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Educação

Professores terão guia para identificar abusos

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postado em 14/05/2013 18:00 / atualizado em 14/05/2013 12:45

Sheila Oliveira

O Distrito Federal é a primeira unidade da federação a utilizar um guia escolar de identificação de sinais de abuso, elaborado pelo Ministério da Educação. Os professores da rede pública estudarão o material durante o 1º  de Formação Continuada em Prevenção à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, lançado ontem pelas secretarias de Educação (SEE) e da Criança (Secriança). A estimativa do governo local é de que, até o fim do ano, 700 profissionais sejam capacitados.

De acordo com a secretária da Criança, Rejane Pitanga, durante o curso, os docentes terão orientações sobre legislação e o processo de encaminhamento da denúncia. “Além disso, os professores estarão aptos a saber a diferença entre os sinais de abuso e os problemas e as dificuldades de aprendizado, que são muito confundidos”, explicou.

Diretora da Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (Eape), órgão vinculado à SEE, Olga Cristina Rocha de Freitas afirmou que, com exceção dos profissionais com formação específica na área de violência contra crianças e adolescentes, os professores não sabem identificar casos de abuso. “O curso contribuirá com a formação adequada dos professores nessa área e para o aumento das denúncias”, observou.

A especialista em violência doméstica contra criança e adolescente Ceci Marques de Alcântara destacou que 90% dos casos de abuso são identificados na escola. “Na maioria das vezes, a criança faz o relato por meio de um desenho. Cabe aos profissionais de educação estarem atentos a esses pequenos sinais”, afirmou.

A professora de artes do Centro Educacional 01 do Cruzeiro Luzimeire Santana, 37 anos, revelou que identificou um caso de abuso ao se deparar com um desenho de uma criança de 6 anos. “Ele fez uma representação de um órgão genital em detalhes, o que é impossível para um aluno dessa faixa etária”, contou Luzimeire. Segundo ela, os professores sentem receio em denunciar por não ter, na maioria das vezes, apoio do colégio. “Isso é mais difícil, principalmente, nas escolas particulares que prezam pelo nome da instituição”, disse a professora.

Rejane Pitanga garantiu que o curso e o estudo do guia também ocorrerão nas escolas particulares. “Nossa meta é atingir todos os profissionais de educação. Isso inclui os das instituições privadas. Acreditamos que, até o ano que vem, esses docentes participem da formação continuada.”

Dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República mostram aumento de 216% nas denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes no DF. No primeiro quadrimestre de 2012, foram feitas 405 denúncias, enquanto, no mesmo período deste ano, o número saltou para 1.283. 
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