado pela pasta.

Representantes do Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior (Andes-SN) e estudantes da UnB apelaram a apitos, faixas escritas com as principais reivindicações da categoria e gritos de guerra para chamar a atenção das autoridades. Ficaram no local por cerca de uma hora. O grupo levou um carro de som para o Eixo Monumental e ocupou duas faixas da pista, em que fizeram pronunciamentos em defesa do movimento. De lá, os manifestantes seguiram para o Ministério da Educação, do outro lado da Esplanada, e dançaram forró em frente ao prédio.

O Ministério do Planejamento informou, por meio da assessoria de imprensa, que não houve nenhum motivo especial para o cancelamento da reunião, que teria sido causado por problemas de agenda interna. Além disso, as negociações estariam acontecendo desde o começo do ano e esta seria apenas mais uma rodada. A assessoria lembrou que, quando a greve foi deflagrada, a categoria e o governo estavam em processo de discussão. O ministério ainda não estipulou uma nova data para o encontro, mas garante que vai remarcá-lo.

A UnB está oficialmente em greve desde o último dia 18, mas só agora o movimento toma fôlego e cresce na instituição. A assessoria de imprensa não tem um balanço da quantidade de professores parados e afirma que a reitoria não se pronunciará sobre o assunto. Mais de 60% dos departamentos estão parados (leia quadro), com cada vez mais adesões. Na próxima quinta-feira, às 14h30, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) se reúne no Salão de Atos da reitoria. Entre os itens da pauta, os presentes vão deliberar se o calendário acadêmico deve ser suspenso ou não. O presidente da Associação dos Docentes da UnB (Adunb), professor Ebnezer Maurício Nogueira da Silva, garante que o movimento cresceu. “Nós temos quase 100% da graduação parada. A pós-graduação, historicamente, é mais resistente”, afirmou. O sindicato convocou outra assembleia para amanhã à tarde a fim de avaliar os rumos do movimento.

Aula pública

Por volta das 9h30, alunos de arquitetura participaram de uma aula pública em frente ao Ministério do Planejamento. Cerca de 50 alunos estiveram no local para a leitura de contos e poemas, além de relatarem experiências em outras greves. “Ficar sem aula é sempre muito ruim e prejudicial aos alunos. Apoiando os professores, temos esperança de não desperdiçar tanto tempo e, talvez, conseguir que as negociações sejam mais rápidas”, afirmou o universitário José Henrique Freitas, 20 anos.

Um dos idealizadores do formato de aula é o professor Frederico Flósculo, que pensou em formas de movimentar a universidade, mesmo parada. “Nos anos anteriores, após duas semanas parados, os corredores ficavam esvaziados, o que é desmoralizante”, diz o educador.

A situação no câmpus

Confira a situação das aulas de alguns institutos da UnB

Instituto de Relações Internacionais

Mantidas atividades


Instituto de Ciência Política

Mantidas, mas depende de reunião


Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

Paradas


Faculdade de Comunicação

Paradas


Faculdade de Educação Física

Paradas


Instituto de Artes

Paradas

Agronomia

Maioria dos professores em greve

Veterinária

Maioria dos professores em greve

Serviço social

Maioria dos professores em greve

Filosofia

Maioria dos professores em greve

História

Maioria dos professores em greve


Geografia

Maioria dos professores em greve


Faculdade de Educação

Paradas

Faculdade de Medicina

Professores divididos

 

26

Total de pontos de votação espalhados na UnB para o pleito que decidirá a paridade nas próximas eleições

Paradas 48 instituições

Com a adesão de quatro instituições, a greve nacional dos professores, coordenada pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), atinge 48 das 59 universidades federais em todo Brasil, incluindo a Universidade de Brasília (UnB). Ontem, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a Universidade Federal de Grande Dourados (UFGD), a Universidade Federal de Tocantins (UFT) e o câmpus em Jataí (GO) da Universidade Federal de Goiás (UFG) também ingressaram no movimento.

Em contrapartida, as outras unidades da Federal de Goiás, assim como a Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), do Rio Grande do Sul (UFRGS), de São Carlos (UFSCar), da Bahia (UFBA), do Rio Grande do Norte (UFRN) e do Ceará (UFC), funcionam normalmente, de acordo com a Federação de Sindicatos dos Professores do Magistério Público Federal do Brasil (Proifes-Federação). Apesar de reivindicar melhorias na carreira, a entidade, bem como as instituições associadas a eles, optaram por não participar da greve. “Estamos no meio de uma negociação com o governo”, justifica o presidente do Proifes-Federação, Eduardo Rolim de Oliveira.

Reivindicações

Os professores das instituições federais de ensino superior que aderiram à paralisação pedem a estruturação de carreira única, com 13 níveis remuneratórios e variação de 5% entre essas divisões, a partir do piso para 20 horas de trabalho. Hoje, ele é de R$ 2.329, 35. Além disso, a categoria pleiteia a incorporação de gratificações e percentuais relativos à titularização e ao regime de trabalho de cada educador.

Plebiscito da paridade

sonobrrasil
Manifestantes ergueram faixas e usaram apitos para chamar a atenção

O Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub) realizará um plebiscito para decidir a posição dos servidores da UnB quanto à paridade nas eleições para a reitoria. As urnas ficam abertas hoje, amanhã e na próxima quinta-feira. A UnB tem cerca de 3 mil funcionários, e a expectativa da direção da entidade é que 90% compareça e vote no modelo eleitoral preferido. A comunidade acadêmica escolhe o novo administrador em agosto. Até lá, precisam ser definidos a proporção e o peso dos votos de professores, alunos e servidores.

A pergunta feita na consulta é: %u201CVocê é favorável ao voto paritário para reitor?%u201D Para atingir a meta, o Sintfub montará 26 pontos de votação. As sessões serão abertas a partir das 8h30 e seguirão até as 18h. No caso dos locais em que há plantão, como o Hospital Universitário de Brasília (HUB) e a Biblioteca Central (BCE), fecham às 19h. A expectativa do sindicato é anunciar o resultado na manhã de sexta-feira, 1º de junho.

Os docentes também responderam ao questionamento em abril, quando mais de 900 professores foram às urnas. A maior parte deles contestou o modelo adotado em 2008, depois da reivindicação dos estudantes durante o movimento que tirou o ex-reitor Timothy Mulholland, acusado de improbidade administrativa. Até então, a eleição respeitava a proporção de votos 70-15-15, que privilegiava o poder de decisão dos docentes em relação às outras categorias. No pleito realizado pelos educadores, 40% dos filiados ao sindicato votaram. Desses, 81% optaram pelo modelo em que o voto da categoria tem peso de 70% nas eleições para reitor.

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