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Educação

Redação do Enem estará disponível em fevereiro

MEC afirma que a correção e a nota da avaliação poderão ser acessadas na internet pelos candidatos %u2014 divulgação é uma das novidades desta edição. Ao todo, 5.683 corretores passam por um treinamento para avaliar os 4,17 milhões de textos

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postado em 06/11/2012 11:19 / atualizado em 06/11/2012 11:40

Grasielle Castro /Correio Braziliense

 

Estudantes no Centro Universitário Unieuro, na Asa Sul: 4,7 milhões de candidatos prestaram o Enem. No Distrito Federal, foram cerca de 50 mil (Luis Xavier de França/Esp. CB/D.A Press - 4/11/12) 
Estudantes no Centro Universitário Unieuro, na Asa Sul: 4,7 milhões de candidatos prestaram o Enem. No Distrito Federal, foram cerca de 50 mil

A partir de 15 de fevereiro, os 4,17 milhões de estudantes que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no último fim de semana — mais de 50 mil do Distrito Federal — terão acesso ao espelho da redação e a nota em cada competência. O material estará disponível no site do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e poderá ser acessado por meio da senha usada na inscrição. Para garantir maior credibilidade ao exame, o modelo de correção foi aprimorado.

De acordo com o presidente do Inep, Luiz Cláudio Costa, é importante que o aluno saiba onde estão suas falhas e qual competência teve maior impacto na nota. “Isso é um direito dele e um dever nosso.” A disponibilização atende a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em janeiro entre o Ministério da Educação e o Ministério Público Federal. As mudanças foram articuladas após problemas apresentados em edições anteriores. No ano passado, por exemplo, um estudante conseguiu mudar a nota final de zero para 880, em uma escala de zero a 1000.

O acesso, entretanto, tem fins meramente pedagógico. Segundo Luiz Cláudio, o reforço na correção guarda a lisura do processo. “Estamos garantindo ao estudante todos os recursos na correção para que ele tenha tranquilidade”. Desta vez, as redações continuarão a passar por dois corretores, porém, se a discrepância de nota entre eles for maior que 200 pontos, o texto passará por um terceiro avaliador. Em 2011, a diferença podia chegar a 300 pontos. Se ainda assim a divergência continuar, o material passará por uma banca de especialista com três membros. “Criamos um fluxo que vai dar mais segurança ao participante”, pontua.

Ao todo, 5.683 corretores, 229 supervisores, 12 coordenadores e 462 auxiliares de supervisão serão responsáveis pelos documentos. A expectativa do Inep é que cada corretor receba 100 redações por dia. O Inep estima que, das 4,17 milhões de redações, 1,2 milhão, ou 30%, passem pelo terceiro corretor, e 200 mil, 5%, sigam para a banca de examinadores. No ano passado, foram escalados mais de 3 mil profissionais e cerca de 360 mil textos passaram pelo terceiro avaliador. Segundo Luiz Cláudio, todos são professores ou profissionais com competência na área.

Outra novidade nesta edição é o acompanhamento dado aos profissionais de correção. Eles passaram por um treinamento presencial e a distância antes do exame ser aplicado. Desde ontem, eles voltaram às salas de aula para um curso específico. O treinamento termina no próximo dia 14. O resultado do Enem sai em 28 de dezembro, e, em 4 de janeiro, os documentos serão encaminhados do consórcio Cespe/Cesgranrio, responsável pela logística da avaliação, ao Inep.

Tema
O ministro Aloizio Mercadante defendeu ontem o tema da redação Movimento imigratório para o Brasil no século 21, considerado surpreendente por grande parte dos candidatos. “Ele pressupõe a capacidade de articular informações e refletir sobre o momento que o país está vivendo”, disse. O presidente do Inep também considerou a temática rica. “Permite ao estudante colocar sua opinião com muita liberdade”. Quanto a possibilidade de anulação de alguma questão, Luiz Cláudio explica que especialistas estão analisando as questões, e que hoje o órgão terá alguma definição.
Colaborou Anna Beatriz Lisbôa

 (Agencia Brasil/Divulgação) 

“Estamos garantindo ao estudante todos os recursos na correção para que ele tenha tranquilidade”
Luiz Cláudio Costa, presidente do Inep

Investigações de irregularidades continuam Embora o edital do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) proíba o uso de qualquer aparelho eletrônico durante a realização das provas, em Sorocaba (SP), uma estudante de 17 anos foi desclassificada após trocar mensagens com a mãe por quase uma hora. A própria mãe da menina, que fazia o exame como treineira, procurou os responsáveis pela aplicação para alertá-los sobre a irregularidade. A garota foi localizada e eliminada.

A troca de mensagens começou às 14h11. A estudante passou um endereço de internet citado no enunciado de uma questão de português e pediu à mãe que o acessasse para ajudar na resposta. A adolescente ainda perguntou o significado de mediana, em uma questão de matemática, e citou o tema da redação. A organização do Enem não soube explicar como a candidata conseguiu utilizar o celular por cerca de uma hora.

O edital do Enem especifica que o participante deve guardar o telefone celular desligado em uma embalagem fornecida pelos fiscais, entretanto, outros incidentes com o aparelho foram registrados. No fim de semana, 65 candidatos foram eliminados por postarem imagens digitais de dentro das salas de provas — 37 no sábado e 28 no domingo. O Ministério da Educação continua as investigações de casos de candidatos que postaram fotos e mensagens nas redes sociais. O MEC esclarece que os estudantes ainda podem ser eliminados, mesmo que não tenham sido flagrados pelos fiscais no momento do exame.

O ministro Aloizio Mercadante pediu mais rigor na legislação. “As pessoas tem de ter responsabilidade. Essas coisas tem de ser tratadas com muita seriedade, precisamos inclusive de ajuste na legislação para que não haja qualquer tipo de tentativa de desestabilizar um processo, que para ampla maioria dos brasileiros é um momento decisivo.”

Crimes cibernéticos
Embora a internet tenha aparecido como grande destaque no Enem pela primeira vez este ano, os atos na rede contra a integridade são constantes. Levantamento divulgado ontem pela ONG Safernet mostra que os casos de pornografia infantil dominam as denúncias relacionadas à web. De 2006 a 2012, das 3.143.809 denúncias o crime representa 40,5%. Crimes contra a vida, racismo e intolerância religiosa são os outros temas mais citados. Os internautas relatam ainda casos de maus tratos contra animais, neonazismo, xenofobia, homofobia e tráfico de pessoas. Quase todo conteúdo, 97% dele, está hospedado fora do país, ainda assim os acusados podem ser punidos.

65
Quantidade de candidatos eliminados no exame por divulgarem fotos na internet

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